Igreja em movimento |
Conferência ‘Portugal: o país que queremos ser’
Cardeal-Patriarca exorta cristãos a envolverem-se nos destinos das comunidades
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“Nós, cristãos, podemos ter uma visão e um papel sobre as comunidades e temos de ser militantes na prática, na construção da pessoa humana em comunidade”. A garantia, em tom de desafio, foi deixado pelo Cardeal-Patriarca de Lisboa, D. José Policarpo, na conferência ‘Portugal: o país que queremos ser’.

 

A conferência foi organizada pela Comissão Nacional Justiça e Paz (CNJP), com D. José Policarpo, na sessão de encerramento, a sublinhar ser preciso um "governo mundial”, o que significa convergência "no mundo e neste país à beira mar plantado". Na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, no passado dia 3 de novembro, o Cardeal-Patriarca pediu ainda uma “economia de rosto humano, que promova a pessoa e a sociedade”. Para reforçar a ideia de comunidade, participação e de "governo mundial" D. José Policarpo citou Bento XVI. "É urgente a reforma quer das Nações Unidas, quer da arquitectura económica e financeira internacional. Sente-se a urgência de se encontrar formas inovadoras para proteger as nações e as nações mais pobres, no âmbito de um novo enquadramento, no sentido da solidariedade entre os povos. Para fazer face à crise, urge a necessidade de uma nova autoridade política e mundial", disse, recordando palavras do Papa.

Nesta conferência, o cardeal-patriarca de Lisboa sublinhou também que a “utopia cristã” leva os cristãos a “não desistir de um bem desejável, mesmo que demore muito tempo”. D. José Policarpo salientou que os “grandes sofrimentos foram sempre passos em frente na compreensão da sociedade”.

 

Uma sociedade civil “atenta, responsável e exigente”

No balanço final da conferência ‘Portugal: o país que queremos ser’, Maria do Rosário Carneiro, vice-presidente da CNJP, sublinhou que os portugueses “não podem ignorar” que fazem parte do “espaço comum”. Já antes, o general António Ramalho Eanes garantira que a crise que se abateu sobre a sociedade deve-se a uma “globalização desregulada” e de “um capitalismo sem regras”. Na sua intervenção durante esta jornada, o ex-presidente da República sublinhou também que a culpa da crise se deve à falta de “norte estratégico e de liderança” na Europa. Numa reflexão com o tema ‘A sociedade civil nas sociedades democráticas contemporâneas’, o general Ramalho Eanes pediu “a todos, e aos políticos em especial, para preservarem e desenvolverem a sociedade”. Uma sociedade civil “atenta, responsável e exigente”, consegue “alterar grandes decisões políticas” quando exige a demonstração “da sua evidência” e exemplificou o caso do “aeroporto da Ota”.

 

Um Estado inteligente

O embaixador português Francisco Seixas da Costa denunciou a “divinização do mercado”. Na sua intervenção na conferência ‘Portugal: o país que queremos ser’,, Francisco Seixas da Costa reflectiu sobre a nota do Conselho Pontifício Justiça e Paz, organismo da Santa Sé, intitulada ‘Para uma reforma do sistema financeiro e monetário na perspetiva de uma autoridade pública de competência universal’, onde sublinhou que o documento tem “claras críticas à aplicação abusiva do modelo liberal”. “Caminha-se para uma verdadeira selva de natureza social”, frisou Francisco Seixas da Costa.

O constitucionalista José Gomes Canotilho considerou, na sua intervenção sobre ‘O papel do Estado na realização do bem comum’, que Portugal precisa de um “Estado inteligente” e não de um “Estado heroico”. Gomes Canotilho apelou ao Estado para que seja capaz de supervisionar e de “prever o futuro” a ser traçado.

No domínio da democracia participativa, o antigo Ministro da Justiça Laborinho Lúcio realçou que existe um “alheamento da participação” e “a ausência dessa consciência de poder”. A “abstenção” é um sintoma do nível de “alheamento do cidadão” em relação ao poder político, disse o constitucionalista.

 

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Comissão Nacional Justiça e Paz

A CNJP, organismo laical da Conferência Episcopal Portuguesa, foi criada com a finalidade genérica de “promover e defender a Justiça e a Paz, à luz do Evangelho e da doutrina social da Igreja”.

foto por Ricardo Perna/Família Cristã
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