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Etiópia. Crianças resgatadas à pobreza pelas Irmãs da Caridade
Histórias de amor puro
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Todos os dias, nas ruas da capital da Etiópia, acontece um milagre de amor. As Irmãs da Caridade têm uma escola que não ensina apenas a ler e a escrever. Nesta escola, as Irmãs oferecem comida, resgatam crianças da mendicidade, dão esperança de vida. Numa palavra: fazem sorrir.

 

A estrada comprida está cheia de gente. Pessoas que caminham atarefadas, mulheres que carregam fardos pesados à cabeça, em equilíbrio precário, homens sentados nas bermas à frente dos seus negócios de rua, onde vendem roupa, comida, animais, pasta de dentes, utensílios agrícolas… De tudo se vende por ali. Na estrada comprida também passam carros, indiferentes ao ruído daquele mercado improvisado. Esta estrada é uma das mais movimentadas de Addis Abeba. Desde manhã cedo que a Irmã Belaynesh Woltesi, das Filhas da Caridade de São Vicente de Paulo, está por ali. Ela não foi às compras, nem tão pouco vai vender alguma coisa no mercado, nem sequer está em viagem. A Irmã Woltesi está à procura de crianças que os pais, muito pobres, mandam para as ruas mendigar.

 

“Tenho fome, tenho fome!”

Às vezes a Irmã tem sorte. Consegue resgatar algumas dessas crianças, tirando-as das ruas, levando-as para a escola onde, há já quatro décadas, vão salvando meninos e meninas de um destino cruel de pobreza extrema, de marginalidade, de infortúnio. Às vezes a Irmã tem sorte. Na capital da Etiópia, a pobreza não é notícia. Praticamente ninguém se comove ao ver alguém a remexer no lixo à procura de algum alimento, nem se perturba ao ver uma criança de mão estendida nas ruas, ou correndo ao encontro de algum carro que pare num cruzamento da cidade, batendo na janela e pedindo comida – “tenho fome, tenho fome!”. Ninguém se perturba porque aquilo faz parte do dia-a-dia da cidade, do país. Ninguém se perturba porque sempre foi assim. Menos as Irmãs da Caridade.

 

Fugir da miséria

Esta aventura de amor ao próximo começou há quarenta anos, junto a um cemitério, perto da escola que as Irmãs colocaram ao serviço da comunidade, para que a pobreza extrema não tenha de ser a sina da maior parte daquela comunidade. Como diz a Irmã Belaynesh, directora da escola, “a educação é o único caminho para se sair da miséria. O nosso propósito é retirar as crianças das ruas”.

O trabalho destas Irmãs é apoiado pela Fundação AIS. Sem essa ajuda, sem a ajuda dos benfeitores da Fundação AIS, o esforço destas mulheres consagradas a Deus não seria possível. Há quarenta anos, o cemitério era o local onde se enterravam os mortos de Addis Abeba e onde viviam os mais pobres dos excluídos da sociedade. Os que nada tinham, nem sequer a esperança de uma vida melhor. Esses, os escorraçados da sorte, sobreviviam apenas a esgravatar o lixo. Estavam resignados à mendicidade. Com o colégio, porém, tudo mudou. Finalmente havia um local onde estas crianças passaram a ser tratadas pelo nome, recebidas com sorrisos afectuosos, acarinhadas, vestidas, alimentadas. Amadas. Ali, na escola, com as Irmãs, os mais miseráveis passaram a ser acolhidos com toda a dignidade, como filhos de Deus, que, afinal, nunca deixaram de ser.

 

Sorrisos afectuosos

Para muitas destas crianças acolhidas pelas Irmãs estarem ali superava tudo o que pudessem ter imaginado. A comida quente, as roupas novas, o aprender a ler e a escrever… Mas o sorriso afectuoso das irmãs era mais do que todo esse conforto. Era algo maior. Era amor puro. Desde há quarenta anos que tem sido assim. O drama é que estas Irmãs estão a ter cada vez mais dificuldade em ajudar as crianças. E há cada vez mais famílias a viver da mendicidade. O preço dos alimentos é cada vez mais elevado e as Filhas da Caridade de São Vicente de Paulo já não sabem o que fazer. Todas as crianças que estão na rua precisam de ser resgatadas mas, quando chega a hora de lhes servir os almoços e os jantares, as Irmãs começam a não ter capacidade de resposta.

 

Oferecer um mundo novo

Porém, não há outro caminho. Tirar as crianças da rua é o primeiro passo para se erradicar a pobreza na Etiópia. Essa é a missão destas mulheres consagradas a Deus. Apesar de a Igreja Católica ser minoritária no país, talvez apenas 1 % da população, o trabalho desenvolvido pela Igreja é incomensurável. Quando a Irmã Belaynesh Woltesi vai para a estrada comprida à procura de crianças de mão estendida, a pedir esmola, ela vai oferecer-lhes um mundo novo: comida quente, roupa e sapatos, educação, livros, cadernos, lápis… Amor puro. Mas se não a ajudarmos, como é que ela vai conseguir fazer tudo isso?

 

Saiba mais em www.fundacao-ais.pt

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