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Papa anunciou renúncia ao Pontificado
“Bento XVI é das inteligências mais brilhantes”
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“Bento XVI, Joseph Ratzinger, é das inteligências mais brilhantes do século XX e princípio do século XXI. Um homem de uma piedade mais a pender para a mística do que para a intelectualidade”. É desta forma que o Cardeal-Patriarca de Lisboa caracteriza o Papa Bento XVI, que na passada segunda-feira, dia 11 de fevereiro, anunciou que vai renunciar ao Pontificado.

 

Numa conferência de imprensa realizada na Casa Patriarcal, em Moscavide, D. José Policarpo testemunhou que teve “a sorte de contactar de perto” com Joseph Ratzinger, “um homem que considera, ainda, juntar à profundidade intelectual de um grande professor universitário, uma sensibilidade artística notável”. “Era um homem de uma piedade mais a pender para a mística do que para a intelectualidade”, acentuou.

Neste encontro com os jornalistas, a propósito do anúncio da renúncia do Papa, o Cardeal-Patriarca de Lisboa lembrou que este é um facto que “não acontecia há vários séculos”. D. José Policarpo, que é também o presidente da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) e um dos dois cardeais portugueses eleitores no próximo Conclave, destacou “a lucidez, coragem e humildade” do Papa “em tomar esta decisão”, explicando o contexto em que surge. “No contexto civil e eclesiástico em que se vivia até ao Concílio Vaticano II, os grandes cargos de grande responsabilidade eram vitalícios. E isso tinha na base uma espiritualidade, porque quando se entregava à missão, entregava-se a vida”, refere.

 

Disponibilidade para o serviço

Para D. José Policarpo, “a compreensão da Igreja depois do Concílio Vaticano II sublinha que nestes grandes serviços da Igreja a pessoa deve estar capaz de o exercer”. Por isso, salienta: “O Concílio Vaticano II não dita nenhuma regra, mas abre o princípio de uma disponibilidade para o serviço que pode passar pela renúncia ao cargo que tem”.

Nesta conferência de imprensa, o Patriarca de Lisboa, que em 2005 foi um dos Cardeais eleitores no Conclave que elegeu Bento XVI, assumiu que foi apanhado de surpresa com a informação da renúncia. “Bento XVI apanhou-nos de surpresa e eu compreendo. Bento XVI, para levar até ao fim a sua decisão, não o disse a ninguém e surpreendeu todos. É uma decisão de grande lucidez e generosidade. E faz história”, remata.

Neste encontro com os jornalistas, e remetendo para o texto [ver caixa] onde Bento XVI anuncia a sua renúncia, o Cardeal-Patriarca frisou que a razão que levou o Papa a tomar esta decisão “é óbvia” e salienta que “os aspectos da vida da Igreja e da sociedade que o fizeram sentir dolorosamente que já não era capaz de continuar, só ele o sabe”. Mas para além desses aspectos D. José Policarpo lembra as “limitações físicas” de Bento XVI. “Aconteceu uma limitação física. Começou por ter dificuldade em andar. Era um homem operado ao coração…”, recordou.

 

Papa mais jovem

Bento XVI anunciou que a renúncia ao cargo de Sucessor de Pedro na Igreja Católica terá efeito a partir das 20 horas do próximo dia 28 de fevereiro. Segundo D. José Policarpo a partir dessa hora “é como se o Papa tivesse morrido” e “desencadeiam-se os processos normais à sua substituição”.

Sobre a eleição do futuro Papa, o Cardeal-Patriarca de Lisboa afirmou que deve ser “um homem mais novo” e que a escolha deve ser independente da sua nacionalidade. “Penso que devíamos eleger um homem mais novo, aliás tem havido uma certa alternância entre pessoas mais jovens e mais velhas”, observou. “O nosso esforço deve ser identificar a pessoa” com capacidade de dirigir a Igreja Católica, independentemente da nacionalidade, acrescentou D. José Policarpo.

A partir do dia 28 de fevereiro “quem governa a Igreja neste período de Sé Vacante é o Colégio Cardinalício”, um tempo em que o governo da Igreja está entregue aos cardeais para o despacho de assuntos ordinários ou inadiáveis e para a preparação de tudo o que é necessário para a eleição do novo Papa. “Este período é importante para discutir o futuro da Igreja”, referiu o Cardeal-Patriarca. “É bom que a gente converse, se conheça, se oiça”, advertiu. Sobre qual o futuro Papa a ser eleito, D. José Policarpo comentou: “Tenho algumas pessoas na minha cabeça...”. No próximo Conclave, onde será eleito o novo Papa, podem participar 117 ou 116 cardeais, dependendo do dia em que este tenha início, uma vez que o Cardeal Walter Kasper cumpre 80 anos no dia 5 de março.

 

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Reações à notícia da resignação do Papa

“Quero, nesta ocasião, sublinhar a admiração profunda do Povo Português por Vossa Santidade e por um magistério que constitui exemplo de fé e de esperança, na defesa dos valores universais da tolerância e da paz. Recordo, muito especialmente, a Visita que efetuou a Portugal em Maio de 2010.”

