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Semana dos Seminários
Patriarca de Lisboa convida seminaristas a assumir o Concílio Vaticano II
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No início da Semana dos Seminários, D. José Policarpo reuniu-se com os seminaristas dos quatro seminários de Lisboa, a quem lembrou a importância do Concílio Vaticano II, na formação sacerdotal.


O Cardeal-Patriarca de Lisboa convidou os seminaristas em formação nos seminários do Patriarcado a assumir o Concílio Vaticano II tomando, como ponto de partida, o nº 9 do Decreto Optatam Totius sobre a Formação Sacerdotal. Segundo D. José Policarpo, este artigo “resume o espírito que deve presidir à formação dos futuros sacerdotes. Reúne a compreensão da Igreja, o amor à Igreja e o sentido do serviço” que deve estar presente naqueles que se preparam para o sacerdócio.

O convite foi deixado num encontro que reuniu, no passado sábado, 10 de Novembro, em Penafirme, os cerca de 130 seminaristas de várias dioceses do país e estrangeiro que fazem, actualmente, a sua formação nos seminários do Patriarcado. Neste encontro, que iniciou com a celebração da Eucaristia, onde foram admitidos às Ordens Sacras sete seminaristas do Seminário Maior dos Olivais (ver caixa), D. José Policarpo apresentou uma síntese do Concílio Vaticano II, o documento que considera ser “a primeira coisa que é preciso aprofundar” na formação sacerdotal. Por isso, aponta a importância da celebração dos 50 anos do Concílio que considera serem “factos da vida da Igreja que precisam de tempo para serem recebidos, acolhidos”.

 

Igreja apostólica

Começando por esclarecer aos seminaristas a definição de Concílio, que significa reunião, D. José Policarpo lembrou que “o Credo que habitualmente é rezado na celebração da missa", faz referência ao acreditar na "Igreja, una, santa, católica e apostólica”. Neste sentido, explicou que “a apostolicidade significa que a Igreja é fundada tendo como alicerce os apóstolos”. “Os apóstolos receberam como missão de Jesus dois aspectos fundamentais: construir a Igreja como comunidade, como comunhão de amor e como fraternidade. Daí a Igreja ser uma comunidade, um povo. E Isto é muito importante no mundo de hoje porque a nossa sociedade contemporânea vive muito marcada pelos individualismos da pós-modernidade, e o conceito de comunidade vai-se diluindo”, sublinhou.

 

Comunicar a fé

Um outro aspecto da missão apostólica, refere, é o  “comunicar, transmitir e manter na sua fidelidade ao essencial, o que foi recebido dos apóstolos de Jesus, aquilo em que a Igreja acredita”. “Nós não podemos ter a nossa fé pessoal!”, alerta D. José Policarpo referindo tratar-se da fé da Igreja “que foi recebida e transmitida ao longo dos tempos pelos apóstolos e seus sucessores. Ao dizer 'eu creio na Igreja una, católica e apostólica', refiro-me a esta igreja que recebe a fé através do testemunho apostólico”, salientou.

 

História dos Concílios

Uma das expressões do colégio apostólico, constituído pelos bispos da Igreja, manifesta-se no Concílio, “que é uma reunião extraordinária deste colégio”, que “acontece por motivos concretos”. “Nos primeiros séculos o Concílio reunia-se por natureza doutrinal, por esclarecimento da fé da Igreja”, lembra D. José Policarpo, nesta breve ‘aula’ de 60 minutos leccionada aos seminaristas no auditório do Externato de Penafirme.

Percorrendo um pouco de História da Igreja, o Cardeal-Patriarca de Lisboa assinalou que alguns Concílios foram convocados “por problemas sérios que surgiram na Igreja. Problemas ameaçadores para a unidade da Igreja”, acentuou. “O Concílio de Trento convocado depois da reforma protestante é um desses exemplos!”, aponta.

