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Recordar o Padre Werenfried van Straaten, fundador da Fundação AIS
O mendigo de Deus
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No final da II Guerra Mundial, quando ainda quase todos estavam toldados pelo ódio, um jovem padre resolveu pedir ajuda para os antigos inimigos que morriam de fome e de frio. Contra toda a probabilidade, teve sucesso. Foi assim que nasceu a Fundação AIS, uma história de amor inspirada também em Nossa Senhora de Fátima e que hoje tem como missão apoiar os cristãos onde são perseguidos por causa da sua fé.

 

Considerava-se a si próprio um mendigo de Deus. Passou praticamente toda a sua vida de mão estendida, pedindo pelos mais fracos, pelos marginalizados, pelos perseguidos, inquietando consciências. Fundou a Fundação AIS nos escombros da II Guerra Mundial, salvando milhões de alemães que morriam de fome, de frio, que vagueavam perdidos pela Europa. Essa foi a sua primeira vitória: convencer os seus concidadãos a vencerem o ódio pelo inimigo, a verem naqueles homens e mulheres não o opressor de ontem, mas apenas o ser humano em dificuldade que precisa de ajuda.

 

Padre toucinho

Pouco havia para dar, mas o impossível era uma palavra proibida no vocabulário do Padre Werenfried. O seu velho chapéu coçado, que rapidamente se transformou numa espécie de imagem de marca, foi recolhendo de aldeia em aldeia o que sobrava do pouco que havia. E assim, dividindo-se por todos, foi possível salvar milhões e o Padre Werenfried van Straaten passou a ser alcunhado de “Padre toucinho”. Se a Europa esqueceu depressa o ódio semeado durante os anos da guerra, muito o deve ao trabalho deste sacerdote que nasceu a 17 de Janeiro de 1913, em Mijdrecht, na Holanda.

 

Cortina de Ferro

Os ventos da História ditaram que o mundo se dividisse então em dois blocos antagónicos, iniciando-se no final da II Grande Guerra Mundial, um tempo de provação para os cristãos que ficaram do lado de lá da chamada Cortina de Ferro. O apoio aos perseguidos e discriminados por causa da sua fé na Europa de Leste passou a ser então uma prioridade para o Padre Werenfried.

 

Carisma da Fundação AIS

Esse compromisso, dirigido aos cristãos vítimas da intolerância religiosa em todo o mundo, é parte essencial do carisma da Fundação AIS. Hoje, a Fundação tem 17 secretariados nacionais – na Europa (um deles é o de Portugal), América do Norte, América do Sul e Austrália – e todos os anos financia cerca de cinco mil projectos de apoio ao trabalho pastoral da Igreja em todo o mundo, e que se materializa no auxílio aos seminaristas, na construção ou manutenção de igrejas, capelas e conventos, na formação de noviços, e ainda no fornecimento de meios de transporte e de subsistência.

 

Um santo do nosso tempo

O Padre Werenfried van Straaten foi um homem invulgar, um santo do nosso tempo, um verdadeiro gigante da caridade. Hoje, não é possível olharmos para a própria história recente do mundo, especialmente para o desmoronar dos regimes ateístas do Leste europeu, sem sentirmos também aí o trabalho persistente, corajoso e silencioso deste padre que nunca deixou de apoiar a igreja necessitada, privada de meios de subsistência e de liberdade, mas que nunca renunciou a si própria.

 

Mensagem de Fátima

Inspirado na mensagem de Fátima, que prenunciava a conversão da Rússia, o Padre Werenfried não descansou no apoio aos irmãos ortodoxos e a todos os que se viram oprimidos por causa da fé. O fundador da Fundação AIS e o Papa João Paulo II foram cúmplices nesse trabalho de luta pela liberdade religiosa que hoje, infelizmente, se estende por praticamente todos os cantos do planeta.

 

Números arrepiantes

No ano passado, um estudo da Organização para a Segurança e a Cooperação na Europa (OSCE) para a luta contra a intolerância e a discriminação religiosa, concluiu que todos os anos cerca de 105 mil cristãos são assassinados por motivos religiosos. Os números são arrepiantes: em cada cinco minutos um cristão é assassinado apenas por isso. Por causa da sua fé. Infelizmente, o mundo hoje não é mais tolerante do que no final da II Guerra Mundial, quando o Padre Werenfried estendia o seu chapéu recolhendo os alimentos que iriam saciar os milhões de alemães famintos que vagueavam pelas ruas da Europa em ruínas.

 

Uma luta sem tréguas

No final do ano passado, a Fundação AIS foi elevada ao estatuto de “Fundação Pontifícia” pelo Papa Bento XVI, o que atesta bem a responsabilidade e importância da semente lançada ao mundo pelo Padre Werenfried van Straaten. Todos os dias, milhares de pessoas choram os seus entes queridos assassinados ou presos, ou que estão desaparecidos, ou que foram torturados e mortos apenas por serem cristãos. Apenas por isso. Há um mapa da vergonha no mundo e nesse mapa há países, locais, onde ter uma Bíblia é proibido, onde rezar a Deus é crime. É por causa dos cristãos destes países que a Fundação AIS existe. A lista, infelizmente, parece não ter fim…Coreia do Norte, China, Iraque, Egipto, Paquistão, Nigéria, Sudão, Afeganistão, Arábia Saudita, Somália, Irão, Índia, Síria…

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