Domingo |
À Procura da Palavra
A semente e a cruz

DOMINGO V DA QUARESMA - Ano B

 

“Se o grão de trigo, lançado à terra,

não morrer, fica só;

mas se morrer, dará muito fruto.”

Jo 12, 24

 

Talvez os “gregos” dos nossos dias, envolvidos por tanta “escuridão” económica e social, também quisessem “ver Jesus”, como os seus antepassados do evangelho! Isto é, ver uma esperança mais forte que o desalento e o desencanto que envolve o seu país, e contagia grande parte da Europa. Também havia um desejo de ver melhor a vida e o sentido de tudo, naqueles que procuram junto de Filipe “ver Jesus”. Ver e, até quem sabe, acreditar nas suas palavras, na vida renovada que propõe e convida a abraçar. Mas ver Jesus implica tomar posição, confrontar-se com a radicalidade da sua proposta, aceitar a força daquilo que germina sem se ver.

Para além das raízes familiares na agricultura de subsistência das Beiras, sou um nabo no que diz respeito ao semear e cuidar de uma horta. Mas delicio-me com o encanto de quem semeia e aguarda pacientemente que as sementes morram para darem vida. Talvez porque também sou contagiado com a impaciência dos nossos dias que só pensa ansiosamente nos frutos. Esperar? Parece uma perda de tempo. O que vale é o imediato, a rapidez, a alta velocidade do 4G, o estar em todo o lado e em todo o tempo (acabando por não se estar em lado nenhum!). Meçam a capacidade de espera das crianças e da malta mais nova, e como reagem ao que têm de perder para vir a ganhar algo melhor. Interessantes os resultados, não são? Semear é sempre arriscar a perder. Não mando nas sementes que, teimosamente, não “queiram” germinar ou nas intempéries que podem dar cabo da colheita. Mas é também aprender a esperar. Semear e esperar. Mas para quê se tudo é oferecido com tanta facilidade?

A maioria dos nossos gestos são sementes. Não produzem no imediato. Levam consigo a dor de uma perda, o desprendimento de uma posse, a pequena alegria da gratuidade. Ninguém nasce sem trazê-las consigo. E viver é descobrir que elas aumentam em nós na medida em que as damos com alegria. Que vale mais a pena olhar para o que podemos dar, do que esperar o que gostaríamos de receber. Só é pobre quem se agarra ao que julga ser unicamente para si. Talvez isso explique a espantosa alegria de quem tem poucas coisas. Ou o despojamento dos poetas que semeiam palavras luminosas e nos abrem os olhos para ver e agradecer tanta beleza oferecida!

É na cruz que Jesus se dá a ver. Atraindo todos a si. Grão de trigo que se lança à terra infértil dos nossos corações. Para torná-la fecunda e quebrar todas as durezas que impediam o germinar da graça e do amor. Abrindo o caminho às sementes que O queiram seguir. Cada um dos seus amigos convidado a mergulhar na escuridão de dar a vida por amor. Em mil e um pequenos nadas sem importância, que nenhum dinheiro pode comprar, e só a alegria de “viver de mãos acesas” (como dizia Eugénio de Andrade) pode tornar possível. Que morte nos falta para dar fruto?

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