Lisboa |
Colégio de Santa Doroteia celebra 75 anos
Uma educação assente na simplicidade, no serviço e no espírito de família
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É um colégio católico situado em Lisboa, com mais de 800 alunos, que tem um projecto educativo assente na simplicidade, no serviço e no espírito de família. O Colégio de Santa Doroteia celebra 75 anos de vida e abriu as portas ao Jornal VOZ DA VERDADE para uma ‘viagem’ pela educação integral do aluno.

 

“O colégio de hoje nada tem de semelhança com o colégio que foi inaugurado em 1937. Mas desde o início houve uma grande preocupação em projectar os alunos para ‘fora’. A preocupação com a educação integral, de preparar os alunos para a vida, está presente desde o início desta instituição”. Na comemoração dos 75 anos do Colégio de Santa Doroteia, em Lisboa, a directora desta escola católica, irmã Maria da Conceição da Rocha Amorim, aponta ao Jornal VOZ DA VERDADE que o grande desafio foi sempre integrar os alunos na sociedade. “A fundadora da nossa congregação, Santa Paula Frassinetti, dizia que ‘educar bem é transformar o mundo’. E para transformar o mundo tem de se viver dentro dele e tem de se o conhecer bem! Os alunos têm de compreender que têm um papel importante na transformação deste mundo. E aquilo que lhes cabe, não pode ficar por fazer!”, assinala a irmã directora.

 

Educação evangelizadora

A história do Colégio de Santa Doroteia começa em Junho de 1935, com a compra da Quinta das Calvanas, em Lisboa, pela madre Monfalim, na época provincial das Irmãs Doroteias. Foi então transferido para estas novas instalações o Colégio da Pena, que estava situado em Sintra. “O Colégio de Santa Doroteia foi inaugurado no dia de Santa Doroteia, em 6 de Fevereiro de 1937. Começou com as 134 alunas internas!”, conta a actual directora, sublinhando que a aposta na educação faz parte do carisma das Irmãs Doroteias: “O nosso carisma é a educação, a educação evangelizadora! Atender à juventude foi a grande preocupação de Santa Paula Frassinetti”.

Directora desde 1978 – apenas com um interregno entre 1986 e 1991, anos em que foi secretária da provincial – a irmã Amorim está presente no Colégio de Santa Doroteia desde 1974. “Metade da minha vida foi passada neste colégio! Sempre dedicada à educação. Aliás, a minha vocação de professora e de educadora precedeu a de doroteia”, brinca a irmã Amorim.

Sendo uma escola católica, o Colégio de Santa Doroteia, em Lisboa, educa as crianças e adolescentes com base nos valores cristãos. “Procuramos educar cristãmente os alunos. Como qualquer escola católica, procuramos uma educação integral da pessoa: intelectual, religiosa, humana, física. Santa Paula dizia que a educação tinha de ser assente em bases sólidas, pela via do coração e do amor”, salienta a irmã Amorim. No entender desta responsável, o Colégio de Santa Doroteia distingue-se pelo projecto educativo assente em três factores: educação na simplicidade, o espírito de família e o espírito de serviço. “Damos muita importância à simplicidade, que hoje poderíamos chamar de autenticidade de vida, sobriedade de vida. Aliás, o logótipo do colégio tem inscrita a expressão ‘Em simplicidade trabalhar’. Por outro lado, focamos muito o espírito de família. Procuramos educar na relação para a relação e isto é algo de que os alunos se dão conta, porque quando mudavam de escola muitos comentavam que sentiam falta desse sentimento de família que há no colégio. Finalmente, o espírito de serviço, a preocupação de servir os outros e não de ser servido”, explica a irmã Amorim.

 

Valores cristãos transformam a sociedade

Poderão os colégios católicos transformar a sociedade a partir dos valores do Evangelho? A directora do Colégio de Santa Doroteia acredita que sim e diz que este tempo de crise poderá ajudar nesta missão: “Eu acredito que sim, que é possível transformar a sociedade a partir dos valores do Evangelho! Pelo menos temos de tentar, porque a nós, cristãos, não há nada nem ninguém que nos possa dispensar dessa tarefa. É muito curioso que as pessoas por um lado rejeitam, mas por outro têm fome e sede daquilo que lhes podemos transmitir. E este tempo de crise que vivemos é particularmente propício a que os valores do Evangelho façam sentido e consigam contagiar e entusiasmar as pessoas”, assinala a irmã Amorim.

O Colégio de Santa Doroteia, em Lisboa, desenvolve, segundo a ‘oferta educativa’, “uma formação humana e cristã, sustentada por experiências de fé fortes e significativas”. E são várias as expressões concretas destas experiências, segundo conta a irmã directora: “Procuramos proporcionar momentos de vivência de fé. Diariamente, temos o momento de oração da manhã, com o professor da primeira disciplina, que é preparado semanalmente por uma turma para todo o colégio. Às sextas-feiras temos a Eucaristia onde os alunos podem participar. Esta celebração decorre durante o intervalo e é também preparada por uma turma diferente todas as semanas, em colaboração com o professor de Religião”. Para o 9º e 12º anos, por serem anos terminais de ciclo, o colégio organiza ainda as manhãs de reflexão, “orientadas normalmente por alguém exterior ao colégio”. Os chamados “tempos litúrgicos fortes”, como o Advento e a Quaresma, são também “intensamente vividos no Colégio de Santa Doroteia, com uma temática própria”. Neste sentido, “no Natal e na Páscoa a Eucaristia é obrigatória para todos os alunos”.

