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“A todos os povos e nações de língua portuguesa, Feliz Ano Novo!”
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No primeiro dia do novo ano, o Papa desejou a paz. Já no Natal, Bento XVI tinha pedido que a paz germine. Antes ainda das festas natalícias, o Papa escreveu no Financial Times, abriu caminho à beatificação de Paulo VI e perdoou o seu ex-mordomo.

 

1. Na manhã do dia 1 de janeiro, o Papa dirigiu-se aos peregrinos de língua portuguesa para desejar um bom ano. “A todos os povos e nações de língua portuguesa, às várias comunidades e aos seus governantes e instituições, desejo a paz do céu que hoje vemos inclinada nos braços da Virem Mãe. Feliz Ano Novo!”, afirmou Bento XVI, durante a oração do Angelus, no Vaticano.

O Papa falou ainda da família como elemento de cultura de paz, cujos obreiros são, nas suas palavras, “todos aqueles que, dia após dia, tentam vencer o mal com o bem com a força da verdade, com as armas da oração e do perdão, com o trabalho honesto e bem feito e com a investigação científica ao serviço da vida, com as obras da misericórdia corporais e espirituais”. “Os construtores da paz são muitos, mas não fazem barulho. Tal como o fermento na massa, fazem crescer a humanidade sob o desígnio de Deus”, sublinhou no Vaticano.

Antes, na homilia da Missa da Solenidade de Santa Maria Mãe de Deus e Dia Mundial da Paz, o Papa condenou o crescente egoísmo e individualismo das sociedades modernas e alertou para a crescente desigualdade entre ricos e pobres, impulsionadora de conflitos.

 

2. Bento XVI recebeu, na Praça de São Pedro, as dezenas de milhares de jovens participantes no encontro europeu promovido pela comunidade ecuménica de Taizé e garantiu-lhes que Deus “não os deixa sós”. Num momento de oração, o Papa encorajou os jovens a serem “portadores da comunhão” e chamou-lhes “pequenas luzes” para a sociedade que merece “uma distribuição mais equitativa dos bens da terra” e “uma nova solidariedade humana”.

 

3. O Papa recordou de forma especial o Médio Oriente na sua tradicional mensagem Urbi et Orbi, lida na manhã de Dia de Natal, no Vaticano. Com destaque especial para a Síria, o primeiro país mencionado por Bento XVI. “Que a paz germine para o povo da Síria, profundamente ferido e dividido por um conflito que não poupa sequer os inermes, ceifando vítimas inocentes”, pronunciou o Papa. “A paz germine na Terra onde nasceu o Redentor; que Ele dê aos israelitas e palestinianos a coragem de pôr termo a tantos, demasiados, anos de lutas e divisões e empreender, com decisão, o caminho das negociações.”

A situação no Egipto, atualmente a braços com a discussão sobre a nova Constituição, também não foi esquecida: “Nos países do norte de África, em profunda transição à procura de um novo futuro – nomeadamente o Egipto, terra amada e abençoada pela infância de Jesus –, que os cidadãos construam, juntos, sociedades baseadas na justiça, no respeito da liberdade e da dignidade de cada pessoa”.

O Papa referiu-se também à China, onde recentemente tomou posse uma nova liderança política: “Que o Rei da Paz pouse o seu olhar também sobre os novos dirigentes da República Popular da China pela alta tarefa que os aguarda. Espero que, no desempenho da mesma, se valorize o contributo das religiões, no respeito de cada uma delas, de modo que as mesmas possam contribuir para a construção de uma sociedade solidária, para beneficio daquele nobre povo e do mundo inteiro”. Depois, fez ainda referência aos países africanos em guerra, nomeadamente ao Mali, Congo, Quénia e Nigéria, onde o terrorismo tem vindo a fazer vítimas, nomeadamente entre os cristãos.

 

4. É a primeira vez que o Papa escreve um artigo num jornal. O texto é fruto de um convite insólito do Financial Times, que pediu a Bento XVI um comentário sobre o seu mais recente livro ‘A Infância de Jesus’. O texto começa com a frase de Cristo "Dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus", para explicar que o nascimento de Jesus é um desafio para repensar as nossas prioridades, os nossos valores e o nosso estilo de vida. Por isso, se o Natal é tempo de alegria, deve ser também uma ocasião para um exame de consciência e cada um se interrogar: no final deste ano, em que tantos sofrem de privações económicas, o que podemos nós aprender da humildade, pobreza e simplicidade do presépio?

O Natal é tempo para ler o Evangelho e para conhecer melhor Jesus - escreve o Papa - e é no Evangelho que os cristãos encontram inspiração para a vida quotidiana e para a sua atividade no mundo, incluindo no Parlamento e na bolsa.

Os cristãos não devem fugir do mundo, pelo contrário, devem empenhar-se nele, mas a sua participação deve transcender a ideologia. Os cristãos são chamados a combater a pobreza, a partilhar os recursos da terra, a cuidar dos mais fracos, devem-se opor à avidez e à exploração e viver o que Cristo ensinou, promovendo a paz e a justiça para todos.

 

5. O Papa aprovou no passado dia 20 de dezembro a publicação do decreto que reconhece as ‘virtudes heroicas’ de Giovanni Battista Montini (1897-1978), Paulo VI, eleito Papa em junho de 1963 e o primeiro a visitar Portugal, em 1967. Esta é uma etapa do processo que leva à proclamação de um fiel católico como beato, e permite que, após o reconhecimento de um milagre atribuído à intercessão do Papa italiano, tenha lugar a sua beatificação, penúltima etapa para a declaração da santidade.

 

6. O Papa perdoou o seu antigo mordomo, Paolo Gabriele, que foi condenado a um ano e seis meses de prisão por ter roubado documentos confidenciais do Vaticano, num caso que ficou conhecido por Vatileaks. Bento XVI visitou Gabriele na manhã de sábado, dia 22 de dezembro, na prisão, para lhe dizer pessoalmente que estava perdoado. O Papa terá também concedido perdão a Claudio Sciarpelletti, o informático acusado de cumplicidade com o ex-mordomo.

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