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Ano Europeu do Envelhecimento Activo e da Solidariedade entre Gerações
Envelhecer é desejar estar disponível para o serviço e a missão
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Maria Raquel Ribeiro dá nome ao recém-criado Prémio Envelhecimento Activo. Com 87 anos, esta assistente social natural da paróquia do Cadaval diz ao Jornal VOZ DA VERDADE que “envelhecer é dar graças a Deus pelo dom da vida, estar atenta aos sinais dos tempos e às necessidades dos que mais precisam quer na família quer nas comunidades envolventes”.

 

Maria Raquel Ribeiro, tem 87 anos, nasceu no lugar de Adão Lobo, na freguesia do Cadaval, na zona Oeste da Diocese de Lisboa. Viveu naquele lugar até aos 11 anos, altura em que foi para o Instituto de Odivelas, onde fez o ensino liceal, cursando depois Serviço Social. Terminou a formação académica em 1948 e logo em Janeiro de 1949 começou a trabalhar para o Estado. “Comecei a trabalhar como assistente social no Instituto de Assistência à Família e em Março já era directora técnica da casa de Santa Maria do Resgate, uma casa de mulheres e raparigas solteiras”, conta ao Jornal VOZ DA VERDADE, esta assistente social que foi também Directora Geral da Família no ano 1994.

Da sua infância recorda que a sua primeira confissão aconteceu com o padre Cruz, numa missão que realizou por aquela zona do Oeste, e desde muito cedo que pertenceu à Juventude da Acção Católica. Em 1950, num congresso internacional de assistentes sociais, em Roma, conheceu a vocação de Auxiliar do Apostolado, que foi recentemente definida por D. José Policarpo como “uma vocação pessoal de leigas, que através de uma busca da contemplação, pela oração, se entregam totalmente à construção da Igreja Diocesana, numa união profunda ao ministério do Bispo”.

 

Presente no mundo

Nos anos 1969 a 1973 esteve na Assembleia da República, cargo que desempenhou depois de, dada a sua ligação ao bispo diocesano, se ter confrontado com o Cardeal Cerejeira. “Nunca assumi cargo nenhum sem antes dar conhecimento ao bispo”, sublinha Maria Raquel Ribeiro. “E quando comuniquei que tinha sido convidada para a Assembleia, o Cardeal Cerejeira apoiou-me recordando-me a Constituição Pastoral do Concílio Vaticano II, ‘Gaudium et Spes’, sobre a Igreja no mundo actual”.

Ao longo da sua vida assumiu diversos cargos de responsabilidade civil e, enquanto cristã comprometida, reconhece que nem sempre foi fácil o confronto com o mundo. Salientando que no meio político por onde andava “não revelava totalmente o que era [enquanto Auxiliar do Apostolado]”, Maria Raquel Ribeiro frisa que “lá fora está um mundo que tem de ser fermentado”. “Temos que misturar-nos, temos que viver procurando ser sal para o mundo e aceitar a diferença e nunca deixar de ter esperança. Eu sentia que devia trabalhar para o Estado mas era no sentido reformista. Havia meios muito difíceis, contra a Igreja, mas sempre fui agindo conforme era preciso. Em situações graves temos de ser audazes, e acho que Deus, o Espírito Santo e Nossa Senhora me têm aguentado sempre”, acentua. No meio há um segredo: 'respeitar e saber ouvir o outro mesmo que seja contra as nossas ideias’”.

 

A atenção ao problema demográfico

Atenta aos sinais dos tempos recorda que o tempo do Concilio Vaticano II, “foi um período muito rico, mesmo em Portugal”. Esteve durante treze anos a trabalhar na Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, foi fundadora do Sindicato das Assistentes Sociais, juntamente com Maria Luísa Ressano Garcia, e pela sua audácia esteve “pendurada no gradeamento do Patriarcado de Lisboa para o proteger da tentativa de assalto”.

Durante este ano de 2012, por proposta do Parlamento Europeu e do Conselho da União Europeia, tem estado a decorrer o ‘Ano Europeu do Envelhecimento Activo e da Solidariedade entre as Gerações’. Sobre esta temática, Maria Raquel Ribeiro salienta que “tornou-se uma necessidade dar importância a esta dimensão da vida” porque “antes não se dava atenção aos problemas demográficos”, e as consequências das diversas políticas de cada país fazem-se sentir, hoje. “Em 1949 não se falava de envelhecimento. Em 1966 num congresso internacional começa a falar-se de contracepção e a partir daí a Europa começou a utilizar os anticoncepcionais para suster a natalidade. Os abortos gastam mais que os outros cuidados de saúde e só em 1989 a União Europeia se vai interessar mais pelos idosos”, comenta Raquel Ribeiro. “Isto tem sido muito pesado, e vemos que Portugal está com uma taxa terrível de envelhecimento”, sublinha.

