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Etiópia: o rio que anuncia a visita do bispo
Quanto custa a felicidade?
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Poucas comunidades no mundo se mobilizam tanto para receber o seu bispo como Poul, na Diocese de Gambella, na Etiópia. São apenas algumas dezenas de pessoas, é verdade, mas ninguém falta para abraçar “o amigo” que chega de barco.

 

Às vezes, há lugares tão minúsculos que é impossível encontrá-los nos mapas. São insignificantes até na cartografia. É como se não existissem. Um desses lugares chama-se Poul, na Etiópia. Tem meia dúzia de palhotas, caminhos intransitáveis e um rio que é fonte de vida. Sem ele, sem a sua água, aqueles terrenos seriam virtualmente inférteis e não permitiriam a magra agricultura de subsistência que alimenta as populações locais. Mas é um rio ingrato. Na época das chuvas, as suas correntes arrastam tudo à sua passagem, alagam as margens, destroem os campos cultivados e isolam as populações. Normalmente são quatro meses de martírio, 120 dias, uma eternidade. Nesse período, a pequena aldeia de Poul torna-se ainda mais insignificante, mais frágil, mas os que lá vivem sabem que, mais dia, menos dia, o bispo irá visitá-los. E é sempre um alvoroço quando alguém vislumbra, ao longe, a silhueta de um pequeno barco. É o bispo, “o amigo”, que se fez a caminho para estar junto dos seus.

Quando ele chega é um dia especial. Da última vez, o tempo estava calmo. Fazia calor, até. O rio permanecia tranquilo mas havia alguma agitação no ar. Ouvia-se música, tambores, e algumas pessoas dançavam. Se olhássemos com mais atenção, veríamos que são principalmente idosos os que dançavam. Homens e mulheres. Um pouco atrás, sentados no chão de terra e abrigados na sombra de árvores gigantes, estava quase toda a aldeia. Parecia um dia de festa. A aldeia, que não se avista sequer em nenhum mapa, estava prestes a receber uma visita importante. Quem? O bispo! Poul, tal como Gambella, a Diocese de D. Angelo Moreschi, é pobre como o resto do país, a Etiópia. Sempre que o bispo vai àquelas paragens, repete-se o alvoroço. Os mais velhos recebem-no com a distinção que só os chefes tribais merecem. Por isso, dançam. Mas até as crianças, muitas delas muito magras, parecem gostar daquele homem de vestes compridas e sorriso simpático.

 

O bispo das bolachas

O Padre Desaleng Doelaso, que acompanha o bispo, conhece todas aquelas pessoas pelos seus nomes, conhece as suas histórias e sabe das enormes dificuldades que têm em sobreviver. Muitas das crianças desta aldeia e de todas as aldeias em redor têm um ar macilento, doentio. A culpa, outra vez, é do rio. Na aldeia de Poul não há luz eléctrica nem torneiras nas paredes. A água que se bebe é a mesma que irriga os campos, serve para lavar a roupa, para tudo. Traz vida e também doenças. O único edifício da aldeia que está a ser construído em tijolo vai albergar a futura igreja e centro comunitário. Tudo vai passar por ali. É o começo de um tempo novo. A expectativa é enorme. O bispo, sempre que vai a Poul, lembra-se dos mais novos e leva-lhes bolachas. Parece quase nada, mas, para aquelas crianças, é um sabor de sobremesa, um requinte, um luxo, habituadas que estão apenas a uma alimentação básica, sem qualquer extravagância.

 

Pequena, grande obra

E se o bispo arranca sorrisos às crianças que já sabem do miminho das bolachas, toda a aldeia sabe que foi a Igreja Católica que ali fez construir um moinho para que os grãos de trigo se transformassem em farinha e produzissem alimentos. Sem a Igreja, ali, em Poul, tudo seria muito mais difícil. O centro comunitário e a Igreja que estão a ser construídos fazem parte dos projectos apoiados pela Fundação AIS em África. Mesmo os lugares mais minúsculos, os que não vêm sequer no mapa, como Poul, na Etiópia, são sempre visíveis aos olhos de Deus. Uma pequena obra pode mudar a vida de dezenas de pessoas, pode resgatá-las da miséria. Afinal, quanto custa a felicidade?

 

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