Domingo |
À procura da Palavra
Cortar o quê?

DOMINGO XXVI COMUM Ano B

"Se a tua mão é para ti

ocasião de escândalo, corta-a."

Mc 9, 43

 

Não há dia que passe sem ouvirmos falar de novos cortes. São os da economia (que tanto determina as nossas vidas) e muitos são necessários, mas a realidade mostra o escândalo de “podadores” atados a mil interesses e de “ricos e poderosos” a pouco sofrerem com estas razias. Porque é mais fundo que é preciso cortar : na inconsciência e na irresponsabilidade, na corrupção e no desrespeito pelo bem comum, no acomodamento e benesses que são vergonhosas. E tem de começar por nós próprios, pois “quando não vivemos segundo o que pensamos, acabamos por pensar segundo o que vivemos”!  

Temos aqui, no pátio da igreja, um lindo e enorme plátano, que cresce por entre os edifícios. Tem sido corajoso e lembra-nos como a natureza é forte. Mas os seus ramos já quase entram pelas janelas e vai ser preciso dar-lhe uma poda. É preciso mão de gente experimentada para não lhe causar a morte. E também há um tempo propício para isso. Viver implica sabedoria para escolher o que deve crescer e o que tem de se cortar. Por causa de um “sim” são precisos vários “nãos”. Que os digam os pais e os educadores. E quando se perdem as referências e valores, quando “tanto faz” ou “todos fazem” se tornam os critérios dominantes, mais difícil será a “poda”. Que “matagal” de negociatas e enriquecimentos ilícitos, de exploração dos bens que são de todos e oportunismos será preciso cortar para voltar a encontrar consciências dignas e responsáveis?     

As chocantes palavras de Jesus quanto ao escândalo não são argumento para desatar a cortar mãos e pés e a arrancar olhos. Esse seria um beco sem saída. E imediatamente arranjaríamos candidatos a tal castigo, sem nos incluirmos no mesmo. É tão fácil ver o mal nos outros! O que verdadeiramente custa é a mudança dos comportamentos, pois nem as mãos, os pés, ou os olhos agem por vontade própria. O que faço com eles, e com o corpo que também sou, é que me define e identifica. É de dentro para fora que me exprimo como pessoa. E é dentro que assumo quem sou e quem quero ser! Nesse santuário que é a consciência de cada um se decide o que queremos, e escutamos, ou não, a voz de Deus! Não creio que se possa cortar a consciência, mas parece que é possível deformá-la e aprisioná-la por comportamentos que desumanizam, por escolhas que escandalizam e contagiam. Nunca ouvimos falar de “pecados sociais”?

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