 

Envelhecer

Para Raquel Ribeiro, envelhecer “é dar graças a Deus pelo dom da vida, recordar os planos ou projectos e as actividades previstas para cada dia, é estar atenta aos sinais dos tempos e às exigências do meio ambiente, às necessidades dos que mais precisam quer na família quer nas comunidades envolventes”. Segundo esta Auxiliar do Apostolado, que desde sempre se viu envolvida no meio político, envelhecer é, também, “desejar que, sempre que possa, estar disponível para o serviço e a missão”.

Em 1995 Raquel Ribeiro aposentou-se mas nunca deixou de ter uma vida activa. Defendendo que o envelhecimento activo “é a pessoa que não pensa só em si, mas que pode ainda por em prática as suas capacidades”, considera que até mesmo os desempregados “não devem ficar fechados em casa a lamentar-se, mas podem ir ajudar quem precisa”.

Actualmente tem compromisso com a Universidade Católica Portuguesa, faz visitas regulares à Misericórdia, gosta de ler, acompanhar o estado da vida e do mundo, e afirma que acima de tudo tem “mais tempo para rezar”. “O que gosto muito”, observa.

 

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Prémio Envelhecimento Activo

No passado dia 1 de Outubro, assinalado pela Organização das Nações Unidas (ONU) como o Dia Mundial do Idoso, foi apresentado o 'Prémio Envelhecimento Activo Dra. Maria Raquel Ribeiro'. Numa iniciativa da Associação Portuguesa de Psicogerontologia (APP), da qual Raquel Ribeiro foi, também, co-fundadora, e com o apoio da Fundação Montepio e da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, o prémio pretende, segundo a presidente da direcção da APP, Maria João Quintela, simbolizar o “empenho colocado numa mudança de mentalidades atitudes”, reconhecendo “a vida activa e participação social de pessoas com 80 ou mais anos de idade, que desenvolvam actividade profissional ou cívica relevante”.

 

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Idade da reforma uma nova forma da idade

O vice-presidente da Conferência Episcopal Portuguesa, D. Manuel Clemente, defendeu recentemente a necessidade de integrar o contributo dos mais velhos na construção da sociedade portuguesa apelando a “uma nova pedagogia cultural e social”. Dirigindo-se aos participantes do encontro 'Presente no Futuro - Os Portugueses em 2030', realizado no Centro Cultural de Belém, em Lisboa, D. Manuel Clemente defendia a constituição de “uma espécie de senado em que os mais velhos e experientes se pronunciassem preventivamente sobre medidas e projectos dos responsáveis activos, mesmo que só a título consultivo”. Elogiando a disponibilidade dos mais velhos para acompanharem filhos e netos o, também, Bispo do Porto, salientou que deste modo se transforma “a idade da reforma numa nova forma da idade, com novos papéis familiares educativos”.

 

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Bispo Auxiliar de Lisboa alerta: “Não se sintam elementos passivos!”

D. Joaquim Mendes pediu aos idosos para não se sentirem “elementos passivos de um mundo que parece mostrar-se injusto, ingrato e, por vezes, até desumano”. O apelo foi deixado, no passado Domingo, 7 de Outubro, na celebração eucarística que marcou o encerramento da 'Semana do Ancião e Diálogo entre as Gerações', realizada na paróquia dos Olivais Sul, em Lisboa.

“Considerai-vos sujeitos activos”, observou D. Joaquim Mendes, Bispo Auxiliar de Lisboa. Lembrando que “os anciãos são um dom na comunidade cristã e na sociedade, particularmente para os jovens”, D. Joaquim Mendes apelou para a necessidade de “honrar os anciãos” e “valorizar as suas qualidades”. “Em alguns ambientes e culturas isto acontece quase espontaneamente, em outros, porém é preciso fazer com que isto aconteça, para que os que avançam pelos anos possam envelhecer com dignidade, sem temor de ficarem reduzidos a não contar para mais nada”, destacou.

texto e fotos por Nuno Rosário Fernandes
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