Domingo |
À Procura da Palavra
“Posso entrar?”

DOMINGO IV DO ADVENTO

 

Tendo entrado onde ela estava,

disse o anjo: ‘Ave, cheia de graça”

Lc 1, 28


Por mais que preparemos o Natal ou outra festa importante é importante dar espaço também à surpresa. Claro que é grande a tentação de ficar a olhar para trás e entrar no coro de vozes que dizem: “antes é que era bom” ou, “no meu tempo...” (como se este tempo não fosse também nosso e não tivéssemos responsabilidade sobre ele!). Gosto, nestes dias, de lembrar que um acontecimento “tão planeado” por Deus como a encarnação do seu Filho, acontece com a simplicidade e a surpresa (quiçá algum improviso ou “desenrascanço”, quase ao jeito “português”) que só a pobreza cheia de amor sabe resolver. Por isso, os natais passados podem deixar-nos lembranças felizes mas o deste ano é que conta.

O amor e o agir andam sempre juntos. Porque o amor torna-nos inventivos na arte de fazermos sentir a outro quanto o amamos. Também como David gostaríamos de fazer muitas coisas para Deus. Que a fé enchesse o coração de mais homens e mulheres, que a justiça triunfasse sobre as desigualdades e a pobreza, que a Igreja fosse ainda mais sinal da comunhão de Deus connosco, que cada um de nós praticasse mais o perdão e o diálogo. E, sem esquecer isto, talvez seja ocasião, como fez o profeta Natan, de lembrarmos o que Deus tem feito por nós! Há no musical “Um violino no telhado” um diálogo admirável de um casal, Tevye e Golde, em que a mulher, questionada pelo marido se ela o ama, recorda tudo o que lhe tem feito e dado, das calças lavadas ao comer de cada dia, das discussões às filhas que têm, e termina perguntando “se isto não é amor, então o que é?”. Somos muito pobres quando não valorizamos o que recebemos, e quando deixamos de agradecer.

Maria deixa Deus entrar na sua casa e na sua vida. Não contrapõe nenhum projecto pessoal ao projecto de Deus. Confia que o projecto familiar com José não é obstáculo ao desejo de Deus. Diz o “sim” mais belo que a humanidade pode dar a Deus. E, como dizia José Luís Martin Descalzo, “o anjo sorriu / como se acabasse de lhe ser tirado um peso de cima, / como se agora pudesse já atrever-se a regressar ao céu”. Natal acontece para relembrarmos tudo o que Deus tem feito por nós, como Maria recorda e sintetiza no seu “sim” a história de Israel. Estaremos dispostos a deixar que Deus entre de surpresa nas nossas vidas, mesmo que elas estejam um pouco desarrumadas? Que venha habitar connosco e nos proponha mudanças bem mais luminosas e felizes que todas as luzes de Natal ou a mais sumptuosa das catedrais? Queremos acolhê-lo dentro de nós ou deixá-lo do lado de fora das portas e janelas cheia de luzes, talvez quietinho no presépio, que depois será arrumado na despensa? Como vamos responder quando nos pedir: “Posso entrar?”

P. Vítor Gonçalves
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