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Natal
Acender uma luz no meio das trevas
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Conta-se que o estádio estava à pinha, formando a mole humana uma grandiosa coroa a envolver o relvado iluminado pelos holofotes, tudo conjugado num cenário de sonho. Mas, de repente, houve uma falha no sistema e tudo ficou às escuras. Uma exclamação enorme de surpresa encheu os ares. Mas a imaginação levou alguém a acender um fósforo, logo outro um isqueiro, e mais um e outro e outro… até que aquele mundo de luz transformado em trevas começou de novo a iluminar-se com a imensidão de luzinhas tremeluzentes na escuridão. Um cenário imponente foi substituído por um outro diferente, mas não menos deslumbrante.

 

A luz sugere movimento
A luz não é toda igual. Cada modalidade tem a sua força e o seu encanto, nessa função de possibilitar o reconhecimento do lugar e do caminho. Não interessa se é intensa ou apenas uma ténue mancha de claridade a identificar alguma coisa. Por isso todo o encanto das iluminações de Natal, desde a mais singela velinha ao sofisticado sistema que brinca com cores, formas e movimentos.  Aí também encontramos o valor simbólico das luzes que utilizamos nesta época: uma ajuda ao nosso entendimento da vida , tantas vezes envolvida na escuridão das surpresas desagradáveis, mas que não queremos aceitar como um fatalismo desgraçado, procurando descobrir a luzinha ao fundo do túnel;  neste processo somos conduzidos à interiorização, onde curiosamente encontramos energias para reorganizar a vida. O Natal é a contemplação da insignificância assumida por Deus em Jesus Cristo, contra todos os cânones culturais e religiosos do tempo, mas apontando para uma outra maneira de encarar Deus e a vida. Esse “escândalo” nunca deixou de interpelar a humanidade; e não deixará de o fazer, porque o Natal acaba por ser um abanão numa perspetiva fixista da vida, motivando para algo de novo que está ao nosso alcance.


A DSI aponta uma nova ordem
A doutrina social da Igreja parte da realidade confrontada com as multiformes manifestações de Deus: obriga-nos a abrir os olhos à realidade, enquanto nos convida a uma perspetiva atuante e comprometida na construção de uma vida e de um mundo “novo” consoante os critérios de Deus. No seguimento dos grandes documentos dessa doutrina, o cardeal de Milão Dionísio Tettamanzi  escreve que a justiça exige “uma solidariedade que esteja em condições de mudar o curso das instituições, de originar verdadeiras solidariedades, capazes de derrotar, as estruturas de pecado”. O Natal, nas palavras do Conselho Pontifício Justiça e Paz ao apresentar o “Compêndio da Doutrina Social da Igreja”, recorda e propõe “um humanismo à altura do desígnio de amor de Deus sobre a história, capaz de animar uma nova ordem social, económica e política, fundada na dignidade e na liberdade de toda a pessoa humana, a realizar-se na paz, na justiça e na solidariedade”. O Papa Bento XVI, no passado 3º Domingo do Advento, na recitação do Angelus afirmava:  “A justiça exige que se supere o desequilíbrio entre quem tem o supérfluo e aqueles a quem falta o necessário; a caridade leva a estar atento ao outro e ir ao encontro da sua necessidade, em vez de encontrar justificações para defender os seus próprios interesses.” Esta conduz-nos não só para a prática de boas ações, mas também e necessariamente para a criação de mudanças estruturais, o que nos lembra que, neste momento de crise social temos a obrigação de acorrer em apoio dos carenciados, mas também de contribuir para que a orientação das políticas económicas e sociais estabeleçam a justiça e a igualdade de oportunidades. Deixar de dar este contributo é omissão grave que responsabiliza os crentes pelo atraso e pela pobreza, que não dignificam nem a humanidade nem o Deus que as suas palavras proclamam.


Não amaldiçoar as trevas, mas acender uma luz
A campanha “10 Milhões de Estrelas”, promovida pela Caritas, já na sua décima edição, tem a finalidade de nos mostrar o caminho – Jesus em Belém e o mesmo presente na pessoa do carenciado - criando possibilidades de apoio à sobrevivência, mas também de dinâmicas ao desenvolvimento, não só dentro do país, como também fora dele. São pequenas luzes manifestando o que de mais belo tem a vida: a esperança, que nasce da caridade/amor.

texto por P. Valentim Gonçalves, CJP-CIRP
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