Lisboa |
Visita Pastoral à Vigararia de Loures-Odivelas
“Ser autenticamente cristãos no momento que estamos a viver”
<<
1/
>>
Imagem

A paróquia de Santo António dos Cavaleiros foi a última etapa da Visita Pastoral à Vigararia de Loures-Odivelas, que decorreu durante todo o mês de Maio. O Cardeal-Patriarca, D. José Policarpo, apelou aos responsáveis paroquiais para serem “autenticamente cristãos”, enquanto D. Nuno Brás, Bispo Auxiliar, teve direito a 30 minutos de ‘perguntas difíceis’ das crianças da catequese, a quem convidou “a escutar Deus”.

 

O Cardeal-Patriarca de Lisboa pediu coerência e testemunho de vida aos paroquianos que assumem responsabilidades organizativas na paróquia de Santo António dos Cavaleiros. “A nossa missão é anunciar! E anunciar não é só pelo discurso, é pelo testemunho de vida”, assegurou D. José Policarpo, num encontro que decorreu no passado dia 31 de Maio, no âmbito Visita Pastoral à Vigararia de Loures-Odivelas.

No salão paroquial, o Patriarca de Lisboa pediu a estes responsáveis para serem testemunhas ousadas e lembrou a programação do próximo ano pastoral. “O Santo Padre quis assinalar os 50 anos do Concílio Vaticano II com o Ano da Fé, que terá início em Outubro deste ano. Toda a nossa programação pastoral vai reflectir três aspectos: o Concílio Vaticano II, o Ano da Fé e a nova evangelização. Não são três assuntos, é o mesmo! São três aspectos do mesmo desafio, que é o de sermos autenticamente cristãos no momento que estamos a viver! Temos que ter a ousadia de sermos testemunhas, num mundo que mudou!”.

O Cardeal-Patriarca, a exemplo do que tem feito nos últimos encontros desta visita pastoral, citou depois a recente Carta Apostólica de Bento XVI, ‘Porta da Fé’. “O Santo Padre, neste documento onde convoca o Ano da Fé, diz uma coisa muito bonita, logo no princípio, que para mim, de certo modo, foi uma surpresa: a fé é uma porta! Lembrei-me logo de uma frase de Nosso Senhor no Evangelho, que diz ‘Eu sou a porta’. Isto significa que a fé é uma adesão a Jesus Cristo”. Para D. José Policarpo, a porta da fé apresenta um longo caminho e traz uma perspectiva da vida completamente nova. “Costumo dizer aos jovens que acreditar em Jesus Cristo a sério põe a nossa vida de ‘pernas para o ar’. Ter a coragem de atravessar essa porta, para percorrer esse caminho, é algo que só é possível com a ousadia do Espírito Santo. Alguns hesitam: olham para um lado, olham para outro… há muitos que entram, dão um passo, mas depois… A porta da fé é uma porta que se tem de atravessar muitas vezes, sobretudo quando o caminho se torna mais exigente”, assegurou, apontando as pistas que o Papa sublinha na carta apostólica para percorrer este caminho: a “escuta da Palavra de Deus”, a “força sacramental da Igreja”, a “oração pessoal” e o “testemunho”. “A grande força da evangelização da Igreja acontece quando todos os membros do Povo de Deus, nos sítios onde estão, dão testemunho da maneira como vivem, como reagem às coisas, como interpretam a vida, nas posições que tomam, em nome de Jesus”, assegurou.

 

Igreja sobrenatural

Dirigindo-se aos membros do conselho pastoral, conselho económico e secretariado de acção pastoral da paróquia de Santo António dos Cavaleiros, o Cardeal-Patriarca falou ainda da dimensão sobrenatural da Igreja. “Não me interessa uma Igreja que seja apenas uma ‘sociedade’ bem organizada, com trabalho bem feito, que os políticos respeitam – é bom que seja assim, mas não por isso! A Igreja que Nosso Senhor quer é uma Igreja sobrenatural! É um movimento do Espírito. É uma realidade que brota da Páscoa! É uma realidade em que eu acredito antes de a fazer!”, garantiu.

