Lisboa |
Paróquia de Nossa Senhora de Fátima, em Lisboa, assinala 75 anos
Criar comunidade numa dinâmica de evangelização
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É uma paróquia que está situada nas chamadas avenidas novas de Lisboa e que assinala, ao longo do próximo ano, os 75 anos da igreja. Envolver as pessoas na comunidade, fazendo uma evangelização de proximidade, é o desafio maior da paróquia de Nossa Senhora de Fátima.


Está presente na paróquia de Nossa Senhora de Fátima, situada bem junto à Av. de Berna em Lisboa, desde há quatro anos e desde o primeiro dia que o desafio se mantém: criar comunidade. “O desafio é a chamada evangelização de proximidade! Convidar as pessoas a conhecerem os vizinhos e a criarem laços com eles”. O cónego Luís Alberto Carvalho chegou a esta paróquia situada nas chamadas avenidas novas de Lisboa vindo de uma realidade rural – Sobral de Monte Agraço e Arruda dos Vinhos –, onde toda a gente se conhecia. “É obvio que a cidade é diferente da ruralidade e não se pode chegar às pessoas da mesma maneira, porque a cidade tem outros ritmos, tem uma mobilidade diferente. Mas a cidade não está condenada a ser assim. Quando nos confrontamos com uma realidade, não é para alimentar essa realidade, sobretudo se descobrimos que essa realidade não está a viver ao ritmo do Evangelho”, garante este sacerdote ao Jornal VOZ DA VERDADE. “O célebre anonimato da grande cidade nunca é uma coisa boa. Eu posso achar que isso é uma característica que o viver em meio urbano proporciona, mas tenho que fazer tudo para o evitar”, assegura o pároco de Fátima, indicando o caminho: “Na cidade, o conhecimento da realidade é muito importante para percebermos como chegar às pessoas. Mas não nos podemos esquecer que temos de chegar às pessoas! E nós não chegamos às pessoas se não fizermos comunidade!”.


A relação entre as pessoas

A paróquia de Nossa Senhora de Fátima está em festa, com a comemoração dos 75 anos da igreja, que coincide também com os 75 anos da paróquia. Em 1938, a construção da igreja de Fátima “foi fundamental” para o crescimento desta zona da cidade de Lisboa e teve “um impacto muito grande” na população. “Este era um local habitacional enorme, que contava apenas com a igreja de São Sebastião da Pedreira. A igreja de Fátima foi inaugurada em Outubro de 1938 e nos primeiros anos havia 700 baptismos anuais! Isto mostra também a dimensão populacional que havia na zona”, conta o cónego Luís Alberto, lembrando o papel do cónego Abranches “que foi o grande pároco de Fátima e que esteve talvez cerca de 50 anos na paróquia”. A preocupação em criar comunidade é um desafio diário do actual pároco de Nossa Senhora de Fátima e do diácono permanente Tomaz Ferraz Machado de Lima. “Temos feito um trabalho interessante, creio eu, nesta vertente de conseguir criar comunidade! Quando digo criar comunidade não é que ela não existisse antes, mas é numa dimensão da relação entre as pessoas, do auto-conhecimento, no sentido de se reconhecerem mutuamente, não apenas de saberem quem são, mas conviverem”. Segundo este sacerdote, que é também director espiritual do Seminário dos Olivais, a criação de comunidade deve sempre olhar a evangelização. “Criar comunidade, com a consciência que não se pode viver virado para dentro. A comunidade que o é de verdade é sempre evangelizadora”.


