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Índia: quando a Igreja abraça os mais excluídos
A extraordinária lição de Orissa
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Foram perseguidos, feridos, violados, mortos. Viram as suas casas e igrejas destruídas. Muitos fugiram para salvar a vida. Foi um período negro para o Cristianismo na Índia, mas os acontecimentos de Orissa, em 2007, transformaram-se em semente de paz, em fermento de fé. Por causa do perdão.

 

No estado de Orissa, como um pouco por toda a Índia, os cristãos são excluídos, vítimas de intolerância, muitas vezes mesmo de violência, de agressão. Em Orissa, em 2007, houve mesmo um terrível ataque de fundamentalistas hindus de que resultou uma centena de mortos, a destruição de cinco mil casas e Igrejas e a fuga ou expulsão de 50 mil cristãos. Muitos, cerca de 10 mil, ainda estão escondidos, temendo pelas suas vidas. Mas a Igreja não os abandonou. Como podia? Ainda hoje, provavelmente no instante em que está a ler estas linhas, há alguma irmã ou sacerdote que se está a fazer ao caminho para se encontrar com esses indianos que não se atrevem a sair às ruas, que ainda se sentem ameaçados.

Ajudar o próximo
As Irmãs Kiran e Sarojini têm essa missão. Há dias em que fazem dezenas e dezenas de quilómetros. Por vezes têm de ir de motocicleta, tais são as distâncias a percorrer. Estas religiosas nunca vão de mãos vazias, mesmo quando já não têm roupa nem alimentos para distribuir. A principal riqueza que transportam consigo é o sorriso, a eterna disponibilidade para acolherem todos aqueles que foram excluídos da sociedade.

Os excluídos

Excluídos por serem considerados impuros (a sociedade indiana está estratificada por castas e, na base, estão os impuros ou intocáveis, os mais rejeitados de todos), ou demasiado pobres. Os cristãos são vistos, demasiadas vezes, como impuros e pobres. São quase nada. É como se não existissem. Não importam. Porém, para as Irmãs Kiran e Sarojini, eles são tudo. É por isso que elas são sempre acolhidas com largos sorrisos, com amor verdadeiro, sem fingimentos.


Caminhos de perdão
A Índia é um país enorme com imensas cicatrizes. Cada um destes cristãos que continuam a viver em fuga, escondidos, é uma dessas cicatrizes, é a memória viva dos dias de horror que arrastaram Orissa para os noticiários do mundo inteiro pelas piores razões. Mas hoje, com o trabalho desenvolvido pela Igreja, já se virou de alguma forma essa página. Os dias de infâmia transformaram-se em perdão. E tem sido nessa capacidade extraordinária de perdoar que a Igreja Católica tem vindo a conquistar os mais excluídos de toda a sociedade indiana. Os cristãos ensinam a novidade de haver uma religião que não faz acepção de pessoas, que não separa naturais de estrangeiros, que não tem castas, em que todos são iguais perante o mesmo Deus. E os dalit, os impuros, os intocáveis, sentem-se abraçados por esta religião que olha para eles, como para todos os homens, com a mesma bondade.

 

Deus é amor

Exemplo desse perdão é-nos oferecido pelo Arcebispo de Cuttack-Bhubanerswar, D. John Barwa, que agora está a visitar Portugal a convite da Fundação AIS. O Arcebispo não passou imune aos tumultos de Orissa. Uma sobrinha, religiosa, a Monja Meena Barwa, foi arrastada pela multidão e violada. Mesmo assim, tal como ela, ele continua a dizer e a ensinar que “Deus é a resposta”. “Deus é amor e no amor está o perdão”. Por isso, por isto, há cada vez mais cristãos na Índia. É fácil encontrá-los. Basta procurá-los entre os mais miseráveis e excluídos da sociedade indiana.

 

Saiba mais em www.fundacao-ais.pt

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