Cavaco Silva, Presidente da República, em mensagem enviada ao Papa

 

“Antes de acabar o Consistório ele fez aquela declaração que ninguém esperava, evidentemente. O Papa é livre de renunciar quando acha que deve renunciar, ou por motivos de saúde ou por que for. Ninguém esperava isso, mas ninguém ficou escandalizado, é um direito do Papa previsto no Código de Direito Canónico.”

Cardeal D. José Saraiva Martins, in RR

 

“O passo que deu este Papa é, para nós que estamos a servir a Igreja, também uma lição. Nós quando notamos que chegamos a um momento em que já temos dificuldade em conduzir aquilo que nos foi confiado, o melhor é dizermos: ‘chegou a hora em que eu devo ser substituído’.”

Cardeal D. Manuel Monteiro de Castro, in RR

 

“O Papa revelou algumas dificuldades de locomoção, ao mover-se de um lado para o outro com o apoio ou da bengala ou de alguém que o ajudasse. Mas ele tinha uma atenção muito grande aos trabalhos, ele seguia todas as intervenções. Nas intervenções em que esteve presente, e foram muitas, demonstrava muita sabedoria nas suas intervenções espontâneas.”

D. Manuel Clemente, in RR

 

“Santidade, amado e venerado sucessor de Pedro! Foi como um raio do céu que ressoou nesta sala a sua comovida comunicação. Ouvimo-la com um sentimento de perplexidade, quase completamente incrédulos. Nas suas palavras percebemos o grande afeto que sempre teve para com a Santa Igreja de Deus, para com esta Igreja que tanto ama.”

Cardeal Angelo Sodano, Decano do Colégio Cardinalício, após o anúncio da renúncia

 

“Um ato de coragem que surpreendeu a todos. Entre as razões da renúncia do Papa, estão as circunstâncias do mundo de hoje que, em relação ao passado, são particularmente difíceis, pela rapidez e quantidade dos acontecimentos e dos problemas que surgem, e portanto digamos, a necessidade de um vigor porventura mais forte do que no passado.”

Padre Federico Lombardi, diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, após o anúncio da renúncia do Papa

 

“O Conselho das Conferências Episcopais da Europa expressa o seu mais profundo agradecimento a Bento XVI, pela forma fiel e corajosa com que serviu e conduziu a Igreja durante os últimos oito anos. Agradecemos ao Senhor pelo magistério riquíssimo de Joseph Ratzinger e a forma cuidadosa como sempre acompanhou o quotidiano das Igrejas Católicas do Velho Continente.”

Conselho das Conferências Episcopais da Europa, em comunicado

 

“Num tempo de profundas mudanças no mundo, não é fácil discernir qual será o rosto da Igreja de amanhã. Por isso, o Papa Bento XVI quis, com as suas cartas encíclicas e o seu ensinamento, centrar todo o seu ministério nos fundamentos da fé. Apenas partindo daí é que a Igreja poderá encontrar como viver no mundo contemporâneo.”

Irmão Alois, Prior de Taizé, em comunicado

 

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Discurso de resignação do Papa Bento XVI

Caríssimos Irmãos,

Convoquei-vos para este Consistório não só por causa das três canonizações, mas também para vos comunicar uma decisão de grande importância para a vida da Igreja.

Depois de ter examinado repetidamente a minha consciência diante de Deus, cheguei à certeza de que as minhas forças, devido à idade avançada, já não são idóneas para exercer adequadamente o ministério petrino.

Estou bem consciente de que este ministério, pela sua essência espiritual, deve ser cumprido não só com as obras e com as palavras, mas também e igualmente sofrendo e rezando.

Todavia, no mundo de hoje, sujeito a rápidas mudanças e agitado por questões de grande relevância para a vida da fé, para governar a barca de São Pedro e anunciar o Evangelho, é necessário também o vigor quer do corpo quer do espírito; vigor este, que, nos últimos meses, foi diminuindo de tal modo em mim que tenho de reconhecer a minha incapacidade para administrar bem o ministério que me foi confiado.

Por isso, bem consciente da gravidade deste acto, com plena liberdade, declaro que renuncio ao ministério de Bispo de Roma, Sucessor de São Pedro, que me foi confiado pela mão dos Cardeais em 19 de Abril de 2005, pelo que, a partir de 28 de Fevereiro de 2013, às 20,00 horas, a sede de Roma, a sede de São Pedro, ficará vacante e deverá ser convocado, por aqueles a quem tal compete, o Conclave para a eleição do novo Sumo Pontífice.

Caríssimos Irmãos, verdadeiramente de coração vos agradeço por todo o amor e a fadiga com que carregastes comigo o peso do meu ministério, e peço perdão por todos os meus defeitos.

Agora confiemos a Santa Igreja à solicitude do seu Pastor Supremo, Nosso Senhor Jesus Cristo, e peçamos a Maria, sua Mãe Santíssima, que assista, com a sua bondade materna, os Padres Cardeais na eleição do novo Sumo Pontífice.

Pelo que me diz respeito, nomeadamente no futuro, quero servir de todo o coração, com uma vida consagrada à oração, a Santa Igreja de Deus.

Vaticano, 10 de fevereiro de 2013

BENEDICTUS PP. XVI

texto por Nuno Rosário Fernandes e Diogo Paiva Brandão, com Agência Ecclesia
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