Lisboa |
Visita Pastoral à Vigararia de Loures-Odivelas
Educar para a família desde criança
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Revalorizar a dimensão da família é uma aposta da Igreja na actualidade. Em encontros com famílias e jovens, o Patriarca de Lisboa apontou algumas preocupações de hoje, das quais depende o amanhã. Aprender o valor do casamento desde a catequese da infância é uma necessidade apontada nesta Visita Pastoral à Vigararia de Loures-Odivelas.

 

“O ideal da vida matrimonial tem de fazer parte da catequese desde os primeiros tempos, tem de estar muito presente na pastoral juvenil”, defendeu o Cardeal-Patriarca de Lisboa, no encontro com famílias da Vigararia de Loures-Odivelas, no passado dia 15 de Maio. Integrado no programa da Visita Pastoral que está a decorrer àquela vigararia dos arredores da cidade de Lisboa, D. José Policarpo esteve reunido com diversas famílias num encontro que decorreu no salão paroquial da Póvoa de Santo Adrião. Neste encontro, onde foram apresentados testemunhos de quem participa em estruturas paroquiais de pastoral familiar, o Patriarca de Lisboa apontou algumas das suas preocupações no que diz respeito ao ser família cristã, hoje. “Estamos numa fase de revalorização da família e não são tempos fáceis para a família cristã”, assinalou, manifestando a sua preocupação com os casamentos que hoje se realizam. “Desconfio que muitos dos casamentos são inválidos, porque a disposição da fidelidade para toda a vida nem sempre é sincera. Muitos casam-se para ver se dá. E se isto é verdade, o casamento é inválido!”, refere.

 

A fragilidade dos contratos matrimoniais

Segundo D. José Policarpo, “foi-se diluindo a pouco e pouco a família, como instituição sólida diante da lei e diante de Deus”, colocando de lado o próprio significado do casamento. “O casamento é um contrato com cláusulas, com compromisso”, sublinha. Neste contexto, aponta as uniões de facto como “a anulação completa da dimensão institucional da família”. Rigorosamente não são uma família, porque não celebraram o contrato que lhe dá a dimensão institucional da família”, acentua.

Esta “fragilidade dos contratos matrimoniais” leva à “relativização do compromisso institucional” assente num problema diagnosticado: “Os casais não se conhecem. São poucos os que aprenderam a complementaridade, e a perceberem-se profundamente”, refere o Cardeal-Patriarca de Lisboa, sublinhando, ainda, que a lógica do “acabou o amor acabou o casamento”, é outro problema. “O amor transforma-se e cresce, adquire expressões novas”, salienta.

 

A união do homem e da mulher

A origem da família está na criação do homem e da mulher que “são imagem de Deus”, “porque são como Deus, que sendo três pessoas iguais, completamente diferentes, são um só. Estão destinados a ser um só na valorização da diferença”, explicou D. José Policarpo, destacando que “Eva, a mulher, companheira, é aquela sem a qual o homem não consegue ser imagem de Deus”. Neste sentido, refere D. José Policarpo que “a união do homem e da mulher dando origem a uma família são a primeira concretização daquilo que será a grande família de Deus, que é a Igreja”.

Na relação familiar, muitos dos problemas surgem pela falta de diálogo, por isso o Cardeal-Patriarca aponta a necessidade de redescobrir uma pastoral familiar. “Penso que uma redescoberta da pastoral familiar que temos de fazer é a do diálogo, do frente a frente”, assinala, sugerindo aos padres e a outros casais que acompanhem os casais jovens. “Estejam presentes na vida deles. Os casais precisam de alguém que os interpele”, apelou.

 

Aceitar com humildade

Sobre esta dimensão da família, D. José Policarpo dirigiu-se também aos jovens da paróquia da Póvoa de Santo Adrião. Num encontro com a juventude, realizado na noite da passada sexta-feira, dia 18 de Maio, o Patriarca de Lisboa frisou que “a Igreja sempre considerou a infidelidade ao matrimónio uma coisa séria”, e por isso mesmo acentua que a frequência da Eucaristia “supõe que a minha vida e consciência esteja de acordo com o que Deus deseja”. Referindo-se, concretamente, à situação dos divorciados recasados, D. José Policarpo lembra que “a Igreja convida a aceitar com humildade a situação diante de Deus”, sublinhando que “não é uma marginalização”, mas “uma busca de normalidade”. “A exigência não está na lei da Igreja mas na santidade do momento”, explica.

Diante de uma plateia repleta de jovens, no salão paroquial da Póvoa de Santo Adrião, D. José Policarpo teve oportunidade de conhecer a realidade juvenil daquela paróquia, pela apresentação de diversos grupos. “É bom sentir o pulsar da comunidade”, afirmou, deixando, ainda, alguns apelos à juventude: “A fé é um caminho exigente; não é para valentões, é para quem se deixa amar!”, concretizou.

