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O silêncio é precioso
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“Quando palavra e silêncio se excluem mutuamente, a comunicação deteriora-se”, considerou o Papa na Mensagem para o Dia Mundial das Comunicações Sociais. Na semana em que terminou o Oitavário de Oração pela Unidades dos Cristãos, Bento XVI falou ainda dos jovens e o Vaticano aprovou os estatutos do Caminho Neocatecumenal.

 

1. A mensagem do Papa para o Dia Mundial das Comunicações Sociais faz o elogio do silêncio enquanto factor crucial e, muitas vezes, esquecido para a verdadeira comunicação. O texto de Bento XVI para 20 de Maio, Domingo da Ascensão, foi divulgado pelo Vaticano no passado dia 24 de Janeiro, dia de São Francisco de Sales, padroeiro dos jornalistas.

O silêncio e a palavra devem equilibrar-se entre si, explica Bento XVI: “Quando palavra e silêncio se excluem mutuamente, a comunicação deteriora-se, porque provoca um certo aturdimento ou, no caso contrário, cria um clima de indiferença; quando, porém, se integram reciprocamente, a comunicação ganha valor e significado”. O Papa sublinha ainda o papel do silêncio “para favorecer o discernimento”. Bento XVI refere que, perante tantos estímulos, é necessário “focalizar as perguntas verdadeiramente importantes”. “Nos nossos dias, a Rede vai-se tornando cada vez mais o lugar das perguntas e das respostas; mais, o homem de hoje vê-se, frequentemente, bombardeado por respostas a questões que nunca se pôs e a necessidades que não sente. O silêncio é precioso para favorecer o necessário discernimento entre os inúmeros estímulos e as muitas respostas que recebemos, justamente para identificar e focalizar as perguntas verdadeiramente importantes”, pode ler-se na mensagem do Papa.

Neste quadro, Bento XVI sublinha que se torna necessário ao Homem encontrar espaços, mesmo nessas redes sociais, onde haja lugar para a reflexão, a oração e o silêncio.

O Papa identifica nesta insistente procura de respostas a “inquietação do ser humano, sempre à procura de verdades” e, por isso, diz que não nos devemos surpreender com o facto de, “nas diversas tradições religiosas, a solidão e o silêncio” constituírem “espaços privilegiados para ajudar as pessoas a encontrar-se a si mesmas e àquela Verdade que dá sentido a todas as coisas”.

A mensagem termina falando da importância de se educar correctamente na comunicação: “Educar-se em comunicação quer dizer aprender a escutar, a contemplar, para além de falar; e isto é particularmente importante paras os agentes da evangelização: silêncio e palavra são ambos elementos essenciais e integrantes da acção comunicativa da Igreja para um renovado anúncio de Jesus Cristo no mundo contemporâneo”.

 

2. Terminou a Semana de Oração pela Unidades dos Cristãos, com o Papa a recordar que a Igreja recebe de Cristo a sua unidade. “A chamada «Oração Sacerdotal» de Jesus na Última Ceia é inseparável do seu Sacrifício, no qual Se consagra inteiramente ao Pai. Sacerdote e vítima, Cristo reza por Si mesmo, pelos Apóstolos e pela Igreja de todos os tempos. Para Si próprio, pede uma obediência total ao Pai, que O conduza à plena condição filial. Para os Apóstolos, pede a consagração na verdade, para continuarem a missão d’Ele; para isso, devem ser consagrados, isto é, segregados do mundo, colocando-se à disposição de Deus para a missão que lhes está reservada, e, deste modo, postos à disposição de todos. Finalmente Jesus estende o olhar até ao fim dos tempos e reza pela Igreja, pedindo a unidade de todos os cristãos: «Que eles sejam todos um, como Tu, Pai, o és em Mim e Eu em Ti» (Jo 17, 21). Assim a Igreja continua a missão de Cristo: conduzir o mundo para fora do pecado, que aliena o homem de Deus e de si mesmo, para que volte a ser o mundo de Deus”, salientou Bento XVI, durante a audiência-geral da passada quarta-feira, dia 25.

 

3. Depois da recitação do Angelus, no passado Domingo, o Papa enviou uma saudação aos povos do Extremo Oriente, na Ásia, que celebram nestes dias o início do novo ano lunar, lembrando que os jovens são a esperança do mundo. “Na actual situação de crise socioeconómica, desejo a todos esses povos que o ano novo seja marcado pela justiça e paz, traga alívio aos que sofrem e que, especialmente os jovens, com o seu entusiasmo, possam oferecer esperança ao mundo”, disse Bento XVI, na Praça de São Pedro.

 

4. O Vaticano aprovou os estatutos e liturgia do Caminho Neocatecumenal. Bento XVI recebeu em audiência os responsáveis e membros deste movimento católico criado em 1964 pelos espanhóis Kiko Arguello e Carmen Hernandez. Com parecer positivo da Congregação para a Doutrina da Fé e da Congregação para o Culto Divino e Disciplina dos Sacramentos, o Caminho Neocatecumenal vê agora aprovadas as suas catequeses e as celebrações com liturgia própria que lhes são inerentes.

A reacção do seu fundador, Kiko Arguello, não se fez esperar. “Temos visto a força destas celebrações… Pois estas celebrações – tal como Deus nos inspirou a construí-las ao longo de todo este percurso – hoje, após 40 anos, são aprovadas pela Santa Igreja!”.

O Caminho Neocatecumenal é composto por comunidades autónomas. Cada comunidade tem entre 20 e 50 pessoas e estima-se que existam em todo o mundo cerca de 41 mil comunidades. Em Portugal o número é cerca de 300.

Para além destes grupos há também seminários onde formam os seus sacerdotes. Em Portugal existem dois seminários neocatecumenais, um em Lisboa e outro no Porto.

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