Missão |
Irmã Maria do Carmo Bogo, Comboniana
Na Eritreia, Etiópia ou Colômbia, caminhar de mãos dadas com Deus
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Nasceu em Lamego e vive em Lisboa. Pelo caminho, gravaram-se no seu coração de Missionária muitos povos e culturas. Viu sofrer e morrer muitas pessoas pela guerra e fome no Corno de África, acompanhou a vida difícil dos pobres da América Latina, mas sente-se feliz por ser Comboniana ao serviço do Evangelho da Justiça e da Paz. Os seus talentos de Poetisa, Escritora e Jornalista, empurram-na a imprimir em papel o que vive e os valores por que tem dedicado toda a sua vida.

 

De Lamego às Combonianas

Nasceu em Penedono (Diocese de Lamego) e é a mais nova de seis irmãos. Perdeu a Mãe aos 15 anos. A leitura da revista ‘Além-Mar’ rasgou-lhe novos horizontes para a sua vida. Conheceu S. Daniel Comboni e uma família missionária que defendia os mais pobres e abandonados de África. Ao ler um texto sobre o massacre de missionários na África Central, colocou a si própria a questão: ‘Será que eu posso substituir alguma dessas missionárias que já caíram? Pelo menos uma…’. Mas só aos 20 anos tomou a decisão de se fazer missionária para rumar em direcção a África. Assim entraria na Comunidade de Formação das Combonianas em Viseu, em 1969. Dali seguiria para Itália, onde professou em 1973… “passo após passo, rumo a Deus e à Missão”.

 

Terrores do Corno de África

Os horrores da fome e da violência no Corno de África gritaram pela irmã Carmo que, em 1978 partiu para a Eritreia, “um país pequeno que, naquele tempo, lutava ferozmente contra a Etiópia pela sua independência”.

Desde que chegou a África, a Irmã Carmo passou a ver com os próprios olhos o que antes via na TV ou nas revistas missionárias: “Os jovens obrigados a ir combater; as mulheres, dominadas pela miséria, se prostituíam aos militares ou a quem lhes pagasse uns miseráveis centavos; as crianças morriam de fome com a barriga inchada; os presos políticos, torturados gritavam durante a noite sem que ninguém os pudesse libertar das mãos dos seus algozes; a falta de liberdade e de movimento; a desconfiança no seio das famílias e até a traição entre pais e filhos… Meu Deus, mas que mundo é este!”.

A jovem missionária, recém-chegada da Europa, foi integrada no ‘Feeding Program’, um programa social da Diocese de Asmara para salvar da morte crianças esqueléticas e apoiar as mães, que viviam nas barracas das periferias da cidade. 

 

Da Etiópia à América Latina

Para agravar a situação, o regime comunista decidiu confiscar os bens da Igreja e obrigar os Missionários a abandonar o país. Mas houve quem não acatasse a decisão e ficasse por qualquer preço. A Irmã Carmo foi uma delas, fugindo, de aldeia em aldeia até ser localizada pelo exército. Teve de fugir para longe, indo parar às aldeias da Tribo Sidamo, bem no interior da Etiópia, onde o Governo não controlava, por causa dos acessos difíceis: “Este foi outro belo capítulo no caminho da missão, mas que durou pouco porque a minha saúde quebrou e tive de regressar à Europa. Tal situação abriu outro caminho de Missão, o da Animação Missionária pelos caminhos de Inglaterra, Dublin (Irlanda Sul), Belfast (Irlanda Norte), Glasgow (Escócia), a visitar escolas e colégios, a fim de formar e sensibilizar professores e alunos para a Missão”.

Roma, ao serviço da comunicação da sua Congregação, é a etapa seguinte de uma Missão sempre a recomeçar. De lá, seria enviada para a América Latina, com trabalhos no Equador (ao serviço da Emissora ‘Antena Livre’, na cidade de Esmeraldas), Peru (onde contraiu uma infecção pulmonar que a obrigou a regressar á Europa) e Colômbia: “Fundámos, em 2007, a primeira Missão entre os refugiados dos conflitos internos, na periferia de Bogotá”.

 

Missão em Lisboa

Portugal tornou-se terra de Missão para a Irmã Carmo, desde Abril passado. Actualmente vive em Lisboa, é responsável pelo órgão de informação da sua Congregação em Portugal, ‘Evangelizar hoje’, e prepara-se para trabalhar com os imigrantes das periferias de Lisboa.

Depois de um longo e vasto percurso missionário que a fez palmilhar milhares e milhares de quilómetros e partilhar a vida com povos tão especiais, a Irmã Carmo conclui: “Missões, afinal são todos os caminhos e recantos. A vocação missionária vai-se formando, transformando e alimentado ao longo da vida, rompendo as barreiras do próprio coração para vislumbrar a promessa fresca da chamada de Deus”.

 

 

PERFIL:

1948 – Nascimento em Penedono (Viseu) na Diocese de Lamego

1973 – Profissão Religiosa em Itália

1978 – Chegada à Eritreia

1984 – Missão na Etiópia com os Sidamo

1986 – Animação Missionária nas Ilhas Britânicas

2000 – Início de Missão na América Latina

2011 – Lisboa, direcção do ‘Evangelizar Hoje’

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