Lisboa |
Visita Pastoral à Vigararia de Loures-Odivelas
“O testemunho cristão passa pela actividade da caridade”
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A Visita Pastoral à Vigararia de Loures-Odivelas ficou esta semana marcada pela reflexão em torno da acção social. Num encontro com as direcções das seis IPSS de identidade católica presentes nesta vigararia, D. Nuno Brás sublinhou que o testemunho cristão e a evangelização passam também pela actividade da caridade.

 

Foi um diálogo franco e aberto que se gerou entre D. Nuno Brás, Bispo Auxiliar de Lisboa, e as direcções das seis IPSS (Centro Comunitário Paroquial de Famões, Centro Comunitário Paroquial da Ramada, Centro Paroquial e Social de Lousa, Centro Social e Cultural de Santo António dos Cavaleiros, Centro Social e Paroquial da Póvoa de Santo Adrião e Centro Social e Paroquial São Saturnino de Fanhões) que prestam serviço social na área da Vigararia de Loures-Odivelas. Neste diálogo com o bispo sobre caminhos a percorrer, D. Nuno lembrou que desde sempre os cristãos praticaram a caridade, sem olhar a quem a prestavam, e convidou as comunidades cristãs a não limitarem a sua acção social aos centros sociais paroquiais.

 

Caridade

Falando sobre a acção social, D. Nuno Brás manifestou a sua preferência pelo termo ‘caridade’, que significa “o amor de Deus em nós”. “A caridade não é qualquer coisa que surja do nosso querer ou da nossa boa vontade. É sobretudo algo que surge de Deus, a que nós, cristãos, somos convidados e desafiados!”. Apelando, por isso, a “não ter medo da palavra caridade”, o Bispo Auxiliar acredita que “é tempo de a palavra ‘caridade’ voltar a ganhar o estatuto e a dignidade que teve desde o início”.

Para D. Nuno Brás, “desde sempre os cristãos fizeram caridade”. E a preocupação, segundo explicou, deve estar nos mais necessitados. “Os pobres são a grande riqueza da Igreja, não no sentido de serem pobres, mas porque eles são, de uma forma muito particular, a presença de Cristo! Isto de percebermos Cristo naqueles que precisam, quaisquer que eles sejam, é essencial!”, salientou o Bispo Auxiliar às direcções das seis IPSS de identidade católica presentes na Vigararia de Loures-Odivelas.

 

Ajudar sem olhar a quem

Para D. Nuno Brás, a Igreja “foi pioneira” na acção social. “A Igreja assumiu desde sempre estas acções do amor ao próximo como qualquer coisa que lhe era natural. Aquilo que começou por ser caridade, acabou por ser direito social, acabou por ser justiça”. Neste sentido, lembrou também que as obras sociais da Igreja não são dirigidas apenas aos cristãos. “A Igreja sempre assumiu como tarefa sua a caridade. E a caridade sem olhar a quem! A questão nunca foi ‘se és cristão’ ou ‘não és cristão’. Isto é significativo e sempre distinguiu as actividades caritativas da Igreja. É pobre? Tem necessidades? É quanto basta para a Igreja ajudar! Não se fazem perguntas acerca da fé, nem se colocam condições”, garantiu.

 

Sentido de pertença e profissionalismo

Os centros sociais paroquiais, nesta época de mais dificuldades para as pessoas, têm funcionado, muitas vezes, como suporte para atenuar as carências das populações. Para D. Nuno Brás, é importante as comunidades cristãs não deixarem de sentir como seus os centros sociais paroquiais e continuarem, também elas, a praticar a caridade através de outras actividades e iniciativas. “Os centros sociais paroquiais aparecem, muitas vezes, como uma instituição que nasceu da comunidade, mas que depois se vai de tal forma autonomizando que a comunidade quase ‘descarrega’ sobre os centros sociais a actividade da caridade. Isto é a negação do que é um centro social paroquial! Quando o centro social paroquial deixa de ser expressão da comunidade e sobretudo quando passa a ser uma desculpa para a comunidade não cuidar e não olhar para os pobres”.

Neste encontro com as direcções das IPSS, D. Nuno convidou as instituições a apostarem na formação. “É importante nunca perdermos a espontaneidade. Mas é também importante não desprezarmos aquilo que é a profissionalização e o apoio técnico. Ou seja, a solidariedade pensada e actuada de forma técnica e profissional”.

Confrontado com o problema da “excessiva dependência do Estado”, lançado por alguns responsáveis neste encontro, D. Nuno Brás aconselhou prudência sem no entanto deixar de sublinhar: “O Estado só tem que nos estar agradecidos, porque as instituições da Igreja estão a fazer aquilo que de facto lhe compete a ele, Estado. Por outro lado, é importante que nós nunca nos limitemos ao Estado”, garantiu, aconselhando as instituições “a serem capazes de mobilizar outros recursos e outras instituições para além do Estado”. Neste sentido, desafiou as instituições de identidade católica a “trabalharem em rede”. Uma prática que “já é cumprida nesta Vigararia de Loures-Odivelas”, segundo garantiu o padre Arsénio Isidoro, pároco da Ramada, paróquia que acolheu este encontro.

