Domingo |
À Procura da Palavra
Permanecer

DOMINGO V DA PÁSCOA Ano B

 

“Se alguém permanece em Mim

e Eu nele, esse dá muito fruto.”

Jo 15, 5

 

“Permanecer” significa continuar, aguentar, ficar até ao fim. É quase uma palavra estranha por entre a sedução de tudo o que passa, da busca ansiosa do novo. Assim o diz Rob Riemen, ensaísta e filósofo holandês, numa entrevista de domingo passado: “…perdemos a ideia de qualidade. A qualidade de viver. Como é que se reconhece essa qualidade? É aquilo que permanece. A melhor relação de amizade é a que permanece para a vida. (…) Criámos uma sociedade em que perdemos a noção de qualidade e de permanência. Tudo tem de mudar permanentemente. Quando estamos intoxicados pela ideia de que o novo é, por definição melhor, perdemos tudo. Com essa perda de qualidade, criámos um gigantesco vazio. E este vazio, a única maneira de lidar com ele é ir à procura de barulho, de coisas.

Na belíssima imagem da videira e dos ramos Jesus convida-nos a permanecer nele. Não para fugir da realidade do mundo mas para nos comprometermos ainda mais. Como Ele. Esse compromisso que significa dar sentido à vida e valorizar as pessoas pelo que são e não pelo que têm. No seu olhar crítico da nossa sociedade, Riemen afirma que é necessário explicar às pessoas “que não é em torno do dinheiro e do poder que a vida se joga. Que, se quiserem viver com dignidade, então precisam de cultivar a nobreza de espírito. (…) [Os jovens] são protótipos da sociedade de massas. Muitos deixaram de ser seres humanos capazes de pensar autonomamente. Acreditam mesmo que cada um vale pelo que tem. (…) A nossa sociedade não está interessada em pessoas. Não está interessada em gente criativa e autónoma. O nosso sistema educativo deixou de estar interessado em qualidade, está interessado em standards.

Permanecer em Jesus é entrar no seu dinamismo de vida que procura mudar por dentro o sentido do viver humano. Que convida a colocar na base das escolhas humanas os valores espirituais da vida e do amor, da relação feliz com Deus que ama absolutamente, da vida em comunhão uns com os outros. Desenvolvendo o ser de cada um, as capacidades e dons que produzem frutos abundantes e saborosos. A fé em Cristo é um factor de multiplicação do ser humano, leva-o a alargar as fronteiras da sabedoria, da beleza e do amor. Permanecer em Jesus, conjuga-se, então, com qualidade e excelência em todas as dimensões humanas. Como é que “permanecemos em Jesus” no nosso “ser cristão” e “ser Igreja”? José Mattoso, historiador, sobre como deveria ser a estratégia da acção da Igreja diz (Público 29.04): “Penso que é sobretudo na vivência do Evangelho, na autenticidade da vida cristã. Não de uma forma pietista, mas de forma autêntica, vivencial e esclarecida.

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