Na Tua Palavra |
D. Nuno Brás
O Ivo
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Num dia deste Advento, a Paróquia de Nossa Senhora de Fátima, em Lisboa, foi para a rua numa ação de primeiro anúncio. Consistia, simplesmente, em entregar um desdobrável sobre o Natal a quem passava nos locais escolhidos, e convidar a deixar uma mensagem ou, simplesmente, a assinatura, num Presépio. A um dado momento, um dos voluntários apercebeu-se de que um jovem escrevia, com letras minúsculas, o seu nome: “Ivo”. Ousou perguntar-lhe o porquê daquele gesto. E o Ivo respondeu: “Não sou crente, mas apesar disso gostava de deixar o meu nome junto do Menino”.

O Ivo, muito possivelmente, faz parte daquele grupo que, não tendo ainda dado o passo da fé, não deixa de procurar o Deus que vem até nós – aquele Deus que nos atrai para si, e que inquieta o nosso coração até que O encontremos. Por si, achava que não tinha o direito de escrever o nome junto do Menino mas, mesmo assim, percebeu que, entre ele e Jesus existe uma relação mais forte que a sua descrença, uma relação que, afinal, não é garantida por ele mas por Aquele que nasceu no Presépio.

“Se um Deus se tivesse feito homem por mim, amá-lo-ia excluindo todos os outros, haveria entre Ele e eu algo assim como um laço de sangue, e não teria vida suficiente para demonstrar-lhe o meu agradecimento. Mas que Deus seria suficientemente louco para isso?” – perguntava Barioná, o personagem central da peça de teatro escrita por Jean-Paul Sartre, quando, prisioneiro em Tréveris, na Alemanha, no Natal de 1940, procurou criar, por sugestão de sacerdotes católicos, também eles prisioneiros, o espírito do Natal entre os encarcerados.

“Que Deus seria suficientemente louco para isso?” Para a nossa razão, considerar o Mistério do Natal, o acontecimento deste Deus que se faz homem por causa de cada ser humano – crente ou não – constitui uma verdadeira loucura, realidade inexplicável, demasiado grande para a podermos compreender mas, simultaneamente, demasiado atraente para lhe podermos passar simplesmente ao lado, sem nos sentirmos, minimamente, atraídos por ela.

É a loucura do amor de Deus que nos atrai. Não uma loucura impessoal e abstrata, mas a grandeza do amor de Deus por cada um de nós em concreto – é isso que nos atrai no Presépio, e que faz do Natal a celebração mais universal de todas as que o ser humano vive ao longo da sua existência. Mesmo sem fé ou sem a capacidade de a expressar ou de a assumir, o facto é que o Natal nos ultrapassa e, ao mesmo tempo, quase nos obriga a celebrá-lo.

E se isso acontece mesmo com os que não acreditam, que acontecerá connosco, aqueles que vivemos, conscientemente, este encontro?

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