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Semana dos Seminários
Seminário de Caparide está lotado de seminaristas
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A crise de vocações sacerdotais é uma realidade mas, em Lisboa, o Seminário Maior de Caparide está a ‘rebentar pelas costuras’ e conta, actualmente, com 45 jovens que fazem o seu caminho de discernimento. Conheça este seminário vocacional que tem um novo vice-reitor, o padre Nuno Amador.

 

Tem apenas 31 anos e dirige um seminário cheio de rapazes. Do Cardeal-Patriarca, o padre Nuno Amador recebeu a garantia de que a idade não é um problema. ‘Isso de seres novo é uma ‘doença’ que o tempo vai curar…’, garantiu D. José Policarpo ao recém-nomeado vice-reitor do Seminário de Caparide.

A nova missão do padre Nuno Amador iniciou-se com um elevado número de jovens seminaristas: 45! “Uma grande alegria”, conta ao Jornal VOZ DA VERDADE este jovem sacerdote que nasceu em Santarém mas viveu sempre na Azambuja. Cresceu no seio de uma família católica, em especial a mãe, porque o pai, segundo conta, sempre foi menos ligado à Igreja. Foi na paróquia desta vila que o jovem Nuno fez o chamado percurso ‘normal’ de catequese. Pertenceu também ao grupo de acólitos da paróquia e foi com surpresa que, aos 11 anos, recebeu um convite do pároco. Afinal, um convite que o iria marcar para toda a vida. “A certa altura, o padre João Canilho convidou-me para participar num estágio do Pré-Seminário. Eu ia iniciar o 7º ano e aceitei o convite. Lembro-me que gostei muito do encontro, mas não quis lá ficar, porque não era bem o que estava à espera. Era um campo de férias normal, mas quando ouvi falar em questões de vocação, em padres, achei que não era bem isso que eu queria para mim…”.

O padre Mário Rui, que ao tempo estava à frente do Pré-Seminário, foi insistindo e, passados uns meses, o pequeno Nuno, ainda com 11 anos, acabou por regressar. Nuno era agora o único adolescente da Azambuja que ainda estava no Pré-Seminário em Penafirme. “Houve dois ou três amigos que ainda participaram no primeiro encontro, mas que depois não continuaram”, lamenta.

 

Responder (afirmativamente) ao chamamento

Com 15 anos, e no final do 9º ano, Nuno entra no Seminário de Caparide – que era, nesse tempo, Seminário Menor –, onde esteve três anos em discernimento. “Entrei apenas com as certezas que um rapaz dessa idade tem… Entrei com a certeza de que vinha para o seminário, e o que vinha fazer, mas não com a orientação da vocação definida”.

Iriam seguir-se três anos no Seminário Maior de Almada, que em meados dos anos 90 ainda pertencia à Diocese de Lisboa. “O segundo ano em Almada foi muito difícil, porque tive de começar a caminhar por mim próprio e tive também que decidir acerca da vocação. Deus chamava-me ao sacerdócio, mas a dúvida era se eu queria responder afirmativamente ao chamamento. Perceber que a minha vocação ou ia também com a minha vontade ou então não valia a pena andar sempre ‘ao colo’”. E no final deste segundo ano, o jovem Nuno vive a transição dos seminários diocesanos: o Seminário de Almada passava para a Diocese de Setúbal, o Seminário de Nossa Senhora da Graça em Penafirme passava a ser o Seminário Menor do Patriarcado de Lisboa e o Seminário de Caparide tornou-se Seminário Maior. “No Verão de 1999, trouxemos a ‘casa’ toda de Almada para Caparide. O padre Ricardo Neves, o prefeito da altura, dizia que estávamos a fazer o ‘ninho’!”. A última etapa da formação sacerdotal foi os quatro anos no Seminário dos Olivais.