 

A caridade como evangelização

Em tempos de crise, muitos são os cristãos que se têm organizado, em grupo ou individualmente, para ajudar os que mais necessitam. Para o Bispo Auxiliar do Patriarcado, a caridade é evangelizadora. Não num sentido ‘proselitista’, mas de testemunho. “A questão não é dar o pão e colocar um bilhetinho a dizer ‘Jesus ama-te’. Não é isso! O acto solidário, de amor ao próximo, é ele próprio uma actividade de evangelização! Muitas vezes a única actividade de evangelização que é permitida à Igreja em muitos países, concretamente muçulmanos”. Por isso, garante, “o testemunho cristão passa pela actividade da caridade”.

D. Nuno Brás convidou, por fim, as direcções dos centros sociais paroquiais a contarem sempre com a terceira pessoa da Santíssima Trindade. “Nós falamos muito em nós. Falta a referência ao Espírito Santo, que é muito importante! Nós muitas vezes contamos apenas com o dinheiro do Estado e com as nossas capacidades, mas falta-nos contar com o Espírito Santo! Falta-nos perceber que a nossa vida de caridade e a vida de caridade das nossas instituições são amadas pela força de Deus!”.


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Organizações da Pastoral Social da Vigararia de Loures-Odivelas

A Vigararia de Loures-Odivelas abrange parte dos concelhos de Loures, Odivelas e Mafra e é composta pelas paróquias de Bucelas, Caneças, Famões, Fanhões, Frielas, Loures, Lousa, Odivelas, Póvoa de Santo Adrião, Ramada, Santo Antão do Tojal, Santo António dos Cavaleiros, Santo Estêvão das Galés e São Julião do Tojal. Segundo os dados provisórios do Censos 2011, apresentados no encontro de D. Nuno Brás com as direcções das IPSS de identidade católica, esta é uma vigararia com uma população total na ordem dos 200 mil habitantes, sendo que a predominância vai para o escalão etário entre os 25 e os 64 anos, que abrange mais de 113 mil pessoas.

São seis as IPSS de identidade católica que actuam na Vigararia de Loures-Odivelas: Centro Comunitário Paroquial de Famões, Centro Comunitário Paroquial da Ramada, Centro Paroquial e Social de Lousa, Centro Social e Cultural de Santo António dos Cavaleiros, Centro Social e Paroquial da Póvoa de Santo Adrião e Centro Social e Paroquial São Saturnino de Fanhões (ver foto). São estas as grandes organizações da pastoral social da vigararia com estatuto jurídico. Creche, pré-escolar, centro de actividades de tempos livres, centro de actividades de apoio à família, centro de dia, serviço de apoio domiciliário, actividades de enriquecimento curricular ou centro de actividades ocupacionais são as valências que predominam nestas instituições sociais. “No total, apoiamos 1788 pessoas, o que representa 4% da população entre os 0 e os 4 anos e com mais de 65 anos”, referiu Pedro Martins, que fez a apresentação das organizações da pastoral social da Vigararia de Loures-Odivelas.

 

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“Ser catequista é um ministério”

O Cardeal-Patriarca de Lisboa considera que o catequista tem uma missão fundamental na Igreja. “O catequista tem uma missão essencial na Igreja: a comunicação da fé e não apenas de uma doutrina! Esta é uma confusão grave que temos que tirar da cabeça. Um catequista não é um professor de uma teoria religiosa, é um educador da fé, de que faz parte também a explicitação da doutrina. Isto é, desde o princípio da Igreja, uma missão absolutamente fundamental”, garantiu D. José Policarpo, num encontro com catequistas de Loures e Bucelas. Sublinhando que o catequista “tem a mesma missão do bispo e do padre”, o Patriarca salientou: “Quando vocês fazem a vossa missão de catequistas, estão em união comigo!”.

Realizada na paróquia de Loures, no âmbito da Visita Pastoral à Vigararia de Loures-Odivelas, esta partilha com os catequistas ficou marcada pela reflexão em torno do Ano da Fé. “Há dois temas que o Santo Padre tem proposto à Igreja e que nós, aqui em Lisboa, vamos adoptar como itinerário do próximo ano pastoral a iniciar em Setembro: o aniversário do Concílio Vaticano II – que me lembro muito bem e foi uma grande festa – e a nova evangelização – um tema lançado pelo Santo Padre João Paulo II, em que o Papa Bento XVI pede para fazermos deste ano um aprofundamento da nossa fé”, referiu D. José Policarpo, que aconselhou depois os catequistas a ler a Carta Apostólica ‘Porta da Fé’, “um documento muito bonito e muito acessível”.

No final, D. José Policarpo voltou a sublinhar a importância dos catequistas na missão da Igreja. “Ser catequista é um ministério! Não é só um trabalho, deve ser uma fonte de alegria. É muito bonito ajudarmos os outros a descobrirem Cristo!”, terminou o Cardeal-Patriarca.

Ao Jornal VOZ DA VERDADE, o pároco de Loures, padre Francisco Adão Inocêncio, salienta que os desafios da catequese nesta paróquia passam “pela formação continuada dos catequistas” e também por “conseguir mais catequistas”. Este sacerdote destaca ainda a importância de “envolver a família na catequese” e assim “criar uma relação” com os pais. Por fim, a paróquia de Santa Maria de Loures vê como desafiante o “chegar a todos os miúdos”.

texto e fotos por Diogo Paiva Brandão, com Nuno Rosário Fernandes
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