Domingo |
À procura da Palavra
Profetas?...Nós?

DOMINGO IV COMUM    Ano C

“Jesus, passando pelo meio deles,

seguiu o seu caminho.”

Lc 4, 30

 

Porque foi tão difícil aos conterrâneos de Jesus acreditarem nele? Seria esta ideia arreigada de que “o que vem de for é que é que é bom” ou a memória daquele menino que cresceu tão igual aos outros, e agora deslumbrava todos com as suas palavras? Seria a fama que chegava aos seus ouvidos dos milagres que tinha feito em Cafarnaum e que julgariam ser seu dever fazer agora ali, qual mágico de um espectáculo gratuito? É verdade que Jesus põe “mais lenha na fogueira” e fala-lhes de milagres feitos, no passado, a estrangeiros e não ao Povo de Israel. É preciso ter um coração humilde, e fé como um abandono nas mãos de Deus, para ver o milagre. E isso não conseguem. Porque o milagre está diante dos olhos mas teimam em não querer ver. E, como todas as multidões, quando não querem ver, procuram assassinar quem põe em causa a sua cegueira!

Ver mais fundo e mais longe, ver como o próprio Deus vê, é também a identidade de um profeta. E porque vê, não pode calar, não pode deixar tudo na mesma, como se nada se pudesse fazer para mudar o que está mal. Mas isso incomoda, provoca rejeição, abala as falsidades instaladas, e põe em causa o viver arrumadinho e calculista, religiosamente satisfatório e injustamente acomodado. “Há tanto tempo que é assim!”, “são direitos e regalias estabelecidos há muito”, “para quê mudar?”, são algumas das objecções imediatas. Porque é fácil habituarmos-nos ao injusto e ao desumano quando até a religião, que devia fazer-nos ouvintes e porta-vozes de Deus, se torna anestesia ou analgésico, e nos destitui dessa missão profética. A promoção de um mundo mais humano (e por isso mais divino!) implica vozes e atitudes que se comprometem com a mesma missão libertadora de Jesus. A fazer que se cumpra “hoje” a mesma responsabilidade pelo destino de todos, o compromisso pela libertação dos oprimidos, o empenho no justo acesso de todos ao trabalho e aos bens, a promoção da dignidade que cada pessoa merece, que levaram Jesus a dar a sua vida.  

Podemos ficar numa imagem “açucarada” de profeta, servindo-se mais do que servindo, pactuando numa fé que não muda o pensar e o agir, sem assumirmos a fundo a causa de Deus amar a humanidade até ao fim. Podemos refugiar-nos num retorno ao religioso como grande testemunho perante o secularismo, com o risco de nos fechamos numa nuvem de incenso, passando Jesus pelo meio de nós para seguir o seu caminho. Mas podemos também rever com Jesus ao lado, o nosso ser com os outros e com Deus. E encontrar n’Ele a coragem de encetar pequenas e grandes mudanças, que são o caminho de Jesus!

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