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O encontro anual dos agentes no acolhimento a pais e padrinhos que pedem o sacramento do baptismo é sempre um momento alto na aproximação à formação e partilha de boas práticas, no espírito da Nova Evangelização. Há que vencer as barreiras do isolamento e dar um passo em frente na abordagem com alegria e confiança, que seja anúncio da nossa fé.

Há que estar mais atentos às necessidades dos que nos rodeiam e a isso nos desafiam as Catequeses Preparatórias para o VII Encontro Mundial das Famílias, cujas sessões de dinamização estão em curso. 

 

A Espiritualidade no Testemunho

Realizou-se no passado domingo, 8 de Janeiro, o encontro anual do CPB – Centros de Preparação para o Baptismo de crianças. Organizado pelo Sector da Pastoral Familiar da Diocese de Lisboa, este encontro reuniu cerca de uma centena de pessoas que se empenham no acolhimento a pais e padrinhos, com a preparação para o sacramento do baptismo que eles vêm pedir à Igreja.

O tema deste encontro foi O acolhimento espiritual. Não se precipite o leitor supondo que se falou de direcção espiritual. Pelo contrário, o tema foi abordado pelo cónego Carlos Paes na óptica de que cada baptizado ou não cristão, pode beneficiar do testemunho, exemplo ou partilha que são oferecidos pelos casais que fazem este acolhimento. Eles são a primeira impressão que a Igreja dá a quem pisa estes terrenos pela primeira vez, ou já não tem memória de os ter percorrido.

Nesta abordagem foi dada uma tónica especial à forma como acolhemos, porque em pastoral nunca pode haver um não. O nosso testemunho deve apontar sempre novos caminhos, foi ali referido, assumindo-se que a família é o espaço humano do encontro com Cristo. Assim, todos os agentes desta pastoral tornam-se implicitamente famílias evangelizadoras, já que a família vive essencialmente do exemplo e da partilha. Por isso, o que é necessário é que nos desinstalemos e que cada um se ponha a caminho, para que “a estrela” brilhe no outro.

Foram, inclusivamente, apontados alguns casos de pessoas que se sentiram tocadas pelo testemunho de famílias acolhedoras e essas interpelações acabaram por dar fruto, pela transformação da atitude ou maneira de estar no mundo.

O cónego Carlos Paes citou ainda algumas palavras do discurso de Bento XVI ao Conselho Pontifício da Família: “Os cônjuges não só recebem o amor de Cristo convertendo-se numa comunidade salva, mas também estão vocacionados para transmitir aos irmãos esse mesmo amor de Cristo, fazendo-se comunidade salvadora.”

Esta reflexão, ao estilo de uma Nova Evangelização, mereceu o interesse de toda a assembleia que se identificou com a missão a desenvolver em cada encontro com outras famílias.


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VII Encontro Mundial das Famílias (III)

As Catequeses Preparatórias do VII Encontro Mundial das Famílias, se forem bem trabalhadas em família e pelas comunidades paroquiais, dão uma sensibilidade acrescida à relação do homem com o que o rodeia e valorizam a sua presença no mundo.

Na terceira catequese – A Família vive a provação – há duas questões que não podem passar despercebidas. Para o casal: “Como pode crescer a nossa união conjugal, no cansaço e na esperança, diante das situações de dificuldade e de sofrimento?” Para o grupo familiar ou para uma reflexão na paróquia, a questão é mais generalista: “Como podemos ajudar a nossa comunidade a fortalecer a esperança no futuro?”

Sabemos que em todos os tempos a Vida de Família é posta à prova: cansaço, desilusão, doença ou solidão. Ora para nos fortalecermos para procurar vencer estas adversidades é necessário ter sabedoria, discernimento e esperança, porque o sofrimento, o limite e a falência fazem parte da nossa condição humana, mas isso não significa que estamos destinados a sucumbir. Pelo contrário, a nossa força vem da confiança na presença benévola de Deus, que sabe renovar todas as coisas.

Esta terceira catequese apresenta uma comparação interessante da nossa fragilidade e insegurança nos dias de hoje, com a narração da fuga para o Egipto. É uma “alusão a uma vicissitude mais universal, que diz respeito a todas as famílias: a necessidade de empreender a viagem que conduza os pais rumo à sua maturidade, e os filhos para a idade adulta, na consciência da sua própria vocação.” Trata-se da viagem da construção da família, na qual é preciso saber «ouvir os anjos», discernir espiritualmente os acontecimentos e os momentos da nossa vida familiar.

Na medida em que mantivermos com confiança o ouvido atento à Palavra do Senhor, torna-se possível viver em todas as situações sem desespero, nem resignação. “José está acordado, é capaz de enfrentar os acontecimentos e proteger a vida da mãe e do menino; mas ele age também na consciência de que é assistido pela salvaguarda eficaz de Deus.”

