Domingo |
À procura da Palavra
Correria Pascal

DOMINGO DA RESSURREIÇÃO

“Correu então e foi ter com Simão Pedro

e com o outro discípulo que Jesus amava.”

Jo 20, 2

 

Na noite silenciosa e calma Maria caminha devagar. Quantas lágrimas vai semeando pelo caminho? Vai ao sepulcro fazer o quê? Ungir o corpo de Jesus porque a urgência da sepultura não permitiu fazer os ritos devidos a um defunto? Quer e não quer aproximar-se. Não quer mesmo pensar que tudo foi verdade, que viu morrer Jesus. Mas eis que tudo muda. No alvor do amanhecer vê o sepulcro vazio. E instala-se a correria pascal.

Corre Maria a dizer a Pedro e ao outro discípulo. Correm Pedro e o discípulo ao sepulcro. Mais depressa o segundo mas espera por Pedro. O Ressuscitado põe tudo em agitação, desperta tudo o que dorme, desarruma a ordem natural das coisas, desencadeia o turbilhão da vida que vence todas as mortes. Revoluciona logo o papel passivo, secundário e discriminado das mulheres. A sua palavra era tão insignificante como a de uma criança, de um pastor ou de um escravo. Não valia nada numa sociedade acentuadamente masculina. Uma mulher testemunha do maior acontecimento da história? Só Jesus para se lembrar disto!

No processo jurídico o valor máximo era dado a duas testemunhas. São dois os discípulos que correm ao sepulcro. Pedro, certamente ainda atormentado pelas três negações, o forte derrotado pelo entusiasmo, e o discípulo que Jesus amava, talvez João, talvez...eu ou tu, que nos descobrimos amados e queremos entrar na vida de Jesus! Pedro que vê o sepulcro vazio e as ligaduras mas só entende ainda a morte, a renúncia, o absurdo de dar a vida. E João que acredita, que percebe o amor até ao fim como condição para derrotar a morte, para libertar de todas as ligaduras e sudários que aprisionam a vida. Vence Pedro na corrida das pernas e na corrida da fé. Porque vê para lá do visível, e será o primeiro a reconhecê-lo junto ao mar de Tiberíades.

Quantas correrias se fizeram naquele primeiro dia da semana? Primeiro de um mundo e de um tempo novos. Ao cair da tarde Emaús também se fará perto para o regresso de Cléofas e outro discípulo (novamente sem nome...) a contar o encontro admirável com Jesus. No caminho e na mesa, em que o pão partido revelou o Senhor. Correria que se prolonga na vida da Igreja e dos discípulos de Jesus pela alegria de viver com Ele e manifestar a sua presença. Uma correria que questiona os acomodamentos e a instalação, os hábitos vazios e os esquemas burocráticos. Correria que oferece a palavra viva de Jesus e estimula o crescimento, que acolhe, ilumina e compromete, que vai alargando o coração de cada um a fronteiras nunca antes imaginadas.

Quando muitas correrias da vida de hoje são feitas de aflição e desânimo, de procura de trabalho e de alimento, de contas a pagar e de sonhos a desmoronar, de ratings e troikas, acreditamos que a vida ressuscitada de Jesus em nós pode renovar a terra? Esta terra já que tem a amplitude das nossas relações?

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