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Comunidade Católica Filipina de Lisboa
A Eucaristia como o centro da fé
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É o único sacerdote das Filipinas presente em Portugal. O padre Jovito Osalvo, de 33 anos, está na diocese há quase cinco anos e é o responsável pela Comunidade Católica Filipina de Lisboa. Uma comunidade que celebrou no passado Domingo, dia 17 de Junho, o aniversário da independência do seu país.

 

Em Portugal vivem actualmente cerca de três mil filipinos. A grande maioria reside na área de Lisboa e todos os Domingos reúne-se na igreja do Corpo Santo, ao Cais do Sodré, para celebrar a Eucaristia. Quem os conhece diz que são profundamente católicos. Aliás, a República das Filipinas, com uma população que ultrapassa os 90 milhões de habitantes, é um país asiático maioritariamente católico (80%).

Começaram a chegar ao nosso país com a passagem de Macau para administração chinesa, em 1999. Ao mesmo tempo, os Missionários do Verbo Divino ambicionavam organizar uma missão dirigida aos cristãos asiáticos. A chegada a Lisboa de um padre verbita das Filipinas foi o passo que faltava para a Comunidade Católica Filipina se constituir enquanto comunidade. Hoje, o padre Jovito Osalvo é o único sacerdote da República das Filipinas presente em Portugal e deseja apenas construir caminho.

 

Ambiente cristão

O padre Jovito nasceu na zona norte das Filipinas, numa terra chamada Ilocos Norte, situada a 400 quilómetros da capital, Manila. Jovito cresceu no seio de uma família cristã. “A minha família é católica desde os anciãos! Antigamente, nas Filipinas, as deslocações eram muito difíceis e recordo-me de ouvir dizer que as pessoas tinham de andar 10 quilómetros de madrugada para irem à Missa”, conta, ao Jornal VOZ DA VERDADE. Jovito perdeu o pai muito cedo, quando tinha apenas dois anos. Tem três irmãs e dois irmãos, mas grande parte da infância foi passada com uma tia. Nas Filipinas, a família tinha uma loja religiosa. “Eu cresci num ambiente de padres e freiras, porque em minha casa tínhamos diariamente religiosos que nos visitavam. Por isso, quando eu era pequenino, os padres e as freiras diziam-me muito: ‘Você vai ser um padre, um sacerdote!’. E a verdade é que não se enganaram!”, recorda.

 

Sem medo

Após a escola básica, o jovem Jovito, de apenas 12 anos, dá, sem saber, um dos primeiros passos rumo à vocação sacerdotal: entra no Seminário Menor da diocese. “Normalmente, nas Filipinas, os pais gostam que os filhos entrem no seminário. Eu recordo-me que não queria ir, mas a minha tia insistiu e hoje vejo que, naquela altura, Deus usou a minha tia como instrumento de vocação”. Depois de quatro anos no Seminário Menor, o futuro padre Jovito entra no Seminário Maior da Congregação do Verbo Divino, situado na capital das Filipinas, Manila. Ordenado no dia 3 de Fevereiro de 2007, Portugal foi o primeiro destino missionário do recente sacerdote verbita, por decisão do superior geral da congregação. “A verdade é que não pensei em nada! Eu não tinha expectativas, apesar de ser a primeira vez que iria sair do meu país!”. Confessa que “não estava assustado” por ir para o ‘outro lado do mundo’ e durante cerca de três meses, até obter o visto para entrar em Portugal, colaborou em algumas paróquias de Manila que estão confiadas aos Missionários do Verbo Divino.

 

Missão inédita

Feitas as malas, a Europa – e mais concretamente Portugal – era o destino deste sacerdote filipino. “Cheguei a Lisboa no dia 12 de Novembro de 2007!”, recorda o padre Jovito.

O inglês é um dos idiomas oficiais da República das Filipinas, juntamente com o filipino (língua baseada no tagalog), sendo que cada ilha e tribo tem ainda o seu dialecto próprio. Por isso, a primeira preocupação do padre Jovito ao chegar ao nosso país foi aprender o português. Meses mais tarde, o provincial dos Missionários do Verbo Divino, padre José Antunes da Silva, lança um desafio a este sacerdote filipino: iniciar uma nova missão com os imigrantes asiáticos. “Este era um sonho da congregação. ‘Como és asiático, não sei se estarás interessado em começar…’, disse-me na altura o provincial!”. Estavam assim lançadas as bases para envolver na pastoral os católicos asiáticos. “A 28 de Setembro de 2008, iniciámos formalmente a nossa missão com os imigrantes e começámos com os filipinos que vivem em Lisboa!”, aponta o padre Jovito.

 

Reunir no Corpo Santo

Na embaixada das Filipinas em Portugal, o padre Jovito Osalvo conheceu a realidade da presença filipina em Lisboa. “Os filipinos estão um pouco dispersos: Almada, Cascais, Sintra, Vila Franca de Xira”. Ao mesmo tempo, observa, os filipinos são católicos praticantes, por isso havia que descobrir onde celebravam a Eucaristia. “Faz parte da vida dos filipinos ir à igreja no Domingo. E a verdade é que, antes da capelania, os filipinos já se reuniam na igreja do Corpo Santo, em Lisboa, porque esta é uma igreja onde se celebra a Eucaristia na língua inglesa”. Após conversa com o reitor deste templo, ficou definido que a Comunidade Católica Filipina passava a celebrar na igreja do Corpo Santo aos Domingos, às 12h15. “Desde essa altura, todas as actividades espirituais dos filipinos são no Corpo Santo. A Eucaristia é celebrada na nossa língua nacional, o tagalog, e junta semanalmente cerca de 150 filipinos”. Segundo refere o responsável por esta comunidade estrangeira, a Comunidade Católica Filipina abrange perto de 400 pessoas; contudo, devido aos seus empregos, nem todos conseguem ter folga ao Domingo. “Especialmente os homens, que trabalham nos hotéis e restaurantes”, conta.