A Família anima a sociedade – é o tema da quarta catequese, que é desenvolvida à luz do cap. 5 do Evangelho de Mateus: “Eu porém, digo-vos: amai os vossos inimigos e orai por aqueles que vos perseguem (...)”. A reflexão desta catequese leva-nos até Jesus que “convida a superar uma visão egoísta dos vínculos familiares e sociais, a ampliar os afectos para além do círculo limitado da própria família”, a fim de nos tornemos fermento de justiça para a vida social.

Quando se diz que a família anima a sociedade pretende-se dar evidência à importância da aprendizagem ao vínculo com os outros. O que torna vital a família é a abertura dos vínculos e a extensão dos afectos que, diversamente, encerram as pessoas em prisões mortificadoras!

Toda esta catequese nos leva à reflexão de que a família é a primeira escola de afectos, o berço da vida humana, onde o mal pode ser enfrentado e superado, porque Jesus quer libertar o casal e a família da tentação de se fecharem em si mesmos. Está aqui uma bela reflexão de como Jesus nos ensina a sermos filhos à semelhança do Pai: “Ele subtrai-nos do sono da resignação e do egoísmo e, vigorosamente, diz-nos que amar o inimigo e rezar por quantos nos perseguem estão ao nosso alcance.”

Nada mais necessário e actual nos dias de hoje!


Próximas Sessões de Dinamização das Catequeses Preparatórias do VII Encontro Mundial das Famílias: 14Jan. Rio de Mouro; 15Jan. Luz-Carnide; 22Jan. Torres Vedras; 29 Jan. Caldas da Rainha

 

 

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Catequese doméstica: Crer em Jesus Cristo, Salvador

 

“Dois cegos gritavam ‘Filho de David, tem misericórdia de nós!’

(...) Então tocou-lhes nos olhos dizendo:

‘Seja-vos feito segundo a vossa fé.’ E os olhos abriram-se-lhes.” (Mt 9, 27-30)

 

Jesus, verdadeiramente Deus, verdadeiramente homem, manifesta o poder de Deus Pai não só pela Palavra, mas em situações muito concretas como as curas em tantos que se abeiravam d’Ele, com a certeza de que a transformação pessoal só é alcançada por Jesus.

É fácil imaginar como as pessoas se sentiriam profundamente tocadas pelo seu poder salvador. Reparemos na forma como Jesus intercedia por cada um: Jesus tratava as pessoas como perdoadas de forma incondicional, como não sendo já nem culpadas, nem pecadoras. E sobre os que estavam a ser vítimas de acusação, Ele exercia um poderoso efeito de cura.

“Os teus pecados estão perdoados”, disse Ele à mulher. “A tua fé te curou. Vai em paz.” (cf. Lc 7, 48.50). Jesus assumia publicamente que as curas eram resultado da fé de cada um. E este ensinamento é para cada um de nós hoje. A fé é um tipo particular de consciência: a consciência de Deus, ou do divino que nos ama e se preocupa connosco. É por isso que a fé a que Jesus se refere inclui a confiança. Jesus conseguia fazer aquilo que fazia porque punha toda a sua confiança em Deus, e hoje a vida de cada um de nós será transformada quando aprendermos a fazer o mesmo.

A fé a que Jesus se refere significa confiar que Deus fará o que for melhor, que pode não ser aquilo que cada um deseja. A verdadeira fé implica que se reze para que a vontade de Deus seja feita, assim como Jesus confiava em Deus Pai sem hesitações nem reservas, podendo portanto desafiar os outros - e a nós hoje - a confiarmos.

Toda a acção salvadora de Jesus assenta em mostrar-nos que não somos órfãos, que nunca estamos órfãos, nem perdidos, nem abandonados às nossas forças e aos condicionalismos da nossa finitude e deste mundo que habitamos.

A Palavra de Deus que se fez homem impele-nos ainda a transformar em confiança a angústia que habita no mais fundo de cada um. O episódio da pecadora culmina nas palavras libertadoras do Senhor: “são-lhe perdoados os seus muitos pecados, porque muito amou.” (Lc 7, 47). E ainda, depois de se ter auto-convidado para a casa do rico publicano Zaqueu, Jesus exclama em tom de festa: “Hoje veio a salvação a esta casa (...) pois o Filho do Homem veio procurar e salvar o que estava perdido” (Lc 19, 9 – 10).

Fortalecidos pela fé, Jesus anima-nos, dá-nos forças e faz-nos acreditar que o impossível pode acontecer. Por conseguinte, levante-se cada um de nós: caminhemos com fé, porque a salvação é-nos oferecida para nos transformar e assim, no testemunho, sejamos também portadores de esperança para os outros.

texto pelo Sector da Pastoral Familiar
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