 

Porta da Fé

Lembrando o texto da Carta Apostólica do Papa Bento XVI ‘Porta da Fé’, para o Ano da Fé que tem início em Outubro deste ano, o Patriarca de Lisboa salientou que “a fé é como uma porta por onde se entra. Uma porta onde quem a atravessa entra num longo caminho que vai durar toda a vida e muda tanta coisa! Alguns espreitam mas não entram, e por vezes passam a vida toda a hesitar”, observou. No entanto, aquele que faz experiência do encontro com Jesus Cristo não fica indiferente e nem se mantém igual. “Encontrar Jesus é uma beleza, mas é um caso sério! Quando tomamos Jesus a sério, Ele põe a nossa vida de pernas para o ar! Nunca mais é a mesma coisa! Se quisermos responder ao que Ele nos vai sugerindo, em Igreja, Ele põe a nossa vida de pernas para o ar”, repete.

Reconhecendo que a experiência de fé “é um caminho que, neste mundo, é sempre uma luta de fidelidade e de confiança”, D. José Policarpo recorda que a fé também “deve levar a uma experiência de amor”, onde “todos são chamados a amar os outros” porque “aprendemos com Ele como se ama”.

Neste sentido, o Patriarca de Lisboa apela “à intimidade com Jesus na Eucaristia”, destacando a importância da oração pessoal, na adoração, em silêncio. “Se não fizermos a experiência de nos sentirmos amados por Ele, dificilmente iremos amar como Ele nos ama”, adverte. Para isso, considera ser necessário “habituar-se a escutar o Senhor na sua Palavra”. Trata-se de “aprender a escutar a Palavra na sua actualidade de vida”, explica.

 

Caminho de fé

A Eucaristia, a oração pessoal e o testemunho são outras dimensões apontadas pelo Cardeal-Patriarca de Lisboa aos jovens da Póvoa de Santo Adrião para este caminho de fé. “A Eucaristia é o encontro tremendo com o Senhor vivo. Quem a toma a sério nunca volta para trás”. No fim, expressou um desejo: “Que quando alguém se cruzar com o vosso olhar possa sentir que Deus o ama”.

 

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Mais jovens depois do Crisma

Actualmente são mais os jovens que depois do Crisma permanecem na Igreja. A informação foi revelada por D. José Policarpo no encontro com os jovens da Póvoa de Santo Adrião, quando questionado sobre o número de presenças de jovens portugueses em Madrid, para a Jornada Mundial da Juventude, e a realidade que parece viver-se na Igreja portuguesa. “A adesão hoje é mais séria do que era há uns tempos. O sentido de abandono dos jovens depois do Crisma está a ser corrigido”, referiu frisando que “o numero de fidelização é muito maior do que era há 10 anos atrás e concretamente com a juventude”.

Estes dados são, segundo o Patriarca de Lisboa, uma informação positiva que a Igreja recolheu do estudo realizado recentemente pela Universidade Católica, e apresentado pela Conferência Episcopal Portuguesa.

 

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Catequese é essencial na paróquia

“Na paróquia pode haver ou não outros movimentos mas a catequese não pode faltar”, assegurou D. Nuno Brás, Bispo Auxiliar de Lisboa, num encontro com catequistas da Vigararia de Loures-Odivelas, realizado em Santo António dos Cavaleiros, no passado Domingo, 20 de Maio.

Frisando que “a catequese é uma espécie de coluna vertebral das várias comunidades”, D. Nuno Brás acentuou a importância da catequese e do ‘ministério’ do catequista numa comunidade, enquanto vocação confirmada pela Igreja. “A catequese e os catequistas desempenham este ministério, enquanto serviço permanente à comunidade em nome da própria comunidade. Trata-se de dar catequese em nome da comunidade e da Igreja”, acentuou. Segundo D. Nuno Brás, o problema do afastamento das crianças, da catequese, pode estar na própria catequese ou no modo como se exerce o ministério, apelando para a ajuda ao encontro com Deus. “A catequese preocupa-se muito em transmitir conteúdos mas não aprofunda o encontro pessoal com o Senhor”. Mas isto “pressupõe que o próprio catequista também faça esse encontro com o Senhor ressuscitado”, sublinha.

Assinalando “o papel insubstituível do catequista” na formação das crianças e para a própria promoção vocacional, o Bispo Auxiliar adverte para a qualidade das catequeses. “Eles olham para vocês como exemplos, como modelos de vida cristã. Não passem o tempo a fazer desenhos! Às vezes acontece, mas é preciso fazer um caminho sério com as crianças”, alertou.

Essencial na formação das crianças é também a presença dos pais na catequese, e os pais enquanto educadores da fé. Por isso mesmo “o trazer os pais à catequese” é “um desafio que se coloca neste momento à Vigararia de Loures-Odivelas”, revelou em declarações ao Jornal VOZ DA VERDADE o padre António Tavares, pároco de Caneças que acompanha a catequese naquela vigararia. “Essa será uma preocupação a ter em conta no próximo ano pastoral”, salientou.

 

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Programa da semana da Visita Pastoral à Vigararia de Loures-Odivelas

24 a 31 de Maio: Visita Pastoral a Loures

30 de Maio: ‘O desafio da Fé’; D. Nuno Brás - Odivelas Parque - 21h30

31 de Maio a 2 de Junho: Visita Pastoral a Santo António dos Cavaleiros

3 de Junho: Dia da Igreja Diocesana e encerramento da Visita Pastoral

texto e fotos de Nuno Rosário Fernandes, com Diogo Paiva Brandão
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