Salientando que Santo António dos Cavaleiros é uma comunidade paroquial que conhece muito bem, D. José Policarpo referiu-se também à importância da catequese: “A catequese começa na primeira infância e acaba uns dias antes da morte. Deve-nos acompanhar toda a vida! Nos documentos actuais da Santa Sé sobre a catequese, o modelo inspirador da catequese não é a das crianças e dos jovens, é a dos adultos, nas suas diversas formas. E é uma catequese vista como iniciação cristã, como um mergulhar no mistério cristão”. Apontando que a Igreja “tem feito progressos” nesta linha, o Patriarca de Lisboa justifica-os com “a qualidade dos catequistas e o esforço de formação” que a Igreja tem feito nos últimos anos. Neste sentido, questionou: “Sabem quantos catequistas há na Diocese de Lisboa? Passam de 10 mil, neste momento! Eles são comunicadores da fé, não são ensinadores de uma doutrina. Os catequistas têm que ser iniciadores da fé, têm que ser testemunhas da fé”.

 

Não adormecer sem um pensamento para Deus

Foi precisamente o tema da catequese que levou o Bispo Auxiliar de Lisboa D. Nuno Brás à paróquia de Santo António dos Cavaleiros, na manhã de sábado, dia 2 de Junho. Primeiro para um encontro apenas com os pais e catequistas, onde convidou os pais a serem os primeiros anunciadores da fé. “Ao contrário dos dentes, o cristianismo não nasce naturalmente. O cristianismo não nasce connosco, mas de ouvir a Palavra de Deus. E não me refiro apenas a ouvir a Sagrada Escritura, mas a ouvir falar de Deus, ouvir testemunhar a pessoa de Jesus”. Para a grande maioria das pessoas, sublinhou, “é a família que está por detrás da vida de fé”. Neste sentido, “as crianças que nascem num ambiente cristão, recebem da família o primeiro testemunho da vida cristã”. Perante mais de 100 pais de crianças e adolescentes da catequese, D. Nuno Brás lembrou depois que “cabe aos pais dar os ‘rudimentos’ da catequese, ensinar a benzer, ensinar as primeiras orações, não deixar os filhos adormecer sem um pensamento para Deus”.

Neste encontro, o Bispo Auxiliar de Lisboa apontou ainda a importância do momento da catequese. “A vida da fé não se vive isoladamente. Há pessoas que dizem ‘Eu tenho a minha fé’, mas outra coisa é a fé da Igreja! Outra coisa é eu ter a certeza que esta fé que eu vivo não é simplesmente minha! É a fé de Pedro, é a fé de Paulo, é a fé dos apóstolos! É a fé dos santos! E isso não é qualquer coisa que vivamos sozinhos, que vivamos individualmente”. Observando, por isso, que “a fé se vive comunitariamente, em Igreja”, D. Nuno Brás lembra que “é por este motivo que é importante que os filhos venham à catequese”.

Aos pais, o Bispo Auxiliar do Patriarcado sublinhou ainda ser importante “que não contradigam com a sua vida aquilo que as crianças aprendem na catequese”. Em especial, D. Nuno referia-se “à dificuldade dos pais em acompanhar os filhos à Eucaristia”. Neste sentido, apelou “a que os pais também aprofundem a sua fé, vivendo e aprendendo a expressá-la”.

