Ano da Fé |
Novo livro ‘Viver o Ano da Fé’
O que é o Ano da Fé?
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O Ano da Fé, convocado pelo Papa Bento XVI, tem início no próximo dia 11 de Outubro e pretende “dar um impulso renovado à missão de toda a Igreja”. Numa parceria com a Paulus Editora, o Jornal VOZ DA VERDADE faz a pré-publicação da Introdução do livro ‘Viver o Ano da Fé’, preparado pelo Conselho Pontifício para a Promoção da Nova Evangelização, que pretende ser um contributo para a vivência do Ano da Fé.

 

Jesus de Nazaré, o Filho de Deus, nascido de Maria, proclamado na fé o Senhor e Cristo, no decurso da Sua existência fez várias perguntas. Os evangelhos são testemunhas fiéis desse facto. Enquanto caminhava ao longo do lago de Tiberíades, João Batista indicou-o aos seus discípulos como o Cordeiro de Deus. Dois deles seguiram-n’O. Apercebendo-se, Jesus perguntou-lhes: «Que procurais?» (JO 1,38) Poucos dias depois, enquanto participava com a Sua mãe numas bodas nupciais, solicitado por ela a intervir devido à falta de vinho, perguntou-lhe: «Mulher, que existe entre nós?» (JO 2,4) No período seguinte, já mais conhecido em virtude de alguns sinais que tinha realizado numa aldeia da Galileia, foi chamado pelo desespero de um pai angustiado com a doença estranha do filho. Àquele pai perguntou: «Há quanto tempo lhe sucede isto?» (MC 9,21) Pouco antes de realizar o seu sinal, talvez o mais grandioso, na aldeia de Betânia, sabendo bem o que ia fazer, voltou-Se para Marta, a irmã do defunto Lázaro: «E todo aquele que vive e acredita em Mim nunca morrerá. Acreditas nisto?» (JO 11,26) E, contudo, uma de entre todas estas perguntas continua a ser a mais importante. Foi aquela dirigida aos Seus discípulos numa região distante de Jerusalém, em Cesareia de Filipe: «Quem dizem os homens que é o Filho do Homem?» Perante as respostas genéricas recebidas, Jesus insistiu novamente com os discípulos: «E vós, quem dizeis que Eu sou?» A resposta clara e decidida de Pedro, também em nome dos outros, foi: «Tu és o Messias, o Filho do Deus vivo.» (MT 16,13-16)

Em 11 de outubro começa o Ano da Fé. Se é verdade que na vida se torna necessário fazer a síntese em tantas coisas, o mesmo se deve dizer para a fé. Ela consiste em deixar-se interpelar por Jesus, agora e sempre, do mesmo modo e com as mesmas palavras: «E vós, quem dizeis que Eu sou?» Devemos também nós responder como os discípulos: «Tu és o Cristo!» É a partir desta resposta e, sobretudo, desta consciência, a qual certamente remonta ao tempo histórico em que nasceu, viveu e ressuscitou Jesus de Nazaré, que nasceu a fé cristã. Se, morto o último Apóstolo, a comunidade dos crentes em Cristo já cheia de vivacidade não tivesse sabido desta pergunta nem tivesse fundado a sua existência nela, seguramente, não se teria desenvolvido aquele rápido e consistente crescimento de um movimento que chegou até nós e a que chamamos Cristianismo. Aquela comunidade, desejada pelo próprio Cristo, chamou-se Igreja para indicar um grupo de muitos reunidos. Ao longo da história viveu momentos decisivos, sobretudo amadurecendo a sua fé nos grandes concílios que levaram à formulação dos vários símbolos da fé.

Em suma, a partir daquela pergunta inicial de Jesus e da resposta decidida de Simão, devemos deixar-nos guiar durante um ano. Parece pouco, mas não é. Com efeito, aquela pergunta traz outras que devemos colocar a nós próprios com seriedade: Creio em Cristo? Creio na Sua existência histórica e na Sua ressurreição? Creio que Ele veio de Deus para ser Deus no meio de nós? Creio que a Sua palavra é Palavra de Deus que traz consigo a resposta às perguntas sobre o sentido da vida? Creio que nada de mais belo me possa acontecer do que tornar-me cristão? E ainda: Acreditando nisto, a minha vida torna-se mais certa? É mais equilibrada? Está mais consciente do seu sentido? Vive melhor a dor? É uma vida que espera? É uma esperança que se vê? É uma esperança que se contagia? Se o meu corpo, como de facto acontece, pode envelhecer e perder um pouco de saúde, será que aconteceu algo de semelhante à minha fé? Precisa de terapia, a minha fé? Ainda é capaz de constituir um organismo no qual se mantêm vivas as defesas imunitárias? Tem ainda tamanha energia que o capacita para devolver ao remetente todas as cartas explosivas que chegam de não poucos inimigos da própria fé, um dos quais é certamente a preguiça?

