Na Tua Palavra |
D. Nuno Brás
Provincianismo
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A senhora Merkel visitou Lisboa. Tratou-se de uma das muitas visitas a Portugal de governantes de outros países, particularmente dos europeus, habituais nos tempos que correm, em que se voa de uma para outra nação em poucos minutos.

É certo que Portugal vive um momento de particular importância e fragilidade, em que depende como nunca da ajuda da União Europeia; é verdade que a chefe do governo alemão se tem mostrado como uma das figuras mais activas na procura de soluções que não só ajudem os países economicamente mais aflitos como, também, não coloquem em causa a igualmente frágil economia alemã.

Contudo, a cobertura mediática da rápida visita de seis horas em que a Chanceler alemã esteve em Lisboa assumiu foros de um exagero que ultrapassou os limites de qualquer sensatez. Para além das manifestações, da expectativa criada à volta da visita nos dias que a antecederam, não nos conseguimos libertar de horas seguidas de noticiários, em todos os canais televisivos, durante horas a fio, com jornalistas a falar sem dizerem nada (porque, de facto, nada havia a dizer); assim como não escapámos das meras curiosidades, noticiadas como se fossem grandes acontecimentos. E, no dia seguinte, não nos libertámos dos inevitáveis balanços e comentários, escritos ou falados, por parte dos fazedores de opinião.

Por um lado, Angela Merkel é diabolizada, como se fosse a culpada da situação que Portugal atravessa; por outro, é tratada como se fosse a pessoa mais importante do mundo ou, pelo menos, da Europa, quando, no fim de contas, é apenas um de entre os vários chefes dos governos da União.

Mas a nossa Comunicação Social, que convenciona aquilo que é importante e o que não é, e que o impõe a todos (mesmo fora da visita da Chanceler alemã, os noticiários são todos iguais, com as mesmas notícias e reportagens, quando muito, com a respectiva ordem trocada), não é capaz de distinguir, de perceber o bom senso, de ter olhares com um pouco mais de horizonte que os do cidadão que nunca saiu da sua terra. De facto, a crise não é, apenas económica. Ela vê-se até no modo como os meios de comunicação tratam a realidade em que vivemos.

Não sei quem define aquilo que deve ou não ser noticiado; não conheço quem tem a obrigação de escolher e de desenhar os diversos formatos das notícias. Mas sei que a este modo de proceder, se chama, em português corrente, "provincianismo".

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