Na Tua Palavra |
D. Nuno Brás
Que Europa?
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Ao contrário do que muitos julgam, a Europa, a que o cristianismo deu forma (o Império Romano era essencialmente mediterrânico), nunca foi – nem mesmo nos tempos medievais – um todo uniforme. Pelo contrário: sempre foi uma espécie de conjunto de realidades diferentes, em que cada povo mantinha a própria cultura, mesmo o próprio direito e organização social e política, mas a que o cristianismo dava, depois, uma unidade.

Era, podemos dizer, como uma daquelas belíssimas mantas de retalhos das nossas avós, onde apesar das diferenças de cada pedaço, tudo parecia adquirir uma unidade quando olhado no conjunto. E esse era o seu segredo: a unidade na pluralidade. Um português não se sentiria nunca estrangeiro num qualquer Estado da actual Alemanha porque, apesar das diferenças e para além delas, existia uma outra realidade que lhe permitia sentir-se em casa: a fé comum, que tinha passado igualmente para os valores e para os princípios orientadores da existência. O modo de ser típico de cada povo manteve-se; mas acima dele e antes dele, dando-lhe vida e forma, estava o Evangelho.

A Europa de hoje, e particularmente a União Europeia, se é certo que nasceu a partir deste modelo (ou não tivesse sido idealizada por cristãos, depois da devastação da Segunda Guerra Mundial), depressa o abandonou.

E, assim, sobretudo quando a União se alargou a tantos países que hoje é quase difícil saber de memória quem dela faz parte, procurou-se impor a partir dos burocratas de Bruxelas, com normas e formatações que acabassem com as expressões mais próprias de cada cultura nacional para, desse modo, unificar tudo. Tudo devia estar padronizado, previsto, organizado de acordo com o pensamento dos célebres “eurocratas”. De pouco contava de onde se vinha; as tradições e as culturas de cada povo foram simplesmente ignoradas. A pluralidade de costumes e de modos de ser foram esquecidos. E, como elemento justificador de tudo, foi-se procurar a economia.

 É claro que isso significou o predomínio daqueles que têm mais dinheiro, e que rapidamente quiseram impor aos demais o seu modo de ser, a sua cultura. Mas é igualmente claro que, para a grande maioria dos cidadãos isso significou a subordinação a normas que nada têm a ver com a sua vida concreta – se é que não obrigavam, simplesmente, a que desaparecesse aquilo que tinham recebido dos seus antepassados e que dava forma à sua identidade.

Hoje, a Europa debate-se com sucessivas crises económicas e financeiras, a que os seus líderes se mostram incapazes de dar resposta. Não será que tal se deve ao facto de se ter querido construir uma Europa artificial, a partir dos gabinetes de Bruxelas, sem uma realidade que possa fazer a ponte entre as suas diferentes culturas, respeitando-as?

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