Segundo a directora deste colégio católico, os pais têm também um papel fundamental na educação dos alunos. Para promover uma maior intervenção dos encarregados de educação, o Colégio de Santa Doroteia proporciona uma actividade chamada ‘Hoje é Domingo com…’.

Ao nível de experiências religiosas, esta escola proporciona ainda a prática dos sacramentos. “Temos catequese organizada para os sacramentos de iniciação cristã, porque há alunos que aparecem sem serem baptizados, outros que não fizeram a Primeira Comunhão”.

 

Alunos a reflectir

O Colégio de Santa Doroteia tem actualmente 32 turmas, leccionando o 2º e 3º ciclos do Ensino Básico e o Ensino Secundário. Alunos, este ano, são cerca de 830, para 90 professores e 60 não docentes. “Irmãs a trabalhar no colégio são actualmente muito poucas. Não quer dizer que não estejam na comunidade, porque há uma irmã na cozinha, há outra religiosa com 87 anos de idade, de ténis calçados e apito na boca no pavilhão do colégio, e há ainda uma que é a encarregada da manutenção da casa… enquanto a dar aulas estão quatro irmãs”, refere a irmã directora.

Como escola católica que é, a frequência na disciplina de Educação Moral e Religiosa Católica (EMRC) no Colégio de Santa Doroteia é obrigatória. Filipe Emídio, de 27 anos, é docente desta disciplina e tem ao seu cuidado mais de 300 alunos, de 12 turmas. “No colégio era impensável não existir e não ser obrigatória a frequência em EMRC. A razão da disciplina não se prende em transmitir ensinamentos religiosos, do género catequéticos. Esta cadeira tem de ser um espaço onde é proposto aos alunos uma reflexão sobre vários temas. Isto acontece mais facilmente no Ensino Secundário, porque nos outros ciclos estamos mais ‘presos’ aos livros. Por isso, o fundamento da EMRC é oferecer um espaço onde os alunos pensem sobre determinado assunto”, salienta. Filipe dá aulas a cinco turmas do 3º Ciclo e a sete do Secundário. Se no 2º e 3º ciclo o colégio acompanha os manuais propostos pela Conferência Episcopal, no Ensino Secundário “há a preocupação de adaptar e inovar” os temas programados. O objectivo é colocar os alunos a reflectir. “Há muitas disciplinas em que os alunos decoram e debitam conteúdos. Em EMRC, a preocupação é que eles pensem!”. Para este jovem professor, que é também paroquiano da paróquia de Nossa Senhora do Amparo de Benfica, onde colabora com a juventude, o colégio aproveita também as aulas de EMRC “para momentos de oração”.

Antigo aluno deste colégio, Filipe Emídio tem ainda a seu cargo, juntamente com a irmã Alice, a preparação dos alunos para o sacramento do Crisma e para a Profissão de Fé. “Do 5º ao 9º ano os alunos podem estar em grupos de reflexão, depois no 9º há essa proposta mais concreta da Profissão de Fé e no Ensino Secundário o Crisma”, aponta este docente, referindo que “o colégio proporciona ainda formação aos alunos que queiram ser acólitos”.

Na sua missão educativa, Filipe Emídio acredita que o importante é cuidar da pessoa. “A EMRC é uma disciplina onde o professor pode ter uma relação mais próxima com os alunos. Não há tanto a questão da avaliação, de ver se o aluno tem boas notas, e também por isso é possível chegar aos alunos de outra forma e apostar na educação integral!”.

 

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Programa dos 75 anos

Durante este mês de Fevereiro, o Colégio de Santa Doroteia, em Lisboa, assinala 75 anos de fundação. As comemorações têm início dia 6, dia de Santa Doroteia e dia do colégio, com a celebração da Eucaristia dedicada especialmente a alunos e trabalhadores actuais, a que se segue a sessão de abertura dos 75 anos. De 7 a 10 de Fevereiro, haverá conferências, exposições, painéis com convidados e momentos de oração. Finalmente, no dia 12 deste mês haverá nova celebração eucarística, transmitida pela TVI e dedicada especialmente a antigos alunos e trabalhadores. A Eucaristia é seguida de momentos de convívio e visita ao colégio.

“Os 75 anos são uma data que nos faz pegar a história na mão e realmente ver que tanta coisa se construiu, tantas gerações passaram por aqui. Ver que alguma semente ficou, porque sentimos as pessoas muito entusiasmadas com estas comemorações. A celebração dos 75 anos é uma responsabilidade e um apelo”, aponta a directora do colégio, irmã Amorim.

texto por Diogo Paiva Brandão; fotos por Colégio de Santa Doroteia e DPB
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