Entrevistas |
Padre Luís Leal, director do Serviço Diocesano de Acólitos
“Acólitos não servem para embelezar as celebrações”
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Tem ao seu cuidado mais de três mil acólitos só na Diocese de Lisboa. O padre Luís Leal é o director do Serviço Diocesano de Acólitos e apela à criação de grupos paroquiais de acólitos. Em entrevista ao Jornal VOZ DA VERDADE, por ocasião do encontro diocesano de acólitos que se realiza no dia 25 de Abril, este responsável fala ainda sobre a coerência que os acólitos devem ter na vida e no altar.

 

Nas celebrações, os acólitos têm grande visibilidade por estarem no presbitério, junto ao sacerdote. Qual é a missão de um acólito?

A missão de um acólito é, basicamente, servir o altar. Ou seja, ajudar o sacerdote e o diácono no serviço do altar. E auxiliar em tudo o que for necessário, seja na Eucaristia ou nos outros sacramentos. Costumo dizer aos acólitos para terem cuidado, porque os acólitos servem o altar, mas não são ‘empregados de mesa’!

 

O acolitado é um ministério laical. Qual é a importância de haver uma presença dos leigos junto do altar?

A liturgia não é uma acção apenas do sacerdote. É uma acção de toda a comunidade, que se reúne em volta do altar e participa activa e frutuosamente, como refere a constituição conciliar ‘Sacrosanctum concilium’ sobre a Sagrada Liturgia. E aqui também o papel importante dos leigos, naquilo que é próprio da sua vida e também neste caso no ajudar para que toda a celebração decorra da melhor forma para que todos possam louvar a Deus. E nisto o acólito tem um papel essencial!

A palavra acólito significa ‘aquele que acompanha’. E nesse aspecto, estes rapazes e raparigas acompanham, de certa forma, Jesus Cristo que está no altar.

 

O acolitado é um serviço que pode ser iniciado em idade muito jovem…

Não há nenhuma data definida para uma criança começar a ser acólito. Tendo em conta que o acólito se aproxima do altar e tem esta presença para toda a comunidade da participação da Eucaristia, é importante que eles já possam participar na plenitude da Eucaristia, também com a Comunhão. Neste sentido, é importante que os novos acólitos já tenham feito pelo menos a Primeira Comunhão. Há paróquias que aceitam crianças mais novas, mas aqui já não tanto com o objectivo de serem acólitos em pleno sentido, mas de se irem aproximando do altar. Porque o acólito não serve apenas para ficar a embelezar, ao lado do senhor padre… Numa celebração que tenha acólitos mas em que eles não fazem nada a não ser ficar ao lado, pode ficar bonito mas não têm função.

 

Mas que influência o acolitado pode ter na caminhada cristã, sobretudo das crianças e adolescentes?

Esperamos que tenha muita importância! O acólito sendo aquele que acompanha, que acompanha Jesus Cristo, ao aproximar-se de uma forma muito especial do altar e do seu serviço, a sua vida interior deve também espelhar isso. Interior e também exterior, seja na escola ou, no caso dos mais velhos, no trabalho, com a família e amigos. Deve mostrar essa sua proximidade que acontece fisicamente em cada celebração, mas que depois também deve acontecer no seu coração e no seu dia-a-dia. Isso deve ajudá-lo a que também olhe para a sua vida de uma forma mais vocacional. Esse não é o primeiro objectivo do ser acólito; mas obviamente, como qualquer cristão – e neste caso um pouco mais – deve ser um aspecto muito importante a ter em conta. Seja qual for a forma vocacional!

 

Antes da reforma conciliar, o acolitado incluía-se nas chamadas “ordens menores”; hoje é um “ministério litúrgico” laical. O futuro acólito é escolhido pelo pároco ou nasce de uma inquietação interior da pessoa?

Cada paróquia tem a sua forma. Há desde o rapaz ou rapariga que se sente atraído para esse serviço, até à criança que tem um amigo que é acólito. Existem também casos em que a proposta é através dos pais ou dos catequistas. Por vezes, é o próprio pároco quem convida, de uma forma pessoal. Claro que antes de exercer este ministério, tem de haver uma preparação, que não se esgota com a investidura.