 

Um Concílio diferente

Quanto ao Concílio Vaticano II, conforme explicou D. José Policarpo, a intenção do Papa João XXIII ao convocar esta reunião extraordinária do colégio apostólico não visava “afinar a doutrina ou responder a problemas graves”. Citando o Papa João XXIII, o Cardeal-Patriarca de Lisboa refere que, à época, “a Igreja tem consciência da grave crise que aflige a sociedade humana, e pesam sobre a Igreja obrigações de uma gravidade e amplitude imensas como nas épocas mais trágicas da história”. Por isso, refere tratar-se de “pôr o mundo moderno em contacto com as energias vivificadoras e perenes do Evangelho. Um mundo que se exalta em sua conquistas no campo da técnica e da ciência mas que carrega também as consequências de uma ordem temporal que alguns quiseram reorganizar prescindindo de Deus”. Neste sentido, D. José Policarpo salienta, ainda, recorrendo a palavras do Papa que convocou o Concílio que marcou o século XX, que  “a sociedade moderna caracteriza-se por um grande  progresso material a que não corresponde um igual progresso no campo moral. Daí enfraquecer-se o anseio pelos valores do Espírito e crescer o impulso para a procura quase exclusiva dos prazeres terrenos que o avanço da técnica coloca tão comodamente ao alcance de todos. Mais ainda -  salienta - um facto inteiramente novo e desconcertante, é a existência de um ateísmo militante operando em plano mundial”. Deste modo, D. José Policarpo refere tratar-se de “um problema de civilização que interpela a Igreja sobre a maneira de ser uma palavra de luz e de esperança para este mundo moderno”.

O Concílio foi, então, anunciado em 1959, proclamado logo a seguir, tendo decorrido os trabalhos das comissões preparatórias entre 1960 e 1962.

 

O Concílio em risco

Iniciados os trabalhos do Concílio Vaticano II “os textos que tinham levado dois anos a preparar eram postos de lado”, refere o Cardeal-Patriarca contando que “na última assembleia da primeira sessão há duas intervenções que marcam a reorganização do Concílio”. A primeira é a intervenção do Arcebispo de Bruxelas, Cardeal Suenens, que aponta “a necessidade do Concílio ser capaz de responder à pergunta ‘Igreja o que pensas de ti mesma para te sentires capaz de ser enviada ao mundo moderno, como ele é em missão’. A segunda, protagonizada pelo Arcebispo de Milão, Cardeal Montini, afirmava que “para responder a essa pergunta a Igreja só o pode perceber, à luz de Cristo e da Palavra de Deus”, e que por isso “a Igreja tinha que retomar a boa tradição de leitura e compreensão da Palavra de Deus e confrontar-se com o realismo do mistério de Cristo”. Depois destas intervenções termina a primeira sessão do Concílio Vaticano II, e pouco tempo depois morre João XXIII.

 

Novo fôlego

No entanto, observa D. José Policarpo, “o Concílio precisava de ser novamente convocado. O novo Papa tinha de o fazer. Há um desânimo na Igreja pela ideia que o Concílio pudesse ter acabado. Eu próprio tive medo disso”, confessa.

O Cardeal Montini foi eleito Papa (Papa Paulo VI), e vai ser, segundo o Cardeal-Patriarca, “o homem que vai salvar o Concílio”. “Ele é de uma grande coragem e lucidez e de um dinamismo muito grande para pôr as comissões a funcionar. Convocado, de novo, o Concílio, a reunião acontece, embora com novas intuições. “O Papa João XXIII foi um incompreendido porque não pegaram na sua intuição, mas verdadeiramente o Concílio começa com a segunda sessão”, refere.

Segundo D. José Policarpo, era preciso “redescobrir a relação da Igreja com a Palavra de Deus, mas era preciso, sobretudo, redescobrir a relação da Igreja com Cristo Ressuscitado, com Cristo Vivo”. Por isso,  observa, “estão aqui delineadas as grandes constituições do Concílio. Sobre a Igreja, sobre a Palavra de Deus, sobre a missão no mundo contemporâneo e a Sagrada Liturgia”.

