Domingo |
À procura da Palavra
Ver para ir

DOMINGO XXX COMUM Ano B

"Jesus, Filho de David,

tem piedade de mim.”

Mc 10, 47

 

Entre o “ver e acreditar” e o “acreditar sem ver” de que o Evangelho tanto nos fala, entendemos a fé em Jesus Cristo como relação viva, que se constrói e fortalece, e nos compromete com o seu projecto de amor. Não vemos Deus mas acreditamos n’Ele, e se muitos viram Jesus porque conviveram com Ele, nós somos os “felizes que hão-de acreditar sem ter visto” anunciados a Tomé. Ver, só por si, não compromete, como infelizmente constatamos com muitas realidades de injustiça e sofrimento., tantas vezes ao nosso lado. Mas estar fechado numa cegueira, involuntária ou não, é um imenso desperdício de vida!

Bartimeu impressiona-me hoje com o seu grito de fé: “Jesus, Filho de David, tem piedade de mim.” O que os discípulos e a multidão, que viam Jesus com os seus olhos, não ousavam afirmar, este íntimo da escuridão, grita em voz alta. Poderá ser em causa própria, mas não o calam com duas cantigas. É capaz de um grito extraordinário de quem não se contenta com a escuridão, com a vida instalada à beira do caminho, com o acomodamento da pedinchice, e o rosário de queixas, lamentos, e má-língua, próprias de quem espera que outros resolvam o que está mal. Ele sente o movimento de Jesus, anseia entrar nesse dinamismo que não pactua com o mal instalado, e arrisca pedir aquilo que vai dar cabo do seu emprego de pedinte profissional: “Que eu veja”! Quanta da sua cegueira não é também a nossa, de cristãos e de Igreja, acomodados a que Jesus passe por nós, mas sem arriscar segui-l’O no seu amor dinâmico? Conseguiremos deixar a capa da instalação e do desencanto, que tolhe os movimentos do coração, e dar o salto para Jesus, mesmo sem ver tudo claro? E o que lhe pediremos? Sucesso, fama, reconhecimento, grandeza (até da pastoral que fazemos e da presença da Igreja no mundo!) ou o milagre de vermos? De vermos verdadeiramente, e, vale sempre a pena pedir, como Ele vê?!

Ao pedido de ver, Jesus respondeu: “Vai, a tua fé te salvou”. E Bartimeu recuperou a vista e seguiu Jesus. A visão que Cristo dá implica mudança de vida. Não se pode viver mais com os critérios estreitos da instalação. De repetir o que sempre se fez, de assistir à beira da vida o seu correr. Ver é também ir. Aceitar não ter as seguranças todas, nem respostas ou soluções para tudo, mas ir. Ir com Jesus porque é Ele que salva. Que salva também a Igreja, principalmente das nossas tentações de autosuficiência, de acreditarmos mais em nós do que em Deus. E se seguirmos Jesus de olhos abertos, largando as capas e os lugares instalados, as comunidades cristãs redescobrirão a alegria da fé como seguimento de Jesus. Não se chamava aos primeiros discípulos os “do caminho”?

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