Lisboa |
Paróquias de São Gregório e Landal recebem Visita Pastoral
“Jesus Cristo é alguém vivo, que vem ao nosso encontro todos os dias!”
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São duas pequenas paróquias – cada uma com cerca de mil habitantes – que sofrem o efeito do envelhecimento da população. São Gregório e Landal, nas Caldas da Rainha, receberam a visita pastoral e foram desafiadas por D. Nuno Brás, Bispo Auxiliar de Lisboa, a nunca desistirem de ir ao encontro de quem ainda não conhece Cristo.

 

“Nunca desistam de convidar os vossos familiares para irem à Missa”. Este foi o principal conselho, em tom de desafio, deixado por D. Nuno Brás, Bispo Auxiliar de Lisboa, aos paroquianos de São Gregório, Caldas da Rainha, que se lamentavam da pouca participação dos filhos e netos nas celebrações eucarísticas. “Somos uma freguesia com 900 e poucos habitantes, mas apenas cerca de 50 vêm à Eucaristia”, explicavam os paroquianos ao Bispo Auxiliar do Patriarcado. D. Nuno sublinhou ser “importante que aqueles que têm fé e que praticam a fé não deixem de o fazer”. Mas o desafio vai mais além da simples participação individual na Eucaristia. “É tarefa de cada um de nós não desistir nunca dos outros que não têm fé. Nosso Senhor também não desiste! Não podemos desistir de convidar, não podemos desistir que os outros também possam ter fé, não podemos desistir que eles também venham à Missa… Não podemos desistir nunca! Nós precisamos mostrar que é importante ir à Missa, encontrar Nosso Senhor. Mostrar que Cristo é importante na nossa vida”. Depois, lembrou a missão dos discípulos de Jesus. “Os apóstolos eram só doze, eram pescadores, não sabiam ler nem escrever, e fizeram o que fizeram! Se os apóstolos tivessem desistido, nós não estávamos aqui hoje! Eles foram anunciar, não tiveram medo!”.

Neste encontro, integrado no contexto da Visita Pastoral à Vigararia de Caldas da Rainha - Peniche, o Bispo Auxiliar de Lisboa procurou conhecer melhor a vida desta paróquia de São Gregório, a sua organização, dificuldades e apostas. Colocado a par da ‘rivalidade’ com Fanadia – uma pequena comunidade que faz parte desta paróquia –, D. Nuno Brás frisou que os paroquianos devem “procurar sempre a unidade” e deixou sugestões: “Por que não organizar uma procissão de velas que comece na Fanadia e acabe em São Gregório?”. O pároco, padre José Correia Gonçalves, chegou a esta paróquia de Caldas da Rainha no início deste ano pastoral, em setembro de 2012, e assegurou que irá manter as celebrações nas duas comunidades. “Não é um trabalho fácil, mas podem ter a certeza que estarei sempre presente para todos!”, garantiu.

A visita pastoral decorreu na tarde do passado sábado, 19 de janeiro, dia em que Portugal foi assolado por um temporal. Sem luz elétrica, nem telefones, aparentemente distante de tudo, São Gregório poderia sentir-se ao abandono. Neste encontro, D. Nuno Brás reforçou a importância da unidade eclesial com o Patriarcado de Lisboa. “São Gregório não é uma paróquia sozinha! Tal como todas as outras, faz parte de um grupo maior que é a diocese, a Diocese de Lisboa, a que preside o Senhor Patriarca e onde nós encontramos esta realidade central na nossa vida de cristãos, que é a Igreja!”, acentuou D. Nuno Brás.

 

A missão pela oração

Após o encontro com a população, o Bispo Auxiliar do Patriarcado de Lisboa visitou a Casa de Repouso Santo Amaro, situada em São Gregório, onde contactou de perto com os 23 utentes do lar. “Deus não se esquece de vocês! Não se esquece nunca! E pede-vos para também vocês não se esquecerem d’Ele! Nunca se esqueçam de Nosso Senhor”, pediu.

Falando das pessoas “que não rezam porque têm a vida tão atarefada”, mas também “dos outros que, mesmo sem a vida atarefada, não rezam”, D. Nuno Brás lembrou aos idosos a missão de cada um deles na Igreja. “A vossa missão é uma missão muito importante: rezar pelas pessoas que não rezam! Não podemos rezar apenas por nós, mas também pelos outros que se esquecem de Nosso Senhor”. Uma das utentes do lar assegura então ao Bispo Auxiliar: “Todos os dias rezamos três Terços, além das outras orações diárias”.

 

No Landal, a refletir sobre o amor de Deus

Perto de três dezenas de jovens da paróquia do Espírito Santo do Landal acolheram D. Nuno Brás, no início da visita pastoral a esta paróquia da Vigararia de Caldas da Rainha - Peniche. “A minha primeira reação é de satisfação, por ver tantos jovens! Sobretudo por ver um grupo juvenil que se reúne semanalmente”. O pároco, padre José Gonçalves, está também no Landal e explica que “nestes quatro meses foi já organizado um plano pastoral” para os jovens de toda a paróquia. “Este grupo juvenil reúne jovens das seis comunidades da paróquia: Landal, Santa Suzana, Amiais, Rostos, Casais de Santa Helena e Bairradas”, explicou o padre Gonçalves, que acumula ainda a paróquia de A-dos-Francos.

