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III Fórum Europeu Católico-Ortodoxo
“O homem europeu terá a alegria de reavivar as suas raízes cristãs”
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Responsáveis católicos e ortodoxos da Europa consideram que “o cidadão dos nossos países europeus” é o “único agente de mudança capaz de fazer evoluir as nossas sociedade para um novo estilo de vida”. Reunidos em Lisboa para o III Fórum Europeu Católico-Ortodoxo, os participantes deste encontro apontaram ainda o caminho para “reavivar as raízes cristãs da Europa”.

 

O Fórum foi acolhido pelo Cardeal-Patriarca de Lisboa, D. José Policarpo, e os trabalhos foram co-presididos pelo Cardeal Péter Erdő, Presidente do Conselho das Conferências Episcopais da Europa (CCEE) e pelo Metropolita Gannadios de Sassima, do Patriarcado Ecuménico. Em reflexão, entre os dias 5 e 8 de Junho, o tema ‘A crise económica e a pobreza. Desafios para a Europa de hoje’. “Se ele [o cidadão europeu] compreender a necessidade vital duma mudança em relação aos seus hábitos de consumo, os seus representantes nas instâncias parlamentares irão segui-lo, a indústria irá adaptar-se às suas novas escolhas, a educação irá ensinar um novo modelo de cidadania, mais sóbria e mais solidária para com os pobres. Enfim, o homem europeu terá a alegria de reavivar as suas raízes cristãs e de cultivar a dimensão espiritual do seu ser, a única capaz de preencher a sua procura de felicidade e de sentido”, garante o comunicado final.

 

Confiança e esperança

Após a “experiência positiva” dos dois primeiros Fóruns Católico-Ortodoxos [Trento, Itália, 11-14 de Dezembro de 2008, e Rodes, Grécia, 18-22 de Outubro de 2010], os delegados das Conferências Episcopais Católicas da Europa e das Igrejas Ortodoxas da Europa discutiram a questão da crise económica e das suas repercussões na Europa, à luz da fé cristã. “A Europa dos nossos dias atravessa uma crise muito grave. Muitos Europeus estão a sofrer directamente as consequências desta crise: em especial o desemprego, a ausência de perspectivas e de esperança. Os Europeus estão inquietos sobre o seu futuro. As nossas Igrejas acolhem e escutam estes sofrimentos e estas inquietações. Elas desejam dirigir aos seus fiéis e a todos os Europeus uma mensagem de confiança e de esperança. Temos que manter a confiança na Divina Providência e na nossa capacidade de corrigir os erros do passado, e temos  de traçar as linhas dum futuro de justiça e de paz”, asseguram os participantes do III Fórum Europeu Católico-Ortodoxo.

Ao longo da sua história, acrescenta a nota, “a Europa soube mais do que uma vez inverter o curso do seu destino, fazendo apelo aos recursos do pensamento e da moral cristãos, indicados na Bíblia, na tradição patrística e monástica e na doutrina social da Igreja, e que constituem o tesouro partilhado por todos os seus povos”.

 

Comunhão com o Criador

Apontando, depois, que “a mensagem das Igrejas diz respeito ao lugar e ao papel da pessoa humana na criação, na sociedade e na vida económica em particular”, o comunicado salienta: “As Igrejas cristãs ensinam que o homem encontra a sua realização plena em Deus, seu Criador e Salvador. Nada neste mundo pode preencher o homem. Ele é chamado, através da utilização dos bens deste mundo, a descobrir o laço que o une aos outros homens em comunhão com o Criador”. Sob o efeito do processo da secularização, “muitos Europeus se desviaram desta relação constitutiva com Deus, procurando um sentido para a vida unicamente no horizonte terreno”, refere a nota dos participantes. “As ideologias materialistas e hedonistas propuseram-lhes visões redutoras, levando-os a acreditar que a felicidade se podia obter através da acumulação de bens, que a liberdade consistia na satisfação de todos os desejos e que a vida em sociedade podia resultar da conjugação de todos os interesse privados”, lembram.

 

Regresso a Cristo

As Igrejas presentes no III Fórum Europeu Católico-Ortodoxo observam ainda que a crise que atravessamos não é apenas uma crise económica. “Trata-se duma crise moral e cultural e, mais profundamente ainda, duma crise antropológica e espiritual. Se chegámos aqui, foi porque a finança se separou da economia real e porque a economia se separou do controle da vontade política a qual, por sua vez, se desligou da ética. Considerando a nossa experiência da presença viva de Cristo na Igreja, acreditamos que é através do regresso a Cristo, através da abertura ao Espírito Santo e através da fé cristã que os homens de hoje encontrarão uma resposta às suas aspirações mais profundas”, apontam, pedindo à sociedade para se organizar “de forma a estar sempre ao serviço do homem, e não o contrário”.

 

Sair da crise

O III Fórum Europeu Católico-Ortodoxo convidou ainda a uma mudança do estilo de vida. “Se os Europeus querem sair da crise – em solidariedade com o resto da humanidade –, eles devem perceber que têm de mudar o seu estilo de vida. Para o crente, trata-se de renovar uma relação pessoal com o Deus trinitário que é comunhão de amor, uma relação que vai muito além duma simples sabedoria ou duma convicção ética. A crise pode ser ocasião para uma salutar tomada de consciência”, refere o comunicado final.

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