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XIII Encontro de Agentes Sociopastorais das Migrações
Migrantes: fazem parte de nós
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Mais uma vez se realizou em Fátima, de 11 a 13 de janeiro, o XIII Encontro de Agentes Sociopastorais das Migrações, realçando a importância que o assunto continua a ter neste aqui e agora. A mobilidade das pessoas é uma caraterística da humanidade e da sociedade portuguesa em particular, como o demonstra a existência de filhos seus espalhados por todos os cantos do mundo.

 

Todos peregrinos e estrangeiros

Vivemos um momento em que essa dinâmica está muito presente, com a vaga de emigração em níveis dos anos 60. O Secretário de Estado das Comunidades estimou entre 100 mil e 120 mil o número dos portugueses que deixaram o país em 2011, adiantando que o número pode ter aumentado em 2012. Este fenómeno segundo a opinião de diversos economistas, pode constituir uma válvula de escape para a crise, mas também pode provocar graves problemas para o futuro da economia e da sociedade.

Para o emigrante, sair do país pode ser uma oportunidade; mas não deixa de ser um corte com as suas raízes, com a família, com os amigos, com uma série de hábitos que lhe davam segurança e estabilidade. E isto especialmente quando se vê forçado a sair por razões de segurança geradas em conflitos armados, na insegurança política, na perseguição; mas também a situação económica pode força-lo a sair para conseguir sobreviver ou atingir um melhor nível de vida. Por isso o Papa na sua Mensagem para o Dia Mundial do Migrante e Refugiado realça, para além do direito a emigrar, também o direito a “não emigrar”, isto é, a ter condições para permanecer na própria terra.

 

Preocupação de sempre

No início dos anos 90, os Institutos Missionários publicaram um comunicado, com data de 13.01.1992, no qual, perante a afluência de imigrantes ao nosso país, manifestavam “o apoio à elaboração de uma lei que ajude eficazmente a pôr fim à situação vergonhosa em que se encontram dezenas de milhares de estrangeiros”; apontavam em poucas linhas as exigências que essa vaga lhes colocava como missionários, como portugueses e como europeus. E numerosos grupos encontraram nesse registo clarividência para saberem onde estavam, para onde caminhar e com que razões deveriam aguentar-se num caminho nem sempre bem entendido. Faziam-se reparos relativamente à preocupação com os imigrantes, dizendo que com os portugueses ninguém se importava. Felizmente que a ignorância não constitui verdade; e lá se ia dizendo que, muito antes de a Igreja se dedicar aos estrangeiros que aqui chegavam, já se tinha preocupado com os numerosos portugueses que deixavam um país empobrecido, enfraquecido por uma guerra que nos exauria recursos e vidas e nos deixava tristemente sós. Aqueles que corajosamente e sem se deixarem resignar davam o “salto”, na terra do destino se algum apoio encontravam ainda era no âmbito das igrejas. Foi nesse contexto que surgiu a Obra Católica Portuguesa de Migrações, que no passado dia 19 de Dezembro encerrou a celebração do seu cinquentenário, um longo esforço de apoio primeiramente aos que deixavam o país e depois, mas sem deixar esses, aos que buscavam Portugal como país de acolhimento. D. Jorge Ortiga nessa ocasião referiu que a Igreja “com vasta experiência curricular no auxílio às fragilidades humanas, soube antecipar-se e esperar a chegada de milhares de portugueses às terras que os acolheram”. O Diretor da OCPM, frei Sales Diniz, falou de uma “epopeia” construída de mãos dadas com outras organizações; algumas da Igreja, mas também associações de imigrantes, organizações humanitárias e sindicatos que, todos juntos, foram criando uma mentalidade mais aberta à riqueza humana e económica que a imigração nos trazia, mas também forçando os governantes a legislarem com abertura e respeito por esses cidadãos que tinham escolhido esta terra para viver. Poucas vezes terá acontecido uma tão ampla sintonia entre tão variadas organizações.

“A Igreja caminha juntamente com toda a humanidade e não há realidade alguma verdadeiramente humana que não encontre eco no seu coração”. Isso está claro na “Gaudium et Spes” e vai na linha do núcleo do Evangelho, também hoje. Na Igreja toda a pessoa deveria sentir-se em família.

texto por P. Valentim Gonçalves, CJP-CIRP
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