Hoje, é com satisfação que o padre Nuno Amador diz que não foi só na catequese que fez o chamado percurso ‘normal’. Também a caminhada de seminário foi ‘normal’. “O meu percurso de seminário foi todo bastante ‘normal’, sem muita coisa de extraordinário. Isso foi muito positivo, porque aprendi que o percurso não tem de ser extraordinário: extraordinário é aquilo que se pode aprender a viver, até nas coisas mais pequenas e mais simples! Ao longo do tempo de seminário, fui aprendendo a ver isso: que, de facto, Deus fazia uma história extraordinária comigo, a partir da simplicidade de cada coisa e de cada ritmo da vida”.

 

Início de missão junto aos livros

O jovem Nuno Amador foi ordenado sacerdote a 27 de Junho de 2004. A sua missão, contudo, iniciou-se a… estudar em Roma. “Estive três anos a estudar Teologia Moral. Tirei o mestrado e agora estou ainda a fazer o doutoramento. Iniciei o meu ministério sacerdotal longe da Diocese de Lisboa e porventura distante daquilo que imaginamos ser a vida de um sacerdote: estar com uma comunidade e servir essa comunidade. Mas o estudo era um serviço à minha diocese, que o Bispo me pedia para realizar”.

Regressado a Portugal em 2007, o padre Nuno foi nomeado para a equipa do Seminário de Caparide, como prefeito, e também para a Pastoral Universitária do Patriarcado de Lisboa. Dois anos mais tarde, com a criação do Instituto Diocesano da Formação Cristã, passou também a integrar a equipa deste novo organismo.

Neste novo ano pastoral, o Cardeal-Patriarca de Lisboa nomeia o padre Nuno Amador vice-reitor do Seminário de Caparide. Uma escolha que faz deste jovem sacerdote o ‘responsável máximo’ presente no seminário, uma vez que o reitor é, por inerência, o reitor do Seminário dos Olivais.

 

Equipa duplamente nova

Com as nomeações de D. José Policarpo para o ano pastoral 2011-2012, praticamente toda a equipa formadora do Seminário Patriarcal de São José de Caparide foi reformulada: o padre Nuno Amador, de 31 anos, é o novo vice-reitor; o padre Hugo Gonçalves, de 32 anos, é o novo prefeito; o padre Filipe Santos, de 31 anos, é o novo director espiritual, mantendo-se apenas o cónego Nuno Isidro, de 47 anos – e que recentemente foi nomeado Vigário-Geral do Patriarcado –, também como director espiritual. “Somos de facto uma equipa muito nova! Eu disse isso ao Senhor Patriarca, sobretudo a começar por mim, que eu era muito novo, ao que D. José me respondeu: ‘Isso de seres novo é uma ‘doença’ que o tempo vai curar…’”. A diferença de idade para alguns seminaristas é muito pouca. Poderá esta semelhança de idades ser uma vantagem, sobretudo ao nível da identificação e do testemunho de vida? “Poderá ter essa relação de proximidade, mas eu acho que não tem a ver com a idade! Pode facilitar essa identificação, na relação com os seminaristas, mas pode ser também uma desvantagem. Mas, para mim, é um desafio diário o perceber esta relação da proximidade e, ao mesmo tempo, deixar uma distância que permite depois ajudar a cada um, com a capacidade de não ficar preso afectivamente”.

Foi “com temor e com tremor” que o padre Nuno Amador encarou a sua nova missão! “Para mim é uma responsabilidade grande! É um desafio enorme! Em primeiro lugar, um desafio de conversão e de coerência pessoal. O que está em jogo é a nossa capacidade de ajudar estes rapazes que estão no seminário a descobrir o caminho e a viver o seminário como esse tempo de conversão e de relação com Cristo”.

 

Decidir ser cristão

Os anos no Seminário Maior de Caparide são decisivos para os jovens que se sentem chamados por Cristo ao sacerdócio. “No Seminário de Caparide procura-se que quem dá o passo de seguir para o Seminário dos Olivais tenha já alguma certeza deste caminho do sacerdócio a que o Senhor o chama. Este tempo é de facto um tempo vocacional, de descoberta da vocação; mas em primeiro lugar de descoberta da vocação cristã! Por vezes, costumamos ‘provocar’ os rapazes perguntando-lhes se eles já decidiram ser cristãos! Essa é a decisão diária: ser cristão, viver numa comunidade, viver intensamente a oração, o estudo, o serviço aos irmãos. E nisso, ir dando a resposta a esse chamamento que Deus faz a cada um”, salienta o vice-reitor de Caparide.