 

Meia hora de ‘interrogatório’

Após a ‘reunião’ com os pais e catequistas, seguiu-se o encontro com as crianças da catequese. Na igreja, repleta pelos mais novos da catequese, o Bispo Auxiliar começou por enumerar as atitudes diárias do cristão: “A primeira atitude do cristão é escutar Deus! Depois, é acolher! A terceira atitude é acreditar e finalmente amar! Gostava que vocês vivessem isto todos os dias: escutar, acolher, acreditar, amar”. Seguiu-se um diálogo espontâneo, com os mais pequenos, ao longo de 30 minutos, a interrogarem o Bispo Auxiliar de Lisboa. “Quantos anos tem?”, perguntou o primeiro, entre os risos de pais e catequistas: “Tenho 49 anos”, respondeu D. Nuno. “E qual o seu clube favorito?”, prosseguiu outra criança. “Sou benfiquista”, respondeu, perante um misto de aplausos e assobios. “Mas não tenho preconceitos com os outros clubes. Aliás, lá na Casa Patriarcal somos três Bispos e o Senhor Patriarca é do Sporting, o Senhor D. Joaquim é do FC Porto e eu sou do Benfica!”, acrescentou. As perguntas seguiam-se a um ritmo alucinante: “Qual o seu projecto como Bispo português?”, interroga outra criança, perante a estupefacção de D. Nuno Brás. “Os Bispos são os sucessores dos apóstolos, certo? E qual era o projecto dos apóstolos? Era anunciar Jesus pelo mundo inteiro! Por isso, como Bispo, sou convidado a ser testemunha de Jesus”. A questão seguinte tinha a ver com “o dia-a-dia como Bispo”, a que D. Nuno respondeu: “Para além da oração, o dia é feito de muita coisa: ouvir pessoas, estar muito presente nas reuniões dos sacerdotes e fazer algo muito bonito que são as visitas pastorais como esta!”, salientou o Bispo Auxiliar de Lisboa. “E gosta de ser Bispo?”, perguntou outra criança: “Quando era padre, ensinaram-me uma regra que me tem ajudado muito: nós não fazemos aquilo que gostamos, nós gostamos daquilo que fazemos! Portanto, se Nosso Senhor me chamou para ser Bispo, é isso que eu gosto de fazer!”, garantiu D. Nuno Brás, respondendo de seguida a outra questão: “Que conselho te dou para seguires Cristo? Escutar, acolher, acreditar e amar”. 

 

__________________


Proximidade dos Bispos entusiasma comunidades cristãs

O vigário da Vigararia de Loures-Odivelas considera que a Visita Pastoral, que decorreu ao longo de todo o mês de Maio, teve contornos muito positivos, em especial pelo contacto dos Bispos com as pessoas. “O balanço é positivo, na medida em que o Senhor Patriarca e os seus Bispo Auxiliares, D. Joaquim e D. Nuno, passaram por todas as 14 paróquias da vigararia, contactaram com os diversos grupos, movimentos e conheceram o que é a realidade da Vigararia de Loures-Odivelas”, salientou o padre Ricardo Raínho, sublinhando “o espírito de colaboração entre as diversas paróquias desta vigararia”.

Neste primeiro balanço à Visita Pastoral à Vigararia de Loures-Odivelas, feito aos microfones da emissão especial do Patriarcado de Lisboa no Dia da Igreja Diocesana, este sacerdote carmelita, que é também pároco de Santo António dos Cavaleiros e de Frielas, referiu que “as comunidades cristãs estão entusiasmadas”, em especial devido “à proximidade manifestada pelos senhores bispos, D. José Policarpo, D. Joaquim Mendes e D. Nuno Brás”.

texto e fotos por Diogo Paiva Brandão, com Nuno Rosário Fernandes
Na Tua Palavra
Não nos separemos d’Ele!
por D. Nuno Brás
A OPINIÃO DE
P. Gonçalo Portocarrero de Almada
Outubro ficará na história da Igreja em Portugal por dois principais motivos: a entrada, para o colégio cardinalício, de D.
ver [+]

Guilherme d'Oliveira Martins
Se houve nas últimas décadas uma cristã militante social da maior relevância, exemplo do compromisso...
ver [+]

Visite a página online
do Patriarcado de Lisboa
Galeria de Vídeos
Voz da Verdade
EDIÇÕES ANTERIORES