Roma |
A uma janela de Roma
“O que gera a violência é a ausência de Deus”
<<
1/
>>
Imagem

O Papa encontrou-se com os diplomatas. Na semana em que foi publicada Mensagem para o Dia Mundial do Doente, Bento XVI lembrou o exemplo de humildade dos Reis Magos e dirigiu uma saudação aos cristãos do Oriente que celebraram o Natal esta semana. A canonização de João Paulo II pode acontecer este ano.

 

1. No encontro de ano novo com os membros do corpo diplomático acreditados junto da Santa Sé, o Papa assegurou que a verdade, a justiça e a paz não são uma utopia, apesar das dificuldades e conflitos que nos rodeiam. O que gera a violência – disse Bento XVI aos diplomatas – é a ausência de Deus. E como o diálogo é decisivo para a paz, quando se esquece Deus, deixa de haver uma referência de verdade objetiva e usa-se a violência. Sem abertura ao transcendente, o homem torna-se prisioneiro do relativismo e é difícil comprometer-se pela paz e justiça.

A lista das preocupações é grande: os massacres e sofrimentos na Síria (que, se o conflito perdurar, não conhecerá vencedores, mas só derrotados); o conflito israelo-palestiniano e o futuro de Jerusalém; a situação no Iraque e no Líbano; as mudanças no Egipto e a necessidade de respeitar a pluralidade das religiões; as guerras sangrentas na República Democrática do Congo, na região do Corno de África, na Nigéria e no Mali…

Quanto à Europa, Bento XVI lamenta que países de tradição cristã tenham aprovado leis que despenalizem o aborto – decisão gravemente contrária à lei moral. Preocupação também quanto à mais recente sentença do tribunal inter-americano dos Direitos do Homem sobre a fecundação in vitro, sentença que redefine de modo arbitrário o momento da conceção e, por isso, fragiliza os direitos e a defesa da vida pré-natal.

Sobretudo no Ocidente, os direitos humanos e respetivos deveres sofrem vários equívocos. Frequentemente confunde-se direitos com manifestações exacerbadas de autonomia da pessoa. Ora, a defesa dos direitos – recorda o Papa – não é satisfazer as suas carências, mas considerar o homem na sua integridade pessoal e comunitária.

 

2. A figura do Bom Samaritano inspira a Mensagem do Papa para o Dia Mundial do Doente (11 de fevereiro). O texto divulgado esta semana sublinha o exemplo de pessoas emblemáticas na ajuda ao próximo, como Madre Teresa de Calcutá, Raoul Follereau, Santa Teresinha do Menino Jesus, Anna Schäffer ou Luis Novarese – modelos para quem está doente ou ajuda os doentes.

Bento XVI agradece e encoraja as instituições da Igreja ou da sociedade civil e também às famílias e voluntários comprometidos na ajuda aos que sofrem.

A todos o Papa recorda que “ao aceitar generosamente a vida humana, sobretudo se frágil e doente, a Igreja vive hoje um momento fundamental da sua missão”.

 

3. O Papa apontou Deus como fonte de inspiração para a construção de uma sociedade mais solidária. No dia da Epifania, Bento XVI lembrou o exemplo de humildade dos Reis Magos que há mais de dois mil anos foram ao encontro de Jesus. “Nesta solenidade da Epifania do Senhor, a exemplo dos Magos do Oriente, convido todos a procurar Deus com simplicidade de espírito, sem sucumbir perante o desalento ou a crítica. Ele revela-se aos humildes e aos pobres de espírito. Ele não se cansa de bater à porta do nosso coração. Encontrar Deus é o melhor que pode acontecer a um homem. Abramos, pois, a nossa vida à luz da sua graça e descobriremos a força necessária para edificar uma sociedade cada vez mais reconciliada e solidária”, afirmou Bento XVI, após a oração do Angelus.

De manhã, o Papa tinha ordenado quatro bispos, sendo um deles monsenhor Georg Ganswein, seu secretário pessoal que, a partir de agora, será também o Prefeito da Casa Pontifícia. Na sua homilia, Bento XVI pediu aos novos bispos que permaneçam firmes na verdade e tenham a coragem para enfrentar as orientações e critérios dominantes. “Os que temem a Deus, não têm medo dos homens, porque são livres”, assegurou.

 

4. O Papa dirigiu uma saudação aos cristãos do Oriente que celebraram o Natal esta segunda-feira, dia 7 de janeiro, seguindo o calendário introduzido no ano 45 a.C. pelo imperador romano Júlio César. “Na alegria da fé comum, dirijo o meu mais cordial desejo de paz, com uma recordação especial na oração”, disse o Papa, no Vaticano, durante a recitação do Angelus. “O Menino, nascido na gruta de Belém, é a luz do mundo, que orienta o caminho de todos os povos”, acrescentou.

 

5. O Beato João Paulo II pode vir a ser canonizado ainda este ano, segundo a KAI, agência católica oficial da Polónia. A agência, chefiada por uma comissão de bispos, cita uma “informação não confirmada” de Roma que indica que têm sido confirmados vários casos de “curas inexplicáveis”, atribuídas à intercessão do Papa Polaco. Até este momento, o Vaticano não se pronunciou.

Aura Miguel, à conversa com Diogo Paiva Brandão
A OPINIÃO DE
Isilda Pegado
1. Sinto-lhe o cheiro! Do tempo em que Setembro era o mês de preparar a entrada na Escola. O cheiro...
ver [+]

Tony Neves
Hoje, 1 de setembro, é o Dia Mundial de Oração pelo Cuidado da Criação, instituído pelo Papa Francisco...
ver [+]

Visite a página online
do Patriarcado de Lisboa
Galeria de Vídeos
Voz da Verdade
EDIÇÕES ANTERIORES