Missão |
Frei Francisco Sales
Descobrir-se no encontro com os irmãos
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Fr. Francisco Sales, humilde e com grande sentido crítico, dirige desde 2007 a Obra Católica Portuguesa de Migrações. Bem-disposto, mas muito reservado, afirma que não gosta de falar de si. As próximas linhas revelam o homem que encontrou no serviço aos outros o sentido da sua própria vida.

 

Juventude: um percurso de vida comum

Fr. Francisco Sales é açoriano, nasceu na Ilha Terceira, na freguesia de Agualva, a 19 de Junho de 1963, no seio de uma família pobre e numerosa. É o quinto de doze filhos. Aos 12 anos, a necessidade de apoiar os pais no sustento da família obrigou-o a terminar os estudos, findo o sexto ano de escolaridade. É com essa idade que começa a trabalhar numa carpintaria, onde exerce os ofícios de carpinteiro, marceneiro e entalhador. E por aqui fica durante onze anos, conjugando o serviço na carpintaria com alguns trabalhos como cozinheiro, profissão também exercida pelo pai. Dessa época, Fr. Francisco Sales recorda a responsabilidade que sentia pelos pais e pelos irmãos, com quem partilhava o fruto do seu trabalho. A vida corria, normalmente, o seu curso. Francisco tinha uma profissão, um emprego, uma casa comprada com recurso a empréstimo e uma namorada com quem planeava construir família. Aos 20 anos, como todos os jovens da altura, cumpre o serviço militar obrigatório. E é o contacto com outros jovens da sua idade, com vidas desregradas pelo álcool, prostituição e drogas, que o começa a questionar sobre o sentido da vida. Sente um vazio que já não consegue ser preenchido com o projeto de vida matrimonial que tinha delineado. Procura um sentido para a vida e encontra-o na descoberta da sua vocação.

 

A opção pela vida consagrada

O questionamento sobre a vida consagrada surge de forma discreta. É num dos momentos de isolamento e solidão, em que procurava um sentido para a vida, que Francisco fixa o olhar num calendário da União Missionária Franciscana. E é na simplicidade e na discrição de um calendário pendurado na parede que Francisco encontra a resposta que procurava: “fazer-me franciscano, despojar-me de tudo, de mim mesmo, para me dar totalmente aos outros.” Recorda que o mais difícil foi o momento da partida, em que teve que romper com a vida que até aí tinha construído, o trabalho, os amigos, os bens materiais que tanto tinham custado a conquistar, a namorada com quem sonhava construir uma vida em comum. Mas, particularmente difícil, lembra, foi afastar-se dos pais - “O meu pai doente. A minha mãe, que apesar de já ser avó, tinha um filho com quatro anos e praticamente era eu que exercia as funções de pai.”

 

A consagração a Deus ao serviço da Ordem Franciscana

Foi difícil, mas Francisco avançou e pediu o ingresso na Ordem Franciscana. Chega a Lisboa a 31 de Janeiro de 1987. No Convento de Varatojo, Torres Vedras, faz uma primeira experiência vocacional e prepara-se para ingressar no Postulantado. Agora, com 23 anos, retoma os estudos interrompidos aos 12. Em Braga, frequenta o 7º, 8º e 9º anos de escolaridade de forma intensiva e, num ano, termina o 3º ciclo, o que lhe valeu um prémio de melhor aluno. No ano seguinte completa, também de forma intensiva, os 10º e 11º anos.

No dia 7 de Setembro de 1988 toma o hábito de franciscano, dando início ao noviciado, que termina com a primeira profissão um ano mais tarde. De 1989 a 1996 vive no Seminário das Missões Franciscanas da Luz, em Lisboa, e frequenta o curso de Teologia na Universidade Católica Portuguesa, preparando-se para a ordenação sacerdotal. Em Junho de 1996 é ordenado diácono e, no mesmo dia do ano seguinte, é ordenado sacerdote, no Mosteiro dos Jerónimos. Entre 1996 e 1999, Fr. Francisco Sales conclui, em Roma, na Universidade Pontifícia Salesiana, o bacharelato em Ciências da Educação e a Licenciatura Canónica em Pastoral Juvenil. De regresso a Portugal, assume a responsabilidade pela Pastoral Juvenil e Vocacional da sua congregação, em Leiria. Em 2001 regressa aos Açores, como superior da comunidade franciscana no arquipélago. Os três primeiros anos são vividos na Ilha de S. Miguel e os restantes na Ilha Terceira. Em 2007, a Comissão Episcopal da Mobilidade Humana pede à Ordem Franciscana que disponibilize um dos seus membros para assumir as funções de diretor da Obra Católica Portuguesa de Migrações. Fr. Francisco Sales é o eleito para prestar este serviço à Conferência Episcopal Portuguesa. E neste cargo se encontra até hoje, num trabalho incansável de serviço aos emigrantes portugueses espalhados pelo mundo e às pessoas que escolheram Portugal para viver, desdobrando-se para atender a todos os que procuram a sua Obra.

texto por Ana Patrícia Fonseca, FEC – Fundação Fé e Cooperação
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