Estas perguntas, que a consciência nos põe, já iluminada pela nossa fé, devem tornar-se ocasião de resposta para todos os que, com um cansaço de serem crentes ou com um compreensível desafio por estarem afastados da fé, perguntam – talvez inconscientemente – ao próprio Cristo: «Quem és Tu?» (JO 8,25) Às vezes aquela pergunta é mais dura: «Quem é que pretendes ser?» (JO 8,53) Na verdade, a experiência mostra-nos que, com frequência, por detrás de semelhantes modos de enfrentar a própria busca, se escondem dores, vinganças, rancores, problemas que a vida ainda não apaziguou. Assim, o Ano da Fé parte precisamente desta consciência: se é Deus que guarda a fé, nós somos os seus administradores e, como bons operários do Evangelho, é preciso entrar naquela saudável “ânsia” que acende a nossa mente e dá vigor às nossas iniciativas. O Ano da Fé proposto pelo Papa é paradoxalmente a iniciativa mais simples, seguramente a mais natural que se pode propor, não só nos tempos que correm de uma certa calamidade para a fé, mas tudo somado sempre. É certo que, muitas vezes, nos chegam do alto propostas pastorais que, apesar de bem estudadas e com uma lógica evangelizadora, às vezes surpreendem, porque parecem mais do que óbvias, quase adquiridas, provocando em nós a reação de quem vê nelas uma simples repetição de coisas já feitas e que não tocam a substância dos problemas quotidianos, que a pastoral ordinária, ao invés, deve enfrentar. De outubro em diante, pelo contrário, é-nos pedido para tomarmos em consideração de um modo apaixonado o caso sério da fé.

Um primeiro motivo é que essa proposta convida a voltar a verificar se verdadeiramente tudo o que fazemos e, antes ainda pensamos, na nossa comunidade, se relaciona realmente com a fé. É-nos pedido um sério exame de consciência para verificar se a proposta pastoral tem ainda uma densidade própria, se é original apesar de conservar os conteúdos imutáveis, se é clarividente e consegue ainda provocar o nosso contemporâneo.

Um segundo motivo, como consequência, é que, pelo menos durante um ano, nos é pedido para dedicarmos todos os nossos esforços à explicação e ao revigoramento da fé. Não podemos fazer desta atitude simplesmente uma “montra”. Não podemos fingir que anulamos tudo o que está para trás ou, ainda menos, deixar crescer a perigosa sensação de termos errado em tudo até agora e de finalmente termos encontrado a pedra angular da nossa harmonia pastoral. Claro que, como evangelizadores inteligentes, podemos fazer a pergunta a nós próprio: Não poderíamos fazer qualquer coisa diferente? Talvez até mais? Não poderíamos procurar inventar alguns planos ou pistas de trabalho, para retomar esquemas antigos? Talvez pudéssemos procurar “perfurar” aquela tela difícil, a qual tantas vezes nos separa dos adultos que, muito provavelmente, são os mais gravemente ausentes das nossas comunidades e, também os que, nem sempre por sua responsabilidade, ignoram a beleza da fé cristã?

Talvez se trate precisamente disto: da beleza. O Ano da Fé pode ser vivido por nós com a mesma atitude de quem consente a si próprio, pela primeira vez, ir ver qualquer coisa de belo. Acima de tudo, somos chamados a isto, a partir da autoapresentação que Jesus faz de si próprio: «Eu sou o belo1 pastor.» (JO 10,11) Nem sempre estamos concentrados na beleza. Muitas vezes, estamos mais concentrados na eficiência e na necessidade de prestar contas. Também a organização pastoral impõe tempos e modalidades que frequentemente nos afastam do essencial. O Ano da Fé deve convencer-nos, em primeiro lugar a nós próprios, de quanto é belo ter fé. E, naturalmente, darmos testemunho disso. Por este motivo, antes de mais, é celebrada. A fé, especialmente com o Credo, pode parecer um terreno árido se não é celebrada. Se não se torna oração, não permite nem uma reflexão razoável, nem sobretudo oração e contemplação. Também nisto adquire valor o antigo adágio cristão: Lex credendi, lex orandi, «o que se acredita é o que se reza».

 

1 N.T.: A palavra utilizada no texto grego do Evangelho é kalos, a qual está mais próxima de “belo” do que do tradicional “bom”. Jesus quer dizer que aspira a ser o pastor único e incomparável, ou seja, o verdadeiro pastor, aquele que realmente tem o direito de ter esse nome, porque dá a sua vida pelo rebanho, para que nada se perca. O significado de kalos qualifica o pastor como verdadeiro, bom, digno de louvor. Trata-se de uma beleza inseparável da verdade e da bondade. Cf. GRUNDMANN, W. (1969). kalo,j. In: G. Kittel – G. Friedrich (eds.). Grande Lessico del Nuovo Testamento V. Brescia: Paideia, , c. 40-42.

 

 

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Logótipo

O logótipo que vai marcar todos os eventos do Ano da Fé tem representado um barco, imagem da Igreja, navegando sobre as ondas. “O mastro é uma cruz que iça as velas e que, com sinais dinâmicos, formam o trigrama do nome de Cristo (IHS). No fundo das velas é representado o sol associado ao trigrama, que remete para a Eucaristia”, referiu o presidente do Conselho Pontifício para a Promoção da Nova Evangelização, D. Rino Fisichella, na apresentação do logo deste ano convocado pelo Papa.

 

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Site e hino

Já está, também, em funcionamento o site que vai estar disponível em várias línguas, no endereço www.annusfidei.va. A página foi projectada de forma inovadora e pode ser consultada através de todos os dispositivos móveis e tablet.

O hino oficial do Ano da Fé está também pronto, com o título ‘Credo, Domine, adauge nobis é fidem’. Segundo D. Rino Fisichella, este “é o refrão que ecoa como uma invocação ao Senhor para que em todos nós aumente a fé, sempre tão fraca e necessitada da sua graça”.

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