Ano da Fé |
Acreditar com o Concílio
A unidade da fé exprime-se na variedade de dons e carismas
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|Lumen Gentium, nº 12|

Além disso, o mesmo Espírito Santo não se limita a santificar e dirigir o Povo de Deus por meio dos sacramentos e ministérios, e a orná-lo de virtudes, mas concede dons e graças especiais aos fiéis de todas as classes, «distribuindo a cada um conforme lhe apraz» (1Cor. 12,11), tornando-os aptos e disponíveis para assumirem os diversos cargos e ofícios úteis à renovação e maior crescimento da Igreja, segundo aquelas palavras: «a cada um é dada a manifestação do Espírito para proveito comum» (1Cor. 12,7). Devem aceitar-se estes carismas com acção de graças e consolação, pois todos, desde os mais extraordinários aos mais simples e comuns, são perfeitamente acomodados e úteis às necessidades da Igreja. Não devemos pedir temerariamente dons extraordinários, nem, com presunção, esperar deles os frutos das obras apostólicas; é aos que governam a Igreja que cabe julgar acerca da sua genuinidade e da conveniência do seu uso; de modo particular lhes compete não extinguir o Espírito, mas tudo ponderar, e reter o que for bom (cfr. 1Tess. 5,12. 19-21)”.

 

|Comentário de D. Nuno Brás|

Continuamos hoje a ler e a meditar o n. 12 da Constituição Lumen Gentium do Concílio Vaticano II.

Esta parte final do n. 12 (que, como vemos, é um número central de entre os vários textos conciliares) chama-nos a atenção para um facto a que nem sempre damos muita importância: o Espírito Santo continua hoje a atuar na Igreja, tal como o fez nos primeiros tempos. É o mesmo Espírito, com a mesma força e a mesma finalidade: fazer de todos um só povo, animado pela mesma fé, reunido para glorificar o único Deus.

Para que nós, cristãos, e toda a humanidade (pois todos são chamados a conhecer Deus, e a fazer um em Cristo) possamos percorrer esse caminho, o Espírito Santo suscita na Igreja uma variedade de serviços, de ministérios. Estes, a todos vão ajudando, a fim de que cada cristão e cada ser humano possa cada vez mais aproximar-se de Deus. De entre eles, importa fazer uma referência particular àqueles cristãos que receberam o sacramento da Ordem (Bispos, Presbíteros e Diáconos): transformado que foi de um modo estável e permanente o seu ser de batizados, eles têm por particular missão conduzir cada comunidade, sobretudo por meio da pregação e da celebração dos sacramentos.

Mas a ação do Espírito Santo não se fica por aqueles que receberam a ordenação. Com efeito, em cada momento da história, o Espírito Santo faz surgir nos batizados uma diversidade de dons, de aptidões e de missões, os “carismas”, para o serviço e benefício de todos: o Espírito atua no coração dos crentes, e faz que eles encontrem a disponibilidade e a docilidade para os exercer estes dons em favor do bem de todos. É o caso de tantos leigos que se dedicam ao serviço dos mais pobres; ou dos catequistas, dos cantores e leitores da Palavra de Deus; ou ainda o caso daqueles que visitam os doentes – e, graças a Deus, de tantos outros que, de um modo ou de outro, servem a Igreja e os irmãos.

A todos o Concílio convida, em primeiro lugar, a agradecer a Deus por esses dons do Espírito Santo. Mas, logo depois, oferece também algumas indicações essenciais: diz-nos que não devemos pedir para nós dons extraordinários, fora do comum, que nos possam envaidecer e fazer-nos pensar que somos melhores que os outros; depois, diz-nos ainda que a nós pertence semear e não colher os frutos do trabalho apostólico; finalmente, o Concílio afirma que cabe àqueles que receberam o sacramento da Ordem fazer o discernimento dos carismas, quer dizer: distinguir entre os dons que procedem verdadeiramente do Espírito Santo e aqueles outros que têm a sua origem na vaidade e na vontade de se evidenciar por parte de alguém.

Ao fazê-lo a hierarquia (os cristãos que receberam o sacramento da Ordem) deve ter presente que não se encontra acima da ação do Espírito Santo mas ao seu serviço, tanto mais que também o ministério ordenado é fruto do mesmo Espírito. Assim, sempre atenta, de modo a não apagar o fogo do Espírito Santo, é à hierarquia que cabe tudo ponderar, para que possa permanecer apenas o que for bom.

 

Questões para refletirmos:

1. Temos estado atentos e disponíveis aos pedidos e aos dons do Espírito Santo?

2. Temos dado graças a Deus pela ação do Seu Espírito no meio de nós?

3. Estamos abertos ao discernimento que a hierarquia faz daquilo que nos parecem ser as inspirações do Espírito Santo ao nosso coração?

Na Tua Palavra
Não nos separemos d’Ele!
por D. Nuno Brás
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