Dirigindo-se a este grupo e falando sobre “o sentido da vida de cada um”, D. Nuno Brás lembrou: “Nós existimos porque Deus nos quis e nos quer! É qualquer coisa de essencial perceber que hoje, agora, neste momento, Deus está a pensar em cada um de nós! Ou seja, que nós não somos estranhos para Deus. Deus ama-me a mim e a cada um de vocês, assim como somos. O valor do ser humano não é dado pelas vezes que aparece na televisão ou nos jornais, ou por quanto dinheiro ganha; o valor do ser humano é dado por este amor que Deus lhe tem”. Para D. Nuno Brás, “o sentido da vida de cada um deve ser corresponder a este amor de Deus”.

Questionando ‘Como é que sabemos que Deus nos ama?’, o Bispo Auxiliar lembrou a Paixão de Cristo. “Ele morreu por nós na Cruz! O facto de Deus se ter feito Homem e o facto de ter morrido por nós na Cruz mostra o quanto Deus nos ama. Naquela Cruz de Jesus, não estão apenas aqueles que eram do seu grupo mais chegado ou que viveram no seu tempo. Na morte e na ressurreição de Jesus estamos todos nós”.

Num encontro à luz das velas – o Landal, a exemplo de São Gregório e de muitas povoações portuguesas, passou aquele sábado sem eletricidade –, D. Nuno Brás focou também a importância de ir conhecendo Cristo. “Jesus Cristo é alguém vivo, que encontramos todos os dias, que vem ao nosso encontro todos os dias! É alguém que eu conheço e que vou conhecendo. Se eu não estiver com Jesus Cristo, nunca o poderei conhecer verdadeiramente! Se eu não me encontrar com Ele, todos os dias, na oração, nunca o poderei conhecer verdadeiramente! E, digo-vos, vale a pena conhecer Jesus!”. O Bispo Auxiliar convidou ainda os jovens da paróquia do Landal “a falarem d’Ele” aos outros jovens da freguesia. “Nós não podemos calar aquilo que vimos e ouvimos. Essa é a característica do cristão!”, sublinhou.

 

Construir comunidade

O Landal é uma paróquia da Vigararia de Caldas - Peniche que tem cinco capelas, além da igreja paroquial. “Em todas as capelas há catequese, exceto na igreja paroquial porque não há crianças”, referem os paroquianos a D. Nuno Brás, durante um encontro realizado na capela de Santa Suzana. “O espaço é pequeno e as crianças estão mais próximas dos outros lugares da paróquia, por isso não tem havido catequese no centro do Landal”, explicam, salientando que a paróquia tem cerca de 70-80 crianças na catequese. “Desde que o padre Gonçalves chegou à paróquia, as Missas do 2º e do 4º Domingo do mês reúnem aqui na igreja de Santa Suzana todas as crianças da freguesia que estão na catequese”, referem os paroquianos, enaltecendo “o jeito especial que o pároco tem para cativar os mais novos”.

Neste encontro com a população, realizado à luz de velas devido ao temporal, o Bispo Auxiliar do Patriarcado procurou conhecer a realidade da paróquia, a exemplo do que havia feito em São Gregório. “É muito importante perceber que os leigos também são a Igreja. Costuma-se, muitas vezes, ouvir ‘A Igreja, ou seja, os padres e os bispos…’, mas era importante os leigos sentirem a Igreja como uma realidade também sua!”, sublinhou D. Nuno Brás, focando a importância de construir comunidade: “Temos de sentir todos a realidade da comunidade como uma coisa nossa”.

No final, o Bispo Auxiliar de Lisboa deixou um convite à evangelização: “Não desistam nunca de anunciar Jesus Cristo”.

 

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Memória descritiva do logotipo

A imagem gráfica que agora é apresentada ilustra a Visita Pastoral à Vigararia Caldas da Rainha-Peniche, sob o tema “Confirmados na Fé dos Apóstolos”. Deste modo, a significação tem como ponto de referência o próprio tema, o qual podemos dividir em três realidades: a ; os Apóstolos e a Confirmação.

A cristã, longe de ser a religião do livro, é a pessoa de Jesus Cristo: Deus que se faz homem, e que pelos homens foi “crucificado, morto e sepultado; (…) Ressuscitou ao terceiro dia”. Por isso, é representada a cruz, sinal da crucifixão e morte de Jesus, e o sepulcro aberto, sinal da ressurreição.

Esta é a Fé que nos chega através dos Apóstolos que Jesus escolheu. “A eles também apareceu vivo depois da sua paixão e deu-lhes disso numerosas provas com as suas aparições (…) falando-lhes também a respeito do Reino de Deus” (Act 1, 3).

Ao viver este tempo de Visita Pastoral, a Vigararia é convidada a entrar pela Porta da Fé. Escreve o Senhor Patriarca na Carta Pastoral A Peregrinação na Fé que entrar pela Porta da Fé “é escolher uma perspetiva de vida que é a do próprio Senhor, que nos une a Ele para vivermos como Ele viveu”. Assim, procurará a Vigararia, reunida à volta do Bispo diocesano, ser confirmada pelo seu pastor. Símbolo desta Confirmação é a Porta colocada sobre a Cruz.

por Pedro Tavares

texto e fotos por Diogo Paiva Brandão
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