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A uma janela de Roma
“Há sinais que abrem o nosso coração a Deus”
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Na semana em que Bento XVI visitou um centro de acolhimento de idosos, nomeou também um sacerdote luso-canadiano como chefe de protocolo na secretaria de estado, e foi anunciada a apresentação do novo livro do Papa.

 

1. Bento XVI lembrou esta semana que há "vias" que conduzem o homem a Deus. Na audiência geral de quarta-feira, na Aula Paulo VI, no Vaticano, o Papa fez referência ao mundo, com a sua beleza, ao homem, com a sua sede de verdade e a profundidade da sua vida interior e à própria vida da fé. “O homem traz consigo um irreprimível desejo de Deus, por isso é necessário ver as vias que nos levam ao conhecimento d’Ele. De facto, numa sociedade em que o ateísmo, cepticismo e indiferentismo não cessam de questionar e pôr à prova a fé, é importante afirmar que existem sinais que abrem o coração do homem e o levam para Deus”.

O Papa acenou, ainda, a algumas vias que considera derivarem da reflexão natural e da própria força da fé e que poderiam ser resumidas em três palavras: o mundo, o homem e a fé. “O mundo: contemplando a beleza, a estrutura da criação, podemos ver que existe por detrás dela uma inteligência, que é Deus. O homem: olhando para o íntimo de nós mesmos, damo-nos conta que possuímos uma sede de infinito que nos impele a avançar sempre mais na direcção de Deus, o único capaz de nos saciar. Enfim, a vida da fé: ela é encontro com Deus que nos fala, intervém na história e nos transforma”. Dirigindo-se aos peregrinos de língua portuguesa Bento XVI convidou a que neste Ano da Fé se procure conhecer mais a Cristo, único caminho verdadeiro que conduz a Deus, para poder depois transmitir aos demais a alegria desse encontro transformador”.

 

2. Na passada terça-feira, 12 de Novembro, o Papa visitou um centro de acolhimento de idosos em Roma onde deixou palavras de conforto aos que, como ele, já estão no Outono da vida.

Para Bento XVI esta fase da vida é bela e nunca deve dar lugar à tristeza: “É belo ser idoso! Em cada idade, é preciso descobrir a presença e a bênção do Senhor e as riquezas que contém. Nunca nos devemos entregar à tristeza. Recebemos o dom de uma vida longa. Viver é belo, mesmo na nossa idade, apesar de alguns achaques e limitações. Que no nosso rosto haja sempre a alegria de nos sentirmos amados por Deus e nunca a tristeza”. 

Bento XVI sublinhou, ainda, a ideia de que o facto de os idosos serem menosprezados pela sociedade é um sinal de doença desta e não de qualquer problema da parte dos mais velhos: “A sociedade, dominada pela lógica da eficácia e do lucro, não acolhe os idosos como tal e até os afasta, considerando-os como não produtivos e inúteis. Penso que se devia agir com maior empenho, a começar pelas famílias e instituições públicas, de modo a que os idosos possam permanecer nas próprias casas. A sabedoria de vida de que são portadores é uma grande riqueza” acentuou o Papa. “Rezem pela Igreja e também por mim, pelas necessidades do mundo, pelos pobres, para que no mundo não haja mais violência”, apelou, ainda, o Papa, sublinhando a sua convicção de que a oração dos idosos protege mais o mundo do que tantas outras iniciativas humanas pensadas com esse propósito: “A oração dos idosos pode proteger o mundo, ajudando-o, talvez, de modo mais incisivo do que as iniciativas de tantos. Quero confiar hoje à vossa oração o bem da Igreja e a paz do mundo”.

 

3. Também na passada terça-feira, Bento XVI nomeou o Monsenhor José Avelino Bettencourt, padre luso-canadiano, como novo chefe de protocolo da Secretaria de Estado do Vaticano. Monsenhor José Bettencourt, de 50 anos, vai substituir no cargo Fortunatus Nwachukwu, nomeado no mesmo dia como núncio apostólico na Nicarágua, anunciou a Rádio Vaticano.  Diplomata de carreira da Santa Sé, com o título de conselheiro de Nunciatura (equivalente a conselheiro de Embaixada), Monsenhor José Avelino Bettencourt é natural dos Açores, tendo acompanhado a sua família, que emigrou para o Canadá, onde foi ordenado padre em 1993, fazendo parte do presbitério de Otava. A Secretaria de Estado é presidida por um cardeal que assume o título de secretário de Estado, considerado como o primeiro colaborador do Papa no governo da Igreja e o máximo expoente da actividade diplomática e política da Santa Sé.

 

4. O Vaticano apresentou esta semana a 27ª Conferência Internacional do Conselho Pontifício para a Pastoral da Saúde, dedicado ao tema ‘Hospital como lugar de evangelização’. Em declarações aos jornalistas o presidente deste conselho pontifício, D. Zygmunt Zimowski, recordou que os hospitais em consonância com o espírito do Ano da Fé e do recente Sínodo dos Bispos, são considerados “lugares privilegiados de evangelização". O prelado recordou ainda que a realidade hospitalar mostra consideráveis diferenças de um país para outro: em países industrializados, por exemplo, que enfrentam “cortes nos serviços de saúde por causa da crise económica, é necessário pelo menos salvaguardar a identidade dos hospitais e centros de saúde católicos e a sua função de subsidiariedade”, referiu. O arcebispo polaco lembrou, ainda, as situações de grave carência material, em que “pessoas morrem pela falta de medicamentos que custam pouco mais de um dólar”. Neste contexto, o presidente do Conselho Pontifício para a Pastoral da Saúde destacou que os hospitais católicos nas regiões mais pobres actuam “em favor de toda a população, sem distinções de fé ou pertença étnica”. Este evento decorre entre os dias 15 e 17 de Novembro.

 

5. O cardeal Gianfranco Ravasi, presidente do Conselho Pontifício da Cultura, e a teóloga brasileira María Clara Bingemer vão apresentar na terça-feira, 20 de Novembro, o novo livro de Bento XVI, que conclui a sua trilogia sobre ‘Jesus de Nazaré’. A obra que aborda a infância de Jesus é editada pelo Vaticano e a editora italiana Rizzoli, e vai ter edição em português pela Principia que edita também em versão audiolivro. No novo livro, o Papa defende que a figura de Cristo se distingue das personagens da mitologia e apela à “seriedade” da pesquisa histórica. O livro que vai abordar os chamados “evangelhos da infância”, sobre os primeiros anos de vida de Jesus, é apresentado pelo próprio Papa como uma introdução aos dois livros precedentes sobre a figura e a mensagem de Cristo.

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