Paroquianos ‘triplicam’ durante o dia

Nossa Senhora de Fátima é uma freguesia do concelho de Lisboa, com cerca 15.300 habitantes, segundo os Censos de 2011. “À primeira vista podemos pensar que esta é uma freguesia mais envelhecida do que a maioria, mas a verdade é que temos zonas que estão a receber muitos casais novos, como os prédios da EPUL, em Entrecampos, ou o Bairro de Santos”. Esta renovação populacional, segundo o pároco, nem sempre tem reflexos imediatos na vida comunitária da paróquia, porque “os casais ‘mais praticantes’, por vezes, estão ainda ligados às paróquias de origem, enquanto outros estão na fase de integração”. O cónego Luís Alberto salienta, porém, que esta freguesia das avenidas novas de Lisboa já teve uma população em muito maior número: “Nestes anos todos, decresceu muito o número de habitantes. Em toda esta zona, praticamente tudo o que é rés-do-chão foi transformado em loja, serviços, bancos, e depois há também prédios inteiros de advogados ou de empresas”. O pároco de Nossa Senhora de Fátima diz, por isso, que a sua paróquia acolhe milhares de pessoas por dia. “Durante o dia, temos claramente o triplo de paroquianos em relação àqueles que moram cá”, assegura. A igreja paroquial é um pólo de paragem para muitos. “Conseguimos manter a igreja aberta durante praticamente o dia inteiro! Abrimos às 8h da manhã até às 14h – prolongámos o horário da manhã porque chegámos à conclusão que há muita gente que passa por aqui à hora de almoço – e no período da tarde entre as 16h e as 20h”. Em termos celebrativos, a paróquia de Nossa Senhora de Fátima tem a comunidade da igreja paroquial, junto à Av. de Berna, e a da igreja de Nossa Senhora das Dores. “Era uma paróquia, mas nunca teve independência real e efectiva relativamente aqui a Fátima. Tem uma igreja muito recente, por necessidade de haver um espaço de celebração. É uma comunidade que tem também um centro de catequese”, conta o pároco. No espaço geográfico da paróquia de Fátima há ainda uma comunidade religiosa feminina. “Temos também uma espécie de capelania, que são as Irmãs Franciscanas do Campo Pequeno, que também distribui o nosso boletim paroquial”.


Dinâmica comum de caminho

Na paróquia de Fátima, a catequese está dividida em dois dias. “A catequese está concentrada à quarta-feira, ao final da tarde, e ao Domingo, antes da Missa das 19h”. A catequese nesta paróquia tem a particularidade de assentar numa proposta diferente para os jovens. “Até ao 6º volume, temos a ‘catequese normal’. A partir daí, foi criada uma dinâmica mais ao estilo de grupo de jovens. A relação com o catecismo já não é tão grande e por vezes seguem outros percursos. Os adolescentes fazem os restantes quatro anos, sendo crismados no 8º ano”, refere o pároco, salientando que esta decisão foi tomada após a observação que foi sendo feita: “Esta não foi uma ideia pré-concebida. Nasceu fruto da verificação que, a partir do 6º ano, quando eles fazem a Profissão de Fé, havia muito pouca gente, o que é desmotivante para os jovens. Por isso, tive de ‘juntar tudo’ numa dinâmica comum de caminho”. Domingo à tarde, os jovens e adolescentes da paróquia animam a Eucaristia das 19h. “Tem-se conseguido criar um ambiente forte, com a participação de mais gente e as crianças a assumirem mais a celebração”. Os números dizem que até ao 6º ano a paróquia tem cerca de 100/120 crianças. “Há muitas crianças que vêm à paróquia com a família, mas que tem catequese nos colégios”, salienta o pároco, indicando em trinta o número de jovens na proposta de catequese para os mais velhos. “A esperança, que é sempre a última a morrer e que para nós nunca morre, não se deixa abater por números! O caminho é lento, mais lento do que aquilo que gostávamos, mas há sinais positivos e há uma certa história que começa a ser feita com os adolescentes!”, garante. Para os adultos, este ano a paróquia organizou uma proposta sobre o Credo, a propósito do Ano da Fé. Depois, há ainda a catequese para os adultos que fazem a preparação para receber os sacramentos da iniciação cristã - Baptismo, Confirmação e Eucaristia.


Encontros para casais novos

No final do ano passado, a paróquia de Fátima fez uma proposta aos casais novos. “O objectivo era procurar descobrir as necessidades destes casais. Os encontros, que se vão manter neste novo ano pastoral, foram organizados de forma a que não fossem apenas conferências a que vêm assistir, mas haja partilha e debate”, frisa o cónego Luís Alberto, apontando que este grupo “tem casais muito ligados à Igreja, mas que recebe também outros cuja ligação é ainda muito ténue”. O agrupamento de escuteiros – com cerca de uma dezena de dirigentes para 60 elementos – anima a Missa das 19h de sábado. A Associação Guias de Portugal está também presente nesta paróquia e conta com cerca de 60 guias. O movimento Vida Ascendente tem a sede nacional na paróquia e conta com vários grupos que reúnem periodicamente. Estão também presentes o Movimento Esperança e Vida e as Famílias de Nazaré. O Curso Alpha já foi realizado em dois anos seguidos, “mas este ano, com o Ano da Fé e as comemorações dos 75 anos, não será possível organizar o curso”. A paróquia de Fátima tem também um convívio de terceira idade, “com um grupinho a quem é fornecido um lanche”.


