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7º Encontro Mundial das Famílias
“A família é a primeira escola de humanidade”
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Cerca de um milhão de pessoas, vindas de todo o mundo, estiveram no aeroporto de Bresso, na cidade de Milão, onde o Papa Bento XVI celebrou a Missa de encerramento do 7º Encontro Mundial das Famílias. De 30 de Maio a 3 de Junho famílias de 153 países estiveram naquela cidade no norte de Itália para um encontro mundial onde se concluiu que a actual crise é, também, “antropológica e cultural”, e onde Papa sublinhou a importância da Igreja doméstica.

 

A cidade de Filadélfia, nos Estados Unidos da América, vai receber, em 2015, o 8º Encontro Mundial das Famílias. O anúncio foi feito pelo Papa Bento XVI, em sete línguas diferentes, durante a oração do Angelus, já após ter terminado a celebração da Eucaristia a que presidiu no Aeroporto de Bresso, em Milão, e que marcava o encerramento do 7º Encontro Mundial das Famílias. Durante cinco dias, aquela cidade da região da Lombardia, recebeu este encontro mundial promovido pelo Pontifício Conselho para a Família, e de cuja preparação, no próprio lugar, o jornal VOZ DA VERDADE deu conta, há um mês atrás.

 

Alargar a visão do homem

Subordinado ao tema ‘A Família: o trabalho e a festa’, inserido no programa deste encontro mundial decorreu um congresso teológico pastoral, com a mesma temática, onde se concluiu que “a actual crise, que preocupa os povos e os governantes, não é apenas uma crise económica, mas também e mais profundamente, uma crise antropológica e cultural”. Nas conclusões deste congresso, apresentadas pelo presidente do Pontifício Conselho para a Família, o cardeal Ennio Antonelli salienta que “neste contexto cultural, em que a pessoa é reduzida a indivíduo, a sociedade a jogo de interesses, a felicidade a prazer, a verdade a opinião, também a família, o trabalho e a festa sofrem reduções e distorções”.

Acusando o facto de a família ser reduzida a “simples coabitação de indivíduos na mesma casa, segundo uma multiplicidade de modelos”, o cardeal Antonelli sublinha que “na convivência procura-se a própria realização e gratificação segundo uma lógica negocial”, onde “se valoriza apenas o enredo dos afectos, estritamente privado”.

Referindo-se à dimensão do trabalho, o presidente do Pontifício Conselho para a Família sublinha que “corre o risco de se tornar uma mercadoria”, e quanto à festa, o risco está em “perder os seus profundos significados e o seu carácter familiar e comunitário”, com tendência em “tornar-se divertimento evasivo e dispersante, deixando espaço ao tempo livre individual”. Por isso, salienta o cardeal Antonelli, “é preciso alargar a visão do homem, passando de indivíduo a pessoa”, e “todas as dimensões da vida devem ser plasmadas pelo amor”.

 

Primado ao amor e à comunhão

Segundo este cardeal italiano, “não só na família e na festa, mas também no trabalho e na economia deve prevalecer a lógica da doação, integrando utilidade e gratuidade”. “Só cuidando da qualidade das relações e restituindo o primado ao amor e à comunhão, a família, o trabalho e a festa poderão reencontrar a sua autenticidade e harmonia”.

Quanto à crise que se vive actualmente, o responsável pelo Pontifício Conselho para a Família refere que, para que esta seja superada, “parece ser necessária, a nível global, uma revolução cultural, antropológica, antes da económica”. Lembrando que “a família é a primeira escola de humanidade”, o cardeal refere que “diante da invasão da comunicação mediática, ocorre intensificar a experiência familiar, torná-la mais bela e significativa”.

 

Domingo confere sentido e beleza à vida

De grande importância são, também, “os encontros periódicos, os grupos e as comunidades de famílias, as redes de espiritualidade, de amizade e de convívio, de colaboração e ajuda recíproca, as associações e os movimentos de formação espiritual e de apostolado, as associações de responsabilidade civil para tutelar a identidade e os direitos das famílias”, observou o cardeal Antonelli.

Ao sublinhar que “o contributo mais específico das famílias para o sistema económico consiste na formação de capital humano” – “necessário para as empresas como o capital financeiro e tecnológico” –, o cardeal Ennio Antonelli assinala que a procriação dos filhos, “futuros cidadãos e futuros trabalhadores”, é “um investimento a longo prazo, necessário à reprodução da sociedade”. Nesse sentido, a sua educação, para além do valor moral, “tem valor, também, para o funcionamento do sistema económico”.

Sobre a dimensão da festa que, para os cristãos, “é por excelência o Domingo, Dia do Senhor e da Família”, o cardeal Antonelli realça que, esta “é uma experiência comunitária”, e por isso “não se pode fazer festa sozinho”. “O Domingo, refere, se é bem celebrado, confere sentido e beleza também à vida do dia a dia”.

 

Papa lembra famílias separadas

Na Missa de encerramento deste encontro mundial, o Papa Bento XVI manifestou a sua proximidade junto das famílias reconhecendo que a sua vocação “não é fácil de viver, de modo especial, hoje”, mas deixou também uma palavra de alento, garantindo que “o amor é a única força que pode verdadeiramente transformar o mundo”. Convidando as famílias a “evangelizar não apenas pela palavra mas pela ‘irradiação’, com a força do amor vivido”, o Papa sublinhou que na medida em que “as famílias viverem o amor recíproco”, tornar-se-ão “um Evangelho vivo, uma verdadeira Igreja doméstica”.

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