Na Tua Palavra |
D. Nuno Brás
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No dia 19 de Abril de 2005, tive a graça de escutar na Praça de S. Pedro as palavras que o recém-eleito Papa Bento XVI dirigiu à multidão que ali se aglomerava: “Os senhores cardeais elegeram-me a mim, um simples e humilde trabalhador na vinha do Senhor. Consola-me o facto de que o Senhor sabe agir também com instrumentos insuficientes; e, sobretudo, confio-me às vossas orações”.

No entanto, também eu (como, praticamente o mundo inteiro) fui apanhado de surpresa no passado dia 11, quando, depois da celebração do Dia Mundial do Doente, me deram a notícia da resignação do Santo Padre. Agora, olhando para trás, devo reconhecer que ela se enquadra completamente na personalidade e em todo o ministério do Papa, para quem apenas Cristo deve refulgir em toda a atividade da Igreja.

Em quase 8 anos do seu ministério, Bento XVI travou, essencialmente, uma luta: a de Deus que, em Jesus Cristo, veio até nós para nos salvar. Fê-lo tenazmente, sem voltar as costas, mas com a simplicidade, certeza e ousadia dos homens de fé. Não foi um “político”, nem “estratega”; foi – é, antes de mais, um crente, um orante, um sábio, todo imbuído pela Palavra de Deus e pela Doutrina da Igreja, que diante de um mundo onde cada um procura o fruto do momento, sempre e sem descontos apontava o caminho de Deus, da eternidade.

A riqueza cristalina do seu magistério brilhou tanto mais quanto a simplicidade do pastor que o proferia. Bento XVI quis que a sua última celebração como Papa, em S. Pedro, fosse a de quarta-feira de cinzas, num gesto de quem reconhece fazer parte de uma humanidade pecadora, a caminho do Pai e necessitada de conversão, mas, igualmente, no gesto de Pedro que permanecerá sempre no meio da barca, ao lado daqueles que, com ele, peregrinam.

O Espírito Santo não deixará de encontrar para Bento XVI um sucessor, que continue a conduzir a Barca de Pedro. A nós, cabe a tarefa de rezar pelo Santo Padre – por Bento XVI e pelo seu sucessor – e de agradecer ao Senhor este Papa que Ele colocou à frente da sua Igreja, e tudo o que, por seu intermédio, recebemos.

E cabe-nos, ainda, com gratidão humana e cristã, a atitude de dirigir ao Papa Bento XVI, do profundo do nosso coração, um grande e sincero obrigado.

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