 

Acredita que os acólitos podem ser evangelizadores?

Os acólitos não só podem como devem ser evangelizadores! Como qualquer cristão! Agora, como em qualquer circunstância da nossa vida, quando estamos num local onde, pela sua visibilidade, estamos mais expostos, é-nos pedido mais. Um acólito, ou seja, um rapaz ou uma rapariga, ao estar exposto, obviamente que na escola os outros podem questioná-lo: ‘Então mas tu és acólito e fazes isso?’. Implicitamente, é pedido ao acólito que a sua atitude, o seu dia-a-dia, a sua forma de estar na vida seja coerente com a forma como se comporta no altar. Isso vê-se em rapazes ou raparigas que no altar estão ‘muito direitinhos’, mas que os professores e os catequistas dizem que são umas pestes e uns ‘terroristas’!

 

Que diferenças há entre os chamados acólitos ritualmente “instituídos” e os acólitos “investidos”?

Visualmente não há diferenças. O acólito “instituído” é nomeado e instituído pelo bispo, tem um carácter permanente e é com vista à ordenação! O acólito “investido” são os acólitos que temos nas paróquias e que não têm esse carácter permanente. Um acólito “investido” não é ministro extraordinário da comunhão, enquanto um acólito “instituído” é-o automaticamente.

 

O Serviço Diocesano de Acólitos (SDA) do Patriarcado de Lisboa organizou, no início deste ano, um Curso de Cerimoniários. Que papel tem o SDA na área da formação?

Uma das missões do secretariado diocesano dos acólitos é ajudar na formação. Em 2011 tivemos 80, 90 pessoas nesse Curso de Cerimoniários. Este ano tivemos 60, com a curiosidade de que os diáconos permanentes também se quiseram associar à formação. O que fazemos é uma acção de formação, dirigida aos acólitos mais velhos, para eles depois nas suas paróquias poderem orientar [liturgicamente] uma celebração, seja dominical ou quando lá vai um bispo. Esta aposta nos acólitos adultos pretende ainda que eles depois nas paróquias sejam os formadores dos mais novos. E neste sentido, foi entregue a cada acólito um CD com todas as apresentações feitas no curso. Acreditamos que desta forma é mais fácil o SDA chegar a todos!

Para o ano, estamos novamente a pensar organizar uma formação semelhante ao nível de esquemas e horário – portanto, quatro sábados de manhã seguidos –, mas com uma temática diferente. Fica o convite aos párocos, para enviarem os seus acólitos seniores a estas formações!

 

Anualmente, o Serviço Diocesano de Acólitos organiza também um encontro/retiro na Serra da Estrela, dirigido a todos os acólitos da Diocese de Lisboa. Qual a importância destes momentos de convívio, partilha e oração?

É um momento muito interessante e variado. É aberto aos acólitos de toda a Diocese de Lisboa, mas a verdade é que têm ido muito poucos. Apesar disso, continuamos a insistir, porque entendemos que é importante.

O encontro/retiro realiza-se em três dias, no fim-de-semana do Carnaval, e ficamos numa casa relativamente isolada nas Penhas Douradas. É tipo pousada da juventude, em que somos nós que fazemos as refeições, as limpezas, as arrumações, etc. Por outro lado, a vista deslumbrante ajuda à meditação e à reflexão. O primeiro dia, sábado, é dedicado à meditação e formação, com a exposição de um tema; depois, no Domingo há o contacto com a natureza, através de um passeio, e temos também a Eucaristia na comunidade local; no dia seguinte, fazemos uma saída cultural. Esta actividade permite o encontro com Deus e connosco, com a natureza e com a cultura!

 

É também director do Serviço Nacional de Acólitos, que no próximo dia 1 de Maio organiza em Fátima a Peregrinação Nacional dos Acólitos. Neste campo, o trabalho é sobretudo de apoio aos secretariados diocesanos ou há outros desafios?