O tempo que os seminaristas passam no Seminário de Caparide está dividido em três anos: o Ano Propedêutico, o 1º Ano e o 2º Ano. O Ano Propedêutico, que conta actualmente com 21 seminaristas, é o ano de iniciação. “É um ano de paragem, como se fosse quase de retiro. Mas é uma paragem activa! Sentiu-se a necessidade, por causa do ritmo que o mundo impõe a cada um, que houvesse este tempo em que cada jovem se pudesse concentrar neste caminho de seminário, adquirindo um ritmo comunitário”. Segundo o padre Nuno Amador, é um ano que tem quatro pilares que o estruturam: “A vida comunitária – ou seja, não se faz caminho cristão sem ser em comunidade; a vida litúrgica da Igreja – o aprender a liturgia, o celebrar a liturgia comunitariamente, o ir sendo introduzido na oração litúrgica da Igreja; a pastoral – com inserção na vida apostólica; e a dimensão catequética – ou seja, o estudo que se faz aqui no seminário, com disciplinas que não são ainda do ano académico, mas que são introdutórias a grandes temas da vida da Igreja”. Todas estas actividades decorrem no seminário, mas o dia de terça-feira à tarde é dedicado ao trabalho apostólico fora da instituição, em especial na Cercica em Cascais, no ATL da Galiza e na AJU - Associação Jerónimo Usera, ligada ao Colégio Amor de Deus.

Os seminaristas que estão no 1º e 2º Anos estudam Teologia na Universidade Católica Portuguesa e, tal como os alunos do propedêutico, aos fins-de-semana visitam paróquias da Diocese de Lisboa, “como forma de testemunho vocacional” e também para irem “conhecendo a realidade diocesana”.

 

Um seminário cheio!

O Seminário de Caparide é um seminário vocacional que acolhe actualmente 45 seminaristas, provenientes de 8 dioceses: Lisboa, Portalegre-Castelo Branco, Funchal, Santarém, Aveiro, Leiria-Fátima e as duas dioceses de Cabo Verde, São Vicente e São Tiago. Há até quem diga, em tom de brincadeira, que a lotação está esgotada e que não cabe nem mais um seminarista! “É uma grande alegria para toda a Igreja ver tantos jovens a quererem descobrir o caminho que Deus quer para cada um deles!”, assume o novo vice-reitor do Seminário de Caparide, padre Nuno Amador.

 

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Seminaristas no Seminário de Caparide

 

 

Ano Propedêutico

1º Ano

2º Ano

Total

Diocese de Lisboa

10

5

3

18

Outras dioceses

11

11

5

27

Total

21

16

8

45

 

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‘Semana dos Seminários’ convida à oração

A Igreja em Portugal celebra esta semana, entre os dias 6 e 13 de Novembro, a ‘Semana dos Seminários’. Uma iniciativa da Comissão Episcopal Vocações e Ministérios que tem como tema ‘Formar pastores consagrados totalmente a Deus e ao seu povo’. Para o vice-reitor do Seminário de Caparide, esta é uma semana importante não só para a Igreja como para os próprios seminários. “Para a Igreja tem uma importância grande, mas para os seminários também! O Papa quando falou aos seminaristas na Jornada Mundial da Juventude colocava como as duas primeiras dimensões da vida do seminário o silêncio interior e a oração constante. A nossa vida no seminário procura ser estruturada a partir disso: desse silêncio interior e de uma oração que se procura aprofundar”, aponta o padre Nuno Amador.

A ‘Semana dos Seminários’ convida igualmente todos os cristãos à oração pelos seminários, segundo refere este sacerdote. “Nesta semana, sabemos que não rezamos sozinhos! No seminário rezamos pela Igreja e rezamos em Igreja; a ‘Semana dos Seminários’ é a manifestação de que há muita gente, não só nesta semana mas ao longo do ano, a rezar pelos seminários e a partilhar a sua oração e os seus bens com os seminários”.

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