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Drama sem fim dos cristãos da Nigéria
O holocausto que ninguém vê
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Nos últimos dez anos, cerca de 10 mil pessoas perderam a vida na Nigéria por causa da violência dos extremistas muçulmanos. Mais de 300 igrejas foram destruídas e 250 mil pessoas abandonaram as suas casas para escaparem à morte.  Os cristãos da Nigéria pedem-nos ajuda. Poderemos fingir que não os ouvimos?

 

Dia 20 de Janeiro. Cidade de Kano. Uma série de ataques bombistas dos extremistas muçulmanos do grupo Boko Haram causa mais de duas centenas de mortos. O caos é indescritível. As ruas ficam cobertas de cadáveres e de feridos. Há choro e gritos. O Arcebispo de Jos, D. Ignatius Kaigama, desesperado, tenta contactar com o Bispo de Kano, o seu amigo D. John Niyiring. O telefone não funciona, aumentando o receio sobre o que possa ter acontecido. Os ataques terroristas são uma constante. O alvo, como sempre, está definido: os cristãos têm de ser expulsos e, para isso, toda a violência parece legítima. No dia anterior, Ignatius Kaigama tinha conseguido falar com o pároco da Igreja de Nossa Senhora dos Apóstolos, na Diocese de Kano. “Ele disse-me que foi obrigado a esconder-se porque estava sob ataque”.

 

Massacre anunciado

Os cristãos, na Nigéria, estão a ser atacados. Foi assim no dia de Natal, com o assassinato à bomba de dezenas de cristãos na Igreja de Madalla, na capital, ou em Jos, em Damaturu e em Gadaka. Esses ataques, coordenados, causaram mais de uma centena de mortos e cem mil deslocados. Em muitos jornais, em todo o mundo, não valeram mais do que duas linhas nas notícias do dia. Apenas. Mas já antes, nos dias 22 e 23 de Dezembro, outros ataques causaram mais umas largas dezenas de mortos. E ninguém soube de nada. O massacre aos cristãos continua imparável: só no dia 9 de Março de 2010, mais de 500 habitantes de aldeias cristãs a sul de Jos foram mortas à machadada por muçulmanos fanáticos. Nem as mulheres ou as crianças foram poupadas.

 

Objectivo: impor a sharia

Os cristãos são o alvo. O objectivo é instaurar no país a sharia, a lei islâmica. E a mortandade continua. Dia 24 de Fevereiro, sexta-feira. Um ataque de islamitas a uma esquadra de polícia causa 14 mortos. Há corpos carbonizados. Dia 20, o mercado da cidade de Maiduguri está cheio de pessoas, gente simples nas suas compras quotidianas. De súbito, um comando armado abre fogo com metralhadoras, lançando também explosivos junto das bancas de peixe. Há dezenas de mortos. Segundo vários comerciantes, “seis homens abriram fogo indiscriminadamente contra a multidão”.

 

Ajudar a Igreja

E nós, que podemos fazer? A diocese de D. Ignatius é uma das que tem recebido o apoio da Fundação AIS. Perante a destruição das bombas, face ao clima de medo, é fundamental ajudar os que ficam, os que persistem em manter a sua fé, apesar da morte, da violência, das ameaças. O testemunho deste bispo é eloquente: “o meu trabalho pastoral está cheio de desafios. Quando saio ao campo, vejo que há gente que sofre. Gente faminta, doente, privada de necessidades básicas. Vejo as pessoas que sofrem injustiça. Quero identificar-me com elas. Bebo da sua água suja. Como a sua comida para compartilhar a sua agonia e as suas dores…”

 

Um país prioritário

A Nigéria é, para a Fundação AIS, um país prioritário. Os cristãos deste país africano são perseguidos, humilhados, feridos e mortos. Estão de luto. Precisam de ajuda. Neste momento há alguns projectos que são uma resposta concreta às necessidades da Igreja local. O que para nós poderá ser apenas uma pequena contribuição, pode fazer toda a diferença na Nigéria. As irmãs Filhas de Maria Mãe de Misericórdia trabalham em todas as dioceses do país. São 73. Trabalham sobretudo nas áreas da educação e saúde. “Os pobres, idosos, necessitados e órfãos são prioritários”, como nos explica a superiora, Irmã Colette. Elas estão onde mais ninguém aparece.

 

Uma pequena ajuda

E as questões de saúde são mesmo urgentes. Em 12 Estados da Nigéria, nas últimas semanas, apareceu um surto de febre de Lassa, um tipo de doença hemorrágica aguda que já matou pelo menos 40 pessoas. Mas há mais cerca de 400 outros casos identificados. As irmãs são, em demasiadas situações, a única ajuda para dezenas e dezenas de nigerianos. O problema é que o país é enorme, as estradas estão miseráveis e as deslocações são um drama. Elas precisam de um carro. A Fundação AIS pretende ajudá-las. Tal como o trabalho desenvolvido na Diocese de Jalingo, onde o Padre Awoshiri tem um centro onde os jovens aprendem inglês, matemática, trabalhos manuais… São jovens, rapazes a quem a educação ficou vedada. É preciso manter este centro com as portas abertas. Como diz o Arcebispo John Onaiyekan, de Ajuba, “a paz é também o progresso, a alfabetização, a saúde, a água potável…”

 

Vamos ajudar?

Ajudar está nas nossas mãos. Nas nossas mãos está apenas a compra de um carro e o apoio a um centro de estudos. Vamos fingir que não sabemos o que está a acontecer aos cristãos na Nigéria?

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