 

Os três eixos do Concílio

Na Lumen Gentium a Igreja “identifica-se com Cristo porque é Corpo de Cristo” e é “novo povo de Deus com uma riqueza imensa de ministérios, de carismas e de dons. Ela é chamada a ser una na diversidade e na diferença”, afirma D. José Policarpo. Sublinhando que “todo o povo é sacerdotal, todo o povo é o sujeito da missão e da liturgia da Igreja, presidida por Cristo, que se faz representar Cristo cabeça no sacerdócio apostólico”, o Cardeal-Patriarca de Lisboa lembra que “Nossa Senhora é o primeiro modelo da Igreja pela maneira como acolheu a Palavra, tendo sido ela própria transformada pela acção de Deus”.

Outro documento que marca o Concílio Vaticano II é a Constituição sobre a Palavra de Deus, a Dei Verbum que, segundo D. José Policarpo, tem sido “o parente pobre na nossa catequese”. Esta Constituição “foi muito assumida pelos peritos da Sagrada Escritura e é importante porque o Concílio Vaticano II é a primeira página depois da contra-reforma”, observa. “A contra-reforma foi um denunciar do exagero de Lutero de centrar a fé da Igreja só na escuta da Palavra, deixando de fora tudo o que era magistério. Foi um período em que a reacção contrária foi a de relativizar a Sagrada Escritura. O povo de Deus desconhecia a Sagrada Escritura”. Neste sentido esta constituição conciliar “é uma correcção corajosa da contra reforma”.

A Gaudium et Spes, é o documento que aborda a temática da Igreja enviada ao mundo contemporâneo. “Quando Deus se fez homem uniu-se a todos os homens, e independentemente da sua crença todos trazem uma semente, uma marca do Deus que se fez homem e que um dia há-de desabrochar”. Por isso, salienta D. José Policarpo aos seminaristas, “este texto é decisivo, o que faz com que o Concílio afirme que nada do que é verdadeiramente humano é estranho à Igreja”. Quanto ao resto do Concílio “são concretizações deste fulgor que está presente nas principais constituições”, observa.

Aos seminaristas D. José Policarpo deixa, ainda, um convite: “leiam apaixonadamente o tratado da Igreja. Da Igreja em si mesma, enviada ao mundo e meditem, em oração, a Constituição sobre a Palavra de Deus”.

 

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Seminaristas convidados a um coração liberto

O Cardeal-Patriarca de Lisboa convidou os futuros padres que fazem a sua formação nos seminários do Patriarcado, a ter um coração liberto para viver na fraternidade e liberto das coisas materiais”. O apelo foi deixado na celebração da Eucaristia a que presidiu na igreja do Seminário de Penafirme, onde foram admitidos às Ordens Sacras sete seminaristas do Seminário Maior de Cristo Rei dos Olivais.

Na homilia, D. José Policarpo lembrou que diante do dinheiro o cristão pode ter três atitudes: “A libertação total de uma vez, a partilha e o fazer do dinheiro o seu deus, onde o anseio principal é ter muito, e por vezes até já nem se sabe o que fazer ao dinheiro”.

Segundo D. José Policarpo, o cristão deve assumir a atitude da partilha, da solidariedade, de atenção a quem tem menos ou não tem nada”, lembrando que “o valor da caridade deve conduzir tudo” na vida do cristão.

Dirigindo-se aos futuros padres, D. José Policarpo recorda que “ninguém pode servir a Deus e ao dinheiro”, por isso convida a que “esta atitude faça parte do discernimento” dos seminaristas. “É tão triste quando os padres se servem do seu ministério só para amealhar!”, lamenta realçando que “o padre deve ter a atitude do Apóstolo Paulo”. “Graças a Deus, hoje há estruturas que garantem o mínimo para a dignidade do sacerdote, mas há uma coisa que nenhuma estrutura pode garantir, que é esta liberdade de coração. Essa, São Paulo diz qual é a fonte: ‘Tudo posso n'Ele, naquele que me conforta’”.

texto por Nuno Rosário Fernandes; fotos por NRF e Pedro Tavares
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