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A uma janela de Roma
Quaresma é tempo propício para uma experiência mais profunda de Deus
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O Papa pediu aos cristãos para viverem “um caminho de conversão e renovação espiritual” nesta Quaresma. Na semana em que criou 22 novos cardeais, entre os quais um português, Bento XVI falou aos seminaristas de Roma. No Peru, a Universidade Católica esteve em reflexão.

 

1. Na audiência geral de Quarta-feira de Cinzas, a catequese do Papa incidiu sobre o sentido da Quaresma: “Nos próximos quarenta dias, que nos levarão até ao Tríduo Pascal – celebração da paixão, morte e ressurreição de Cristo –, somos convidados a viver um caminho de conversão e renovação espiritual, que nos faça sair de nós mesmos para ir ao encontro do Senhor. Este período será um tempo propício para uma experiência mais profunda de Deus, que torne forte o espírito, confirme a fé, alimente a esperança e anime a caridade. Poderemos assim ver e recordar tudo aquilo que Ele fez por nós. Daí concluiremos que só o Senhor nos merece; e, sem mais adiamentos nem hesitações, entregar-nos-emos nas suas mãos. E Cristo tornar-nos-á participantes da vitória sobre o pecado e a morte, que Ele nos alcançou com o seu amor levado até ao extremo da imolação por nós na cruz. Seguindo o caminho da cruz com Jesus, ser-nos-á aberto o mundo luminoso de Deus, o mundo da luz, da verdade e da alegria. Inundados por esta luz, ganharemos nova coragem para aceitar, com fé e paciência, todas as dificuldades, aflições e provações da vida, sabendo que, das trevas, o Senhor fará surgir a alvorada nova da ressurreição”, disse Bento XVI, saudando “o grupo escolar da Lourinhã” e todos os peregrinos presentes de língua portuguesa.

“A todos desejo uma boa e frutuosa Quaresma!”, salientou o Papa, neste início do tempo litúrgico de preparação para a Páscoa.

 

2. Na sua alocução no Consistório, o Papa alertou os novos cardeais para os perigos de não abandonarem a lógica mundana do poder e da glória, abraçando a do Evangelho. Recorrendo ao episódio bíblico em que dois dos apóstolos, Tiago e João, perguntam a Jesus se, quando chegar a sua glória, se podem sentar “um à tua direita e outro à tua esquerda” – pedido este que indignou os outros dez apóstolos – Bento XVI sublinhou que este episódio demonstra como nenhum dos apóstolos compreendia a “lógica da vida que Jesus testemunha”. “Indignam-se porque não é fácil entrar na lógica do Evangelho, deixando a do poder e da glória”, refere o Papa.

Dirigindo-se aos 22 novos cardeais que foram criados no Consistório em Roma, no passado dia 18, Bento XVI explicou as responsabilidades que acompanham o novo cargo: “Serão chamados a analisar e avaliar os casos, os problemas e os critérios pastorais que dizem respeito à missão da Igreja inteira. Nesta delicada tarefa, servir-lhes-á de exemplo e ajuda o testemunho de fé prestado pelo Príncipe dos Apóstolos, com a sua vida e morte, pois, por amor de Cristo, deu-se inteiramente até ao sacrifício extremo”. E terminou: “Domínio e serviço, egoísmo e altruísmo, posse e dom, lucro e gratuidade: estas lógicas, profundamente contrastantes, defrontam-se em todo o tempo e lugar. Que a vossa missão na Igreja e no mundo se situe sempre e só ‘em Cristo’ e corresponda à sua lógica e não à do mundo, sendo iluminada pela fé e animada pela caridade que nos vem da Cruz gloriosa do Senhor”, pediu o Papa.

 

3. Um dos novos cardeais é D. Manuel Monteiro de Castro, que convidou para um almoço todos os familiares, amigos, autoridades e individualidades do mundo eclesiástico que participaram, em Roma, no Consistório.

O Secretário de Estado do Vaticano, cardeal Bertone, saudou o novo cardeal português e usou do bom humor para dizer que esperava que D. Manuel tivesse “misericórdia como penitenciário-mor”, pedindo-lhe: “senhor, tende piedade”.

O novo cardeal português distribuiu uma pagela com Nossa Senhora a todos quantos o foram cumprimentar na sessão oficial de saudações.

 

4. O Papa falou aos seminaristas de Roma, pedindo-lhes para não se conformarem com o mundo. “O cristão está chamado ao não conformismo, mantendo-se livre. Não se conformar com o poder das finanças e dos meios de comunicação, que, embora necessários, correm o risco de oprimir o homem”. Na visita ao Seminário Maior romano, por ocasião da festa da padroeira, Nossa Senhora da Confiança, Bento XVI foi acolhido por 190 seminaristas dos diversos Seminários de Roma e deteve-se inicialmente em oração silenciosa diante do Santíssimo Sacramento, na capela do seminário, onde decorreu o encontro. “O não conformismo do cristão redime-nos, restitui-nos à liberdade. Rezemos ao Senhor para que nos ajude a sermos homens livres, neste não conformismo que não é contra o mundo, mas sim o verdadeiro amor do mundo”, sublinhou o Papa.

 

5. O Secretário de Estado do Vaticano, cardeal Tarcisio Bertone, encontrou-se com o reitor da Pontifícia Universidade Católica do Peru (PUCP), Marcial Rubio Correa, pedindo que “a comunidade académica acate o que foi assinalado [em diversos estudos e onde é salientado a importância de salvaguardar a identidade católica da universidade], de modo a que a PUCP possa realizar cada vez mais a sua missão de oferecer às gerações mais jovens uma sólida formação, enraizada na fidelidade ao Magistério da Igreja, como garantia da grande contribuição que a Universidade é chamada a oferecer ao país”.

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