Domingo |
À procura da Palavra
Baptismo ou baptizado?

BAPTISMO DO SENHOR Ano C

" Ele baptizar-vos-á com o Espírito Santo

e com o fogo.”

Lc 3, 16

 

Curiosamente pode haver diferenças fundamentais nestas duas palavras. A primeira pode evocar um acontecimento com repercursões, a segunda uma data festiva com fotografias e restaurante; a primeira supõe um antes e um depois, a segunda pode cristalizar no tempo uma festa bonita e uma tradição cumprida. Mas até a palavra “baptizado” diz coisas diferentes quando colocamos antes, “fui” ou, “sou”. Da água todos nos lembramos, mas quanto ao Espírito Santo e ao fogo… ninguém os viu!

 

Creio que todos entendem as diferenças entre o Baptismo de Jesus e o Baptismo que celebra a Igreja e que nos fez filhos de Deus! E a diferença fundamental claro que não é o facto de o de Jesus ter sido no rio Jordão e o nosso numa pia baptismal de alguma igreja! Sem pretensão em aprofundar a teologia do Baptismo sorrio ao lembrar a distinção que apresentava um amigo meu: “no Baptismo de Jesus o Pai apresentou Jesus como o Filho, no nosso fez-nos Filhos; no d’Ele foi o início do anúncio da Boa Nova, no nosso tirámos fotografias e fomos para o restaurante!” Claro que dizia a brincar mas não deixa de ser sério. A riqueza e exigência da preparação do baptismo de crianças e adultos é muito importante, mas levará ainda tempo a mudar a ideia dos sacramentos como direitos ou conquistas, que se obtêm como prémio, esquecendo que são, fundamentalmente, transformação de vida. Fica a água, mas sem Espírito Santo e sem fogo! 

Neste Ano da Fé abrimos as portas do baptistério da igreja. Iluminámo-lo e colocámos flores diante da pia baptismal. Algumas pessoas não sabiam o que havia detrás daquelas portas (os mais distraídos!). Em algumas igrejas colocou-se um livro em branco e uma caneta para quem quisesse escrever alguma mensagem, uma oração, um agradecimento. Ao lado, o Credo e a profissão de fé pascal. Talvez para lembrar que foi ali que nascemos de novo, que passámos da orfandade à comunhão, e nos foi dito “tu és meu filho ou minha filha muito amados”. Gestos pequenos para dizer que ninguém é cristão sozinho, que caminhar com outros traz mais felicidade, que o Espírito Santo e o fogo ainda contam connosco.

E que nos diz o Espírito Santo da vida que construímos? Pergunta-nos pelo fogo como Paulo VI perguntou pela alegria:” Cristãos, que fizestes da vossa alegria?” Provoca-nos para imaginarmos comunidades mais pequenas mas mais fraternas, e estruturas mais maleáveis mas mais comprometidas? Alenta-nos na coragem de um amor novo a Cristo assumindo os seus gestos libertadores como nossos? Tudo isto e tanto mais, que descobriremos se deixarmos que o seu fogo não se apague em nós!

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