Missão |
D. José Manuel Imbamba, Arcebispo do Saurimo
Missão solidária e fraterna no interior norte de Angola
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D. José Manuel Imbamba nasceu no Lwena. Primeiro padre natural desta Diocese, foi ordenado Bispo do Dundo aos 43 anos e é Arcebispo do Saurimo desde os 46 anos. Foi Secretário-Geral da Universidade Católica de Angola. Nas terras dos diamantes, tenta lutar por mais justiça social e divisão das riquezas. Apoia o Voluntariado Missionário. Acredita no futuro de Angola, mas teme por um capitalismo selvagem onde as riquezas valem mais que as pessoas. Presidiu, na Igreja da Buraca, à Festa Crioula.

 

Primeiro Diocesano do Lwena

Nasceu no Lwena (Moxico) em tempo de guerra. Ia com o pai á Missa à Casa Episcopal e D. José Puaty convidou-o a ser acólito. Depois, aos 14 anos, enviou-o para Malanje como seminarista. Os tempos eram de forte ideologia marxista-leninista e todos os seminaristas do Lwena foram tirados, à força, do Seminário para serem enviados para Cuba. Ele escapou e acabaria por terminar estudos de Filosofia no Uíge e Teologia em Luanda.

A 11 de Agosto de 1991 era ordenado Diácono no Lwena e, numa Diocese que não tinha um único padre diocesano natural dali, D. Puaty pediu a Roma autorização especial para o ordenar Padre três meses depois. Foi uma grande festa para o povo, uma vez que o P. Imbamba era o primeiro Lwenense a subir ao altar. Foi logo nomeado pároco da Catedral.

 

De Roma à Universidade Católica

Esteve três anos ali e foi enviado a Roma onde se doutorou em Filosofia, regressando ao Lwena em 1999. Dois anos mais tarde, a recém-criada Universidade Católica de Angola (UCAN) chamou-o a Luanda para ser o secretário-geral. Marcou-o ali a novidade e ousadia deste projecto universitário; a credibilidade e confianças crescentes por parte da sociedade angolana; a exigência que caracterizava a acção da direcção; a qualidade do ensino ministrado, apesar da falta de recursos; a aposta na Ética; a colaboração com as autoridades; a investigação científica; a alegria de ver os quadros formados na UCAN a ocupar cargos de responsabilidade.

 

Bispo do Dundo

E quando já se sentia em casa na UCAN, é convidado para ser o Bispo do Dundo, uma das terras do norte interior onde mais diamantes se extraem. Foi em 2008 que chegou à nova Diocese onde o impacto inicial foi muito forte. Esperava uma terra rica e encontrou um povo muito pobre, sem vias de comunicação, analfabeto, isolado. O Bispo sentiu-se, desde a primeira hora, muito envolvido com o povo, apaixonado por ele.

O Dundo é uma Diocese pobre de clero (apenas 8 padres e 15 Irmãs para 106 mil km2 sem estradas dignas deste nome), mas com um povo aberto à Igreja. Como Bispo, convidou mais missionários e recuperou infra-estruturas. Apostou na pastoral vocacional.

 

Arcebispo do Saurimo

Outra surpresa e choque – confessa D. Imbamba – foi o convite para ser o primeiro Arcebispo do Saurimo. Aceitou esta missão em nome da obediência, mas custou-lhe muito deixar o povo do Dundo. Encontrou no Saurimo, uma Igreja mais estabelecida e com mais missionários (20 padres e 21 Irmãs para 67 mil km2 e boas estradas de ligação entre os municípios). Como prioridades de pastoral, aponta as vocações e a pastoral da família. Considera que certos apegos a tradições ancestrais estão a destruir o tecido familiar e social. E aponta o dedo à feitiçaria que está a desestruturar muitas famílias.

 

Voluntariado Missionário

Como Bispo do Dundo, acolheu experiências de voluntariado missionário. Acha-as muito positivas, pois traduzem a universalidade e a solidariedade entre Igrejas. A igreja é este mosaico de povos e culturas que partilham os seus sentimentos, procurando fazer a descoberta do amor de Deus, dando e recebendo. Ficam marcas profundas em que acolhe e em quem chega. Ajudam-se a crescer mutuamente na Fé: as pessoas que recebem sentem que o ser cristão está para além da cultura e do país…e assim todos dão e recebem muito. Todos partilham e sentem que a Missão é inerente à vida do cristão. O voluntariado é uma experiência forte da vivência do amor de Jesus Cristo.

 

Angola com futuro…

Sobre Angola e o seu futuro, D. Imbamba, acha que há boas perspectivas porque o povo quer a paz, a convivência pacífica e a construção do país.

Mas há apreensões, pois corre-se o risco de cair num capitalismo selvagem (vindo do estremo oposto do marxismo-leninismo). O enriquecimento pessoal preocupa mais os políticos que o bem comum. Além disso, sente-se que há muita gente a querer entrar em Angola com o objectivo único de procurar dinheiro sem ter qualquer preocupação pelo bem social das pessoas. Olha-se à riqueza e não ao povo.

 

 

PERFIL

1965 – Nascimento no Lwena (então Luso)

1991 – Ordenação Presbiteral no Lwena

1999 – Doutoramento em Filosofia, em Roma

2001 – Secretário-Geral da Universidade Católica de Angola, em Luanda

2009 – Bispo do Dundo

2011 – Arcebispo do Saurimo

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