Caridade e acolhimento

As dificuldades económicas, agravadas pela crise, também se fazem sentir nos paroquianos de Fátima. “Temos muitas carências, com as duas facetas: a chamada pobreza envergonhada e a outra muito visível. O re-food – que redirecciona refeições (sobras) para pessoas que passam fome – nasceu aqui, à sombra da igreja, com praticamente todos os voluntários a serem paroquianos. Não temos centro social e por isso prestamos um apoio de contacto directo, com o Banco Alimentar e os vicentinos. A distribuição de roupa foi recentemente remodelada e transformada numa loja solidária, que vai abrir por estes dias no espaço da paróquia”. Para este ano comemorativo, a paróquia tem como projecto a renovação do espaço de acolhimento. “Procurámos criar esse espaço no antigo cinema Berna. Actualmente esse espaço está muito agradável e agora, com a abertura das comemorações, vai funcionar uma exposição sobre os 75 anos da paróquia; depois recebe a venda de Natal e, a partir de Janeiro, o desejo é fazer do espaço uma sala de estudo e de acolhimento para os jovens. No fundo, queremos aproveitar o facto de termos mesmo em frente um pólo da Universidade Nova e aproveitar também o facto de muitos estudantes residirem por aqui, em quartos e residências universitárias”, observa o pároco.


O Céu aqui

Setenta e cinco anos passaram desde a construção da igreja de Fátima, em Lisboa. Neste Ano da Fé, os ‘olhos’ da paróquia continuam focados na evangelização, segundo o cónego Luís Alberto. “Em relação aos que vêm à Igreja, o grande desafio é ajudá-los a perceber que o Céu começa já aqui, na qualidade da vida comunitária que têm. E ajudá-los a perceber que ninguém pode estar no Céu – ou seja, em sintonia de coração com Deus – sem se preocupar com o irmão que não conhece este tesouro que é a fé. Acredito que quando estou a criar comunidade, estou sempre a criar uma dinâmica de evangelização, de multiplicação do anúncio!”, refere o pároco de Fátima.


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75 anos são oportunidade de evangelização

A preocupação da missão na paróquia de Fátima está, este ano, muito ligada aos 75 anos da igreja. “Temos aqui um monumento muito lindo e apelativo para visitar! Por isso, na comemoração dos 75 anos da igreja de Fátima, organizámos concertos, visitas guiadas e elaborámos diversos elementos em que, além da informação cultural, há um conjunto de notas que dão a conhecer a Igreja viva que está dentro deste espaço”, refere o pároco, cónego Luís Alberto. Neste ano comemorativo, a paróquia vai também organizar um ciclo de conferências sobre a igreja de Fátima, que depois serão editadas numa monografia. “Propomos temáticas que vão procurar focar o aspecto artístico, da arquitectura, das artes, dos vitrais, das pinturas da igreja, mas há também uma conferência sobre a dimensão litúrgica. Além dos paroquianos, contamos ter gente muito interessada do ponto de vista da arquitectura e das artes, e que se calhar está longe de uma vivência cristã. Pretendemos através da cultura chegar à dimensão da fé”, observa este sacerdote. O início das comemorações – que se prolongam até Outubro de 2013 – está marcado para este Domingo, dia 14 de Outubro, às 12h, com a Missa presidida pelo Cardeal-Patriarca, D. José Policarpo, onde serão entregues os oratórios às famílias e benzidas imagens de Nossa Senhora. Às 16h será inaugurada a exposição ‘75 anos da Igreja de Fátima’ e uma hora depois decorre um concerto comemorativo. “Além daquela que procuramos que seja a evangelização diária de testemunho de cada um, há um conjunto de iniciativas onde explicitamente está por trás o ‘aproveitamento’ das comemorações da igreja, para alargarmos o leque dos destinatários”, garante o pároco de Fátima.

texto por Diogo Paiva Brandão; fotos por Diogo Paiva Brandão, paróquia de Fátima
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