De acordo com este missionário, a escolha de Portugal, por parte dos filipinos, na busca de uma vida melhor, está relacionada com Macau. “Quando o Governo português passou Macau para administração chinesa, muitos portugueses regressaram e trouxeram consigo os filipinos”. Segundo conta, as mulheres estão em maioria, trabalhando sobretudo no serviço doméstico. “Quando conseguem o visto permanente, alguns filipinos começam a tentar trazer para Portugal a família!”, assinala o padre Jovito.

 

Oração, formação, serviço

Para este padre natural das Filipinas, a Igreja tem uma proposta concreta para apresentar aos filipinos. “A missão da capelania centra-se em três áreas: oração litúrgica, formação em doutrina e serviço. A Eucaristia é o centro da nossa fé! É aí que nos encontramos, que nos reunimos, como uma família, como uma comunidade! Temos também outras actividades espirituais e religiosas: por exemplo, no terceiro Domingo de Janeiro organizamos a ‘Festa do Menino Jesus’, conhecida como Sinulog; em Maio, temos as ‘Flores de Maria’, em que todos os Domingos o povo filipino oferece flores a Nossa Senhora de Fátima e que termina com uma procissão, à volta da igreja, no último Domingo de Maio; e em Setembro temos o dia da comunidade e também a peregrinação a Fátima”. A catequese da infância não é esquecida e actualmente a capelania tem oito crianças filipinas a preparem-se para a Primeira Comunhão.

 

Crescer

A Comunidade Católica Filipina procura também envolver os filipinos na cultura portuguesa. “Temos o problema da integração na sociedade. Por isso, para procurar integrar os filipinos, organizamos visitas a locais culturais de Portugal. O ano passado, por exemplo, fomos à Batalha e a Alcobaça”, destaca o padre Jovito.

A melhor ‘publicidade’ da Comunidade Católica Filipina passa pelo testemunho dos filipinos. O desejo da capelania é construir comunidade. “Nos primeiros dois meses, em Setembro de 2008, éramos só 30 pessoas; depois, com os telemóveis e o ‘passa a palavra’, passámos rapidamente para os 150!”. 

 

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Viver a cultura filipina em Lisboa

A 12 de Junho de 1898 foi declarada a independência das Filipinas sobre a Espanha. Para assinalar esta data, a Comunidade Católica Filipina de Lisboa organiza anualmente, no terceiro Domingo de Junho – para não interferir com as festividades da cidade –, uma grande festa para todos os filipinos. No Seminário dos Missionários do Verbo Divino, em Lisboa, mais de 300 filipinos reuniram-se no passado Domingo, dia 17 de Junho, para viverem um dia repleto de cultura filipina!

A festa começou com a Eucaristia, celebrada na língua nativa. A liturgia, presidida pelo padre Jovito Osalvo, é em tudo semelhante à portuguesa. Todos os momentos solenes da celebração são facilmente entendíveis, mesmo para quem pela primeira vez participasse numa Missa celebrada em filipino. Seguiu-se a inauguração de uma exposição sobre este país asiático. “Organizámos uma exposição cultural para que todos possam conhecer a nossa cultura e o nosso país”, refere, ao Jornal VOZ DA VERDADE, o padre Jovito. A actividade cultural, com dança e música filipina, animou o final da manhã e contou com a presença do cônsul e do director do Sector da Pastoral da Mobilidade do Patriarcado de Lisboa. “Saúdo toda a comunidade filipina. Foi das últimas comunidades estrangeiras que descobrimos em Lisboa, mas que rapidamente se afirmou como uma comunidade extraordinária!”, salientou o padre Delmar Barreiros, lembrando a união da diocese à capelania. “O Senhor Cardeal-Patriarca de Lisboa está a par de tudo o que a comunidade filipina organiza! O Patriarcado está aberto para vos ajudar em tudo o que for possível”, garantiu. A festa da independência das Filipinas prosseguiu com um almoço partilhado onde foi servida comida filipina.

 

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JMJ de Manila… sem sorte!

Manila ficou mundialmente famosa quando, em 1995, recebeu o Papa João Paulo II para as Jornadas Mundiais da Juventude. Um encontro que juntou na capital das Filipinas mais de 4 milhões de jovens. Jovito, então com 16 anos, estava ainda no Seminário Menor da sua terra natal, Ilocos Norte, situada a 400 quilómetros da capital, e não teve a sorte do seu lado… “Eu queria muito ir! Mas o reitor naquela altura só deixou ir dois representantes do seminário e eu não tive a sorte de ser escolhido…”, lamenta, hoje com um sorriso na cara, o padre filipino Jovito Osalvo. “Foi uma grande festa para as Filipinas e foi muito interessante a presença de João Paulo II! Costuma-se dizer que na semana da JMJ não houve crime em Manila!”, observa.

texto e fotos por Diogo Paiva Brandão
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