Lisboa |
Iniciou visita pastoral à Vigararia de Sintra
“Ser comunidade é um desafio”
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“Hoje, em todo o mundo as Igrejas, e a nossa Igreja, são exemplo vivo de que vale a pena ser comunidade. E esse é um desafio”, afirmou o Cardeal-Patriarca de Lisboa, D. José Policarpo no início da visita pastoral à Vigararia de Sintra que vai decorrer até 6 de Janeiro de 2013.

 

No passado sábado, 3 de Novembro, o Palácio Valenças, em Sintra, recebeu a sessão solene de abertura da visita pastoral que vai percorrer as 15 paróquias da Vigararia de Sintra. Diante de uma plateia constituída por entidades oficiais do concellho de Sintra e representantes das 15 paróquias, o Cardeal-Patriarca falou sobre a experiência da Igreja Católica enquanto comunidade, um exemplo a seguir para outros que não fazem parte da Igreja. “Se quiserem ser comunidade aprendam connosco”, sublinhou, embora reconhecendo que há “defeitos e lacunas”.

Salientando que “a humanidade perdeu o sentido de ser uma comunidade”, e que “a dimensão comunitária envolve tudo, inclusive a liberdade pessoa”, D. José Policarpo recordou que “hoje, a Igreja é, certamente, a realidade mais significativa em todas as culturas e continentes desta vocação de toda a humanidade que é ser uma grande família de irmãos e irmãs, apesar das diferenças culturais, políticas e religiosas”. “Se não nos sentirmos em comunidade que sentido tem falar em bem comum”, acentuou apontando que a visita pastoral que iniciou na Vigararia de Sintra “vai ser uma ocasião para encontrar as comunidades”.

 

Partilhar anseios no Ano da Fé

Esta visita pastoral é a segunda que D. José Policarpo realiza neste ano civil de 2012. Depois da visita que realizou à Vigararia de Loures, o Cardeal-Patriarca enceta, assim, juntamente com os bispos auxiliares D. Joaquim Mendes e D. Nuno Brás, um novo périplo que vai pelas diversas comunidades da Vigararia de Sintra.  Segundo D. José Policarpo “a visita às comunidades tem, assim, “esta primeira exigência de meditar com as comunidades e de elas poderem sentir a presença do pastor junto delas”. “O pastor que está perto a partilhar a fé, anseios, e a partilhar uma perspectiva da comunhão, da comunidade”, referiu. Esta será uma “aventura” onde a Igreja e sociedade civil estão convergentes e isso é importante no mundo contemporâneo”, salientou apontando o acolhimento da autarquia de Sintra para esta visita pastoral. 

Lembrando, ainda que esta visita acontece em pleno Ano da Fé, D. José Policarpo frisou, aos presentes nesta sessão solene, a dimensão apostólica da Igreja que os cristãos professam na Profissão de Fé. “Os apóstolos de Jesus e os seus sucessores são a garantia da unidade e da fidelidade da Igreja”, e “a catolicidade depende da apostolicidade”, acentuou referindo ainda que “ser apostólico significa manter-se na fidelidade”.

 

Origem das visitas pastorais

Sublinhando que “a Igreja tem o seu alicerce de solidez na fidelidade ao ensinamento e à tradição apostolica”, o Cardeal-Patriarca explicou que a origem das visitas pastorais está no cuidado enorme que os apóstolos e seus sucessores tinham em  visitar as comunidades”. “O exemplo de Paulo e as viagens que fez em todo o Médio-Oriente e as Cartas que escrevia e que eram lidas pelas comunidades eram a maneira de o Apóstolo estar presente nessas comunidades”, garantiu .

Já nesse tempo, lembra D. José Policarpo, era acentuada a importância de ser haver e ser comunidade. “Estes homens tem a consciência de que a Igreja ou é comunidade ou desfaz-se. Havia uma preocupação em fortificar a dimensão comunitária da igreja. Sem a dimensão comunitária não havia coesão, prática da caridade e fraternidade”.

 

Visitar as comunidades é um dever

Para o Cardeal-Patriarca de Lisboa, “hoje, o direito de visitar as comunidades é um dever de quem tem a missão de ser pastor do povo de Deus”, por isso, a presença do bispo nas comunidades deve ter a preocupação de “reforçar a comunidade”. “Os bispos, enquanto sucessores dos apóstolos, devem ter a preocupação de preservar a fé,  purificar a fé, ajudar as comunidades a ter a verdadeira fé da Igreja, e fortificar a comunidade”, frisou. 

Ao fazer o historial do que eram as visitas pastorais, D. José Policarpo lembrou, ainda, que noutros tempos “a visita pastoral era essencial”. “Hoje é mais fácil o contacto com o bispo e o bispo vai mais vezes à paróquias, por isso a visita pastoral supria necessidades elementares da vida da Igreja que as circunstancias sociais e geográficas não permitiam”, explica.

 

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Presidente de Sintra preocupado com a aposta de outra religiões 

O presidente da Câmara de Sintra, Fernando Seara, manifestou ao Cardeal-Patriarca a sua preocupação pela “aposta firme de outras religiões” na linha de Sintra.  Tomando a palavra na sessão solene de abertura da visita pastoral à Vigararia de Sintra, o autarca sintrense salientou que na linha de Sintra a implementação de outras religiões  acontece “aproveitando as necessidades de uma conjuntura agreste e perturbante, e acompanhando um conjunto de fluxos de emigração novos” . Segundo Fernando Seara este aproveitamento surge também em função de “mecanismos de influência de países muçulmanos”, pelo que refere, “começa a ser um elemento que exige da Igreja Católica um cuidado acrescido e uma responsabilidade efectiva.

Para D. José Policarpo na história da Igreja, no que diz respeito à relação com as outras Igrejas,  tem-se caminhado para “aprender que a unidade é possível”, e por isso sublinha que essa unidade não pode ser conseguida reduzindo os outros a uma forma de ser. Tem de haver uma comunhão de fé apostólica e a abertura para aceitar a diferença.  Diferença de cultura, de éticas, diferenças que se foram enraizando ao longo dos séculos e que dificilmente podemos exigir que sejam abandonadas.

texto e fotos por Nuno Rosário Fernandes
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