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Sudão: faltam oito dias para se cumprir o ultimato de Cartum
Milhares de Cristãos em fuga
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Calcula-se que possam ser 500 mil. Organizações de defesa dos direitos humanos dizem ser um número ainda mais expressivo: 700 mil. Os cristãos do Sudão do Sul que vivem no norte, no Sudão, receberam um ultimato governamental. Ou deixam o país, a casa, o emprego, tudo o que juntaram na vida, ou passam a ser tratados como estrangeiros. A ameaça não podia ser mais explícita e terrível para os cristãos.

 

Para os cristãos, ser considerado estrangeiro, no Sudão, é praticamente sinónimo de perseguição. O regime, maioritariamente muçulmano, não se tem poupado a esforços. Agora, retiraram a cidadania aos sudaneses do Sul, fragilizando-os ainda mais num país já de si fortemente hostil aos cristãos. O ultimato para a saída do país esgota-se já dia 8 de Abril.

 

Um dilema terrível

Para milhares e milhares de sudaneses do Sul, o dilema é terrível: se ficam, não sendo mais cidadãos de pleno direito, podem arriscar a própria vida sendo perseguidos, humilhados, presos e até mortos. Há centenas de histórias de “estrangeiros cristãos” que sofreram já a ira dos radicais islâmicos. Por outro lado, deixar o país é arriscar uma viagem perigosa, é deixar para trás e para sempre tudo o que amealharam na vida, a casa, o emprego, a própria comunidade.

 

Igreja preocupada

Esta situação está a deixar a Igreja local bastante apreensiva, pois “muitos cristãos simplesmente não podem deixar o Sudão de um dia para o outro”, afirma o Bispo Auxiliar de Cartum, D. Daniel Adwok. São cada vez mais as vozes dos que denunciam os propósitos maquiavélicos do regime de Omar al Bashir. A Barnabas Fund, uma organização cristã de solidariedade, diz que “há o receio de que os cristãos que permaneçam no Sudão, após o ultimato, sejam alvo de perseguições ou mesmo de repatriamentos forçados”.

 

Crise humanitária

A perspectiva de um êxodo em massa poderá trazer consigo também uma emergência humanitária na região, que agravará certamente ainda mais o clima de tensão que se vive na zona fronteiriça entre o Sudão, país maioritariamente islâmico, e o Sudão do Sul (que se tornou independente no ano passado, depois de um referendo) onde predomina a religião cristã.

 

Onda de violência

A Igreja sudanesa tem sofrido dos mais violentos e cruéis ataques de que se tem notícia no mundo. Os radicais islâmicos, responsáveis pela esmagadora maioria desses ataques, têm como propósito espalhar o medo, separar famílias, enfraquecer a comunidade. Há relatos de cristãos presos e vendidos como escravos a comerciantes, crianças cristãs que são forçadas a seguir a religião islâmica, igrejas destruídas, e, em muitos casos, o uso da tortura é frequente.

 

Ameaça cumprida

Nada do que está a acontecer, incluindo o ultimato de Cartum, é novidade para quem acompanha a situação política regional. No ano passado, no seguimento do referendo que iria provocar a secessão do país, com o Sul a autonomizar-se como nova nação, maioritariamente cristã, o presidente do Sudão deixou implícita a ameaça de que iria “limpar” o Norte de elementos não-árabes e não-islâmicos.

 

A lei da Sharia

Numa entrevista ao jornal britânico The Guardian, Omar al-Bashir afirmou que “se o sul do Sudão se separar, vamos mudar a Constituição, e não haverá tempo de falar em diversidade cultural e étnica. A lei do Islão, a Sharia, será a principal fonte para a Constituição, o Islão será a religião oficial e o árabe a língua oficial. " Dito e feito. Agora, sobre centenas de milhares de cristãos, paira o fantasma da fuga do país onde sempre viveram. De um dia para o outro perderam o direito de cidadania, passaram a ser estrangeiros e estão assim à mercê dos radicais islâmicos que fazem do terror o argumento principal para que os “infiéis” deixem definitivamente o país.

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