A nível nacional, além da peregrinação nacional, organizamos anualmente, também em Fátima, um encontro de formação para formar formadores, para ajudar as dioceses a ter os seus formadores.

Ter presente em Fátima acólitos de praticamente todas as dioceses do país ajuda a criar um sentido de um corpo mais universal, o que é interessante!

 

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Perfil

O padre Luís Leal é desde 2001 director do Serviço Diocesano de Acólitos. Em criança, foi acólito na sua paróquia, Ameixoeira. “A minha paróquia tinha poucos acólitos e recordo-me que tinha eu 7, 8 anos e, após a Primeira Comunhão, falei com o meu pároco de então, padre Paixão, que me encaminhou para o responsável paroquial”. Hoje é também director do Serviço Nacional de Acólitos, missão que assumiu em 2006. Por inerência destes cargos, é ainda membro do Departamento de Liturgia do Patriarcado e do Secretariado Nacional de Liturgia, em Fátima.

Aos 38 anos, este sacerdote é também pároco de São Félix de Chelas e de Santo Agostinho de Marvila, em Lisboa.

 

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Encontro diocesano dos acólitos de Lisboa

‘Jesus Cristo, vivo na sua Igreja’ é o tema do XXXII EMA (Encontro de Ministrantes do Altar), que decorre no próximo dia 25 de Abril, no Seminário de Penafirme. O encontro diocesano dos acólitos de Lisboa pretende este ano focar Cristo Ressuscitado?

Procuramos organizar o EMA um ano na cidade de Lisboa ou arredores e no ano seguinte no Oeste. O que nem sempre é fácil, porque não há muitas candidaturas da zona oeste. O tema a reflectir é normalmente proposto pelo grupo paroquial de acólitos, sob a nossa orientação. Isso ajuda a que o grupo de acólitos da paróquia e das paróquias vizinhas que ajudam criem relação! Este ano, o tema proposto pela paróquia de A-dos-Cunhados, ‘Jesus Cristo, vivo na sua Igreja’, tem a dimensão do que é ser cristão! Cristo está vivo! Nós não ficámos em Sexta-feira Santa! O cristão nasce da Cruz porque houve Domingo de Páscoa! Por isso, a forma de Ele estar vivo na sua Igreja é através de cada um de nós!

Na edição deste ano, será divulgado o novo logo do SDA, que sofrerá uma pequena alteração, e vamos também apresentar material didáctico para os grupos de acólitos, que pode ser encomendado através do Serviço Diocesano de Acólitos.

 

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O Serviço Diocesano de Acólitos

No Serviço Diocesano de Acólitos, o padre Luís Leal conta com a estreita colaboração de dois acólitos: Paulo Mendes, da paróquia de São Domingos de Benfica, e Rui Almeida, da paróquia de Arroios. “Eles têm sido o meu braço direito e esquerdo neste serviço! São um grande apoio”. O director do SDA lamenta, contudo, alguma falta de apoio diocesano: “A verdade é que as coisas acontecem devido à nossa carolice. Gostaríamos de ter outros apoios, quer da parte das paróquias, quer também da própria diocese”.

Sobre a forma de organização paroquial dos acólitos, o responsável diocesano aponta à criação de grupos. “O ideal é que em cada paróquia houvesse um grupo de acólitos coeso, de partilha, de formação, que se reunisse com bastante regularidade”. O Serviço Diocesano de Acólitos, segundo o padre Luís Leal, está disponível para colaborar com todas as paróquias. “O importante é haver um grupo que se organize, até por causa das questões práticas das celebrações! Ou seja, não ser apenas um aglomerado de gente que veste a alva para a Eucaristia e depois acaba ali o serviço”.

 

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Acólitos de Lisboa em números

Total: 3442 acólitos (segundo Estatística Anual do Patriarcado)

Cartões do SDA: 1596 (segundo informação no site www.sda-lisboa.com)

texto e fotos por Diogo Paiva Brandão
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