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A uma janela de Roma
A renovação da fé é prioritária para a Igreja
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O Papa falou esta semana sobre o maior desafio para a Igreja de hoje. Foi ainda anunciado o programa da viagem papal ao México e a Cuba e Bento XVI falou da lepra. A administração financeira do Vaticano esteve também em destaque, além da unidade dos cristãos.

 

1. Num encontro com a Congregação para a Doutrina da Fé, o Papa garantiu que a renovação da fé é prioritária para a Igreja. “Como sabemos, em vastas zonas da terra a fé corre o perigo de se apagar como uma chama que já não tem alimento. Estamos diante de uma profunda crise de fé, de uma perda do sentido religioso, que constitui o maior desafio para a Igreja de hoje. A renovação da fé deve, portanto, ser a prioridade do compromisso da Igreja inteira nos nossos dias”, sublinhou Bento XVI, no passado dia 27 de Janeiro.

Congratulando-se com a colaboração em curso entre esta congregação o novo Conselho Pontifício para a Promoção da Nova Evangelização na preparação do Ano da Fé, o Papa recordou que se trata de um momento propício para propor de novo a todos o dom da fé em Cristo, o ensinamento do Concílio Vaticano II e a síntese doutrinal oferecida pelo Catecismo da Igreja Católica: “Desejo que o Ano da Fé possa contribuir, com a colaboração cordial de todos os membros do Povo de Deus, para tornar Deus presente neste mundo e para abrir aos homens o acesso à fé, à confiança naquele Deus que nos amou até ao fim, em Jesus Cristo crucificado e ressuscitado”.

 

2. O Vaticano publicou esta semana todo o programa da visita do Papa ao México e Cuba. Bento XVI aterra em Guanajuato, no centro do México, a 23 de Março, após 14 horas de voo directo desde Roma. O programa foi pensado para ultrapassar eventuais problemas de ‘jet lag’, uma vez que no dia seguinte, a agenda do Papa só começa às 18h e inclui apenas a visita ao presidente mexicano e um encontro com crianças. Destaque, no Domingo 25 de Março, para o encontro com os bispos do México e América Latina. A visita a Cuba, começa na cidade de Santiago, a 26 de Março, com uma missa na praça principal, em honra dos 400 anos da padroeira – a Virgem de la caridad del Cobre. Na capital, Havana, destaque para o encontro com o presidente Raoul Castro, no Palácio da Revolução e, no dia seguinte, para a Missa que Bento XVI celebra, antes de regressar a Roma, também na mítica Praça da revolução de Havana.

 

3. O Papa lembrou o Dia Mundial dos Leprosos. “Celebra-se neste Domingo a jornada mundial dos doentes de lepra. Ao saudar a Associação italiana Amigos de Raoul Follereau, gostaria de manifestar o meu encorajamento a todas as pessoas atingidas por esta doença a quantos os assistem e, de vários modos, se empenham para eliminar a pobreza e a marginalização – verdadeiras causas da persistência do contágio”, sublinhou Bento XVI, durante o Angelus, a 29 de Janeiro, pedindo depois o “dom da paz” para Terra Santa e lançando simbolicamente duas pombas brancas.

 

4. O actual representante do Vaticano nos Estados Unidos, arcebispo Carlo Maria Viganò, denunciou casos de corrupção e falta de transparência na administração financeira do Vaticano, em cartas enviadas ao Papa ao longo de 2011. Nomeadamente através de negócios e concessões para obras, sempre às mesmas empresas, que cobravam o dobro do valor de mercado. Operações que terão custado milhões à Igreja e que Viganò denunciou por carta.

A Santa Sé publicou já uma nota que não nega a existência destas cartas, criticando porém os expedientes jornalísticos que usam documentos reservados para atacar o Vaticano e a Igreja Católica. A nota do porta-voz do Vaticano, padre Lombardi, faz duas considerações. A primeira valoriza a gestão e o rigor administrativo do arcebispo Viganò como Governador do Vaticano, em linha com a opção de maior transparência nas actividades económicas da Santa Sé e promete desencadear todos os procedimentos – incluindo legais – para garantir a honorabilidade das pessoas cujos nomes foram envolvidos nas acusações. A segunda consideração recorda que o governo do Vaticano não se limita apenas a um conjunto de discussões, tensões, ou luta de interesses e que as diferenças de opinião precisam sempre de uma avaliação superior e mais ampla, cujo vértice é o Papa. A nomeação do arcebispo Viganò para Washington – uma das mais importantes nunciaturas no mundo – é sinal de confiança por parte do Papa.

 

5. Apesar das divisões que ainda hoje separam os cristãos, Bento XVI afirmou no passado dia 25 de Janeiro que encara o futuro com esperança, porque a bondade de Deus vence o mal e o amor de Cristo supera a morte. Na celebração que presidiu na Basílica de São Paulo Fora de Muros, em Roma, o Papa sublinhou que para alcançar a unidade entre os cristãos é preciso tempo e muita paciência. “Na actual cultura dominante, a ideia de vitória é frequentemente associada ao sucesso imediato. Na óptica cristã, pelo contrário, a vitória é um processo longo de transformação e crescimento no bem – nem sempre linear aos olhos dos homens, porque essa transformação ocorre segundo os tempos de Deus e não os nossos, exigindo da nossa parte uma fé profunda e uma perseverança paciente. (...) Por isso, a nossa espera pela unidade visível da Igreja deve ser paciente e confiante. Só assim terá pleno sentido a nossa oração e o nosso empenho quotidiano pela unidade dos cristãos”. Nesta celebração participaram dezenas de representantes das principais Igrejas protestantes, anglicanas e ortodoxas.

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