Especiais |
Iniciar o ano com esperança, não com violência
Esperança para redesenhar o caminho
<<
1/
>>
Imagem

O Papa recebeu no Vaticano o corpo diplomático e dirigiu palavras de esperança aos povos ali representados, dizendo: “Não devemos desanimar, mas redesenhar decididamente o nosso caminho com novas formas de compromisso. A crise pode e deve ser um incentivo para meditar sobre a existência humana e a importância da sua dimensão ética, antes mesmo de reflectir sobre os mecanismos que governam a vida económica.”


A dignidade como ponto de partida

O discurso do crente não pode ser outro senão o da esperança. Na sua dignidade se fundamenta a confiança na vida e também a responsabilidade perante si e perante os outros, com a consciência de que tem nas mãos a construção do seu projeto de vida. Contrasta esta atitude com tantas outras que, em vez de ajudarem a superar a crise, mais a complicam. Regista-se, a título exemplificativo, a notícia de que o Sporting decorou o corredor das equipas visitantes com fotos de adeptos em poses agressivas: imagens de uma subcultura de violência gratuita, que nada têm a ver com o desporto. De certa maneira isso é fruto da substituição do desporto pelo negócio, facilitada pela opção por grandes obras também neste sector; depois, como na história dos estádios, ficamos com elefantes brancos nas mãos, não servindo ninguém e sobrecarregando todos com os encargos da manutenção. Tal mentalidade mesquinha parece pairar sobre as organizações que tutelam os grupos, no seio dos quais se aninham em grande parte os promotores da violência nos estádios. Num desporto de força e de proximidade física é normal que surja alguma violência. É grave quando essa é programada e alimentada por arruaceiros, escudados ou não na sua ligação a claques. Igualmente grave é a pouca determinação de quem de direito em travar essa conduta. Algumas vezes aplicam sanções que penalizam os prevaricadores. Mas também neste campo parece que o crime compensa. Lemos num jornal do passado dia 18 que decorre o processo relativo à orçamentação das obras de reparação dos danos provocados no Estádio da Luz pelos adeptos do Sporting no dia 26 de Novembro; tem agora a sua capacidade reduzida em 200 lugares e a reparação não ficará por menos de 500 mil euros. Isto em tempo de apertar o cinto. O espetáculo, a cor, a alegria, a harmonia de toda a mole humana em coreografia, esvaem-se quando a violência, a vandalização, a ausência de regras tomam conta da situação.  A beleza e o efeito retemperador do espetáculo ficam desfeitos e a sua negação espalha-se às vezes por dezenas ou centenas de quilómetros, como quando os tais grupos param nas estações de serviço provocando vandalização e caos.

Este tipo de comportamento não caiu do céu. A partir da década de 60 das Ilhas britânicas chegaram-nos notícias daquilo que começou a ser conhecido como hooliganismo no futebol. A tragédia do Estádio de Heysel, na capital belga, durante a final da Taça dos Campeões Europeus de 1985, com os seus 38 mortos e um número indeterminado de feridos levou à responsabilização dos hooligans ingleses, mas deixou-nos perante um fenómeno que as autoridades nem sempre controlam de forma a fazer do futebol uma oportunidade de humanização e não de alienação.

 

A educação é um compromisso para a vida

Quando as condições de vida se tornam cada vez mais penosas, o pequeno gesto de violência pode ser um rastilho para um incêndio de grandes proporções. Aqui tem profundo sentido a afirmação do Papa ao falar em “redesenhar o caminho”. A par dos sofrimentos que a crise provoca, ela tem em si a alavanca para novas possibilidades. Mas há que saber encontrar o caminho. A sua mensagem para o 45º Dia Mundial da Paz apontava para “educar os jovens para a justiça e a paz”, com a convicção de que só por aí se caminha para a vida com sentido. Por isso, também no futebol, não se pode, por insensatez, dar cabo do melhor que ele tem como espaço de encontro e descontração. E o mau exemplo no desporto pode abrir caminho para comportamentos que em nada ajudam a superar a crise.

texto pelo P. Valentim Gonçalves, CJP-CIRP
Na Tua Palavra
Não nos separemos d’Ele!
por D. Nuno Brás
A OPINIÃO DE
P. Gonçalo Portocarrero de Almada
Outubro ficará na história da Igreja em Portugal por dois principais motivos: a entrada, para o colégio cardinalício, de D.
ver [+]

Guilherme d'Oliveira Martins
Se houve nas últimas décadas uma cristã militante social da maior relevância, exemplo do compromisso...
ver [+]

Visite a página online
do Patriarcado de Lisboa
Galeria de Vídeos
Voz da Verdade
EDIÇÕES ANTERIORES