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Vinte anos depois do acordo de paz entre Frelimo e Renamo
A guerra já acabou em Moçambique?
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Há muito que desapareceu o cheiro a pólvora. Há muito que os jornais não falam em emboscadas, ataques, disparos, mortos e feridos. Porém, há demasiado tempo que Moçambique continua a ser um país adiado. A verdadeira paz não é compatível com a pobreza extrema, com o analfabetismo, com o tráfico de pessoas, com tantos sonhos adiados. Mas a Igreja não desiste. É possível dar a volta a isto.

 

Para milhões de moçambicanos, todos os dias há uma guerra surda que não chega aos telejornais do mundo inteiro: a luta pelas suas vidas, pela sobrevivência mais básica. Duas décadas depois de as armas se terem silenciado, o país continua a ser um dos mais pobres do mundo, com elevadas taxas de violência, tráfico de pessoas, analfabetismo brutal e uma das mais significativas percentagens de população infectada com o vírus da SIDA. Vinte anos depois de as armas se terem silenciado, será que os moçambicanos vivem em paz? Para a Igreja Católica, não. Por isso, este mês de Outubro, em que se celebra o acordo de paz entre Frelimo e Renamo, patrocinado pela Comunidade de Santo Egídio, não é possível esconder a máscara de sofrimento que se reflete no rosto da maior parte da população do país.

 

História de sofrimento

São raros os moçambicanos que gostam de falar dos dezassete anos em que o país esteve mergulhado numa das mais sangrentas guerras civis do continente africano. O balanço é trágico: mais de 1 milhão de mortos, milhão e meio de refugiados, 9 milhões de sem-abrigo. Metade da população passou fome e as principais infraestruturas do país foram dizimadas: escolas, hospitais, estradas. Como se não bastasse, o regime marxista da Frelimo, que tomou conta do poder em 1975, com a declaração de independência face a Portugal, declarou também guerra à Igreja, acusando os padres e as irmãs de terem sido coniventes com o regime colonial. O pretexto serviu para expulsar missionários e confiscar escolas e hospitais que a Igreja Católica geria ao serviço das populações mais carenciadas. Até igrejas e outros locais de culto foram destruídos ou nacionalizados, como se Deus ou a fé de um povo pudessem ser apagados por magia com um simples decreto governamental. Os missionários receberam ordem de expulsão. Tiveram 48 horas para abandonar Moçambique. A maior parte não teve alternativa. E o país ficou ainda mais nas trevas.

 

A importância da reconciliação

Mas nem todos saíram do país. Os padres que conseguiram ficar, assim como os que tinham sido já tocados pelas suas palavras, pelos seus exemplos, pela catequese, transformaram-se em verdadeiros anjos da guarda do povo Moçambicano. Foram eles que apoiaram as populações em fuga dos campos de batalha, verdadeiros massacres sem sentido, em que aldeias foram dizimadas, mulheres violadas, crianças arrancadas à força das suas famílias para serem recrutadas para os bandos armados. Este trabalho foi de tal forma impressionante que, anos mais tarde, Joaquim Chissano, Presidente da República de Moçambique entre 1986 e 2005, haveria de dizer que “a Igreja Católica teve um papel importante no esfriar das emoções que existiam entre todos os grupos, pois nesta guerra lutavam irmãos que mataram irmãos, filhos que mataram os pais e pais que mataram os filhos. O que a nossa sociedade necessitava era de reconciliação”.

 

Eles contam connosco

Hoje, as armas estão silenciadas. As armas dos soldados, entenda-se, que o crime continua à solta. Mas hoje, já é possível perspectivar algum futuro para Moçambique, apesar, ainda, de todos os indicadores darem sinais de alarme. O país continua a ser um dos mais pobres do mundo e a Igreja local precisa do abraço de todos, da ajuda de todos, para cumprir com a sua missão: todos os dias há uma infinidade de pessoas que precisam de ajuda material e espiritual para que as suas vidas tenham dignidade. A Igreja em Moçambique conta especialmente com o apoio da Fundação AIS. Eles sabem que nós rezamos por eles, que temos as suas vidas e os seus problemas nos nossos corações e que, acima de tudo, não os deixaremos sem resposta. Eles pedem-nos ajuda.

 

Saiba mais em